segunda-feira, janeiro 11, 2010

30) What a Difference a School Makes - Meu depoimento sobre o Ginasio Vocacional

What a difference a school makes...
O traço todo de minha vida no Vocacional Oswaldo Aranha

Paulo Roberto de Almeida
Aluno da primeira turma (1962-1965) do Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha
(Avenida Portugal, Brooklin, São Paulo, SP)

“O traço todo da vida é para muitos um desenho da criança esquecido pelo homem, mas ao qual ele terá sempre que se cingir sem o saber...”, escreveu Joaquim Nabuco no começo de Minha Formação (1900), quando ele se refere ao período transcorrido no Engenho Massangana, no qual passou os primeiros oito anos de sua vida e onde recolheu suas primeiras impressões sobre o mundo. Nabuco continua dizendo que esses anos teriam sido decisivos na constituição de sua personalidade: “Pela minha parte acredito não ter nunca transposto o limite das minhas quatro ou cinco primeiras impressões...”
De minha parte, o traço todo de minha vida foi indelevelmente marcado pelos quatro anos que passei, adolescente, no Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha, inaugurado em 1962 justamente pela minha turma, pioneiríssima de uma experiência inédita no Brasil, de educação integral e radicalmente diversa de tudo o que se fazia até então em matéria de formação de jovens. A “minha formação”, se eu tivesse de escrever um livro equivalente de memórias, teria de reservar um largo espaço ao Vocacional, tão importante ele foi para a formação de meu caráter, para a definição de minhas orientações intelectuais, das minhas quatro ou cinco primeiras impressões do Brasil e do mundo. Ao “Ginásio” devo o que sou, hoje, e o reconheço plenamente, com toda a saudade que uma memória fugidia pode trazer para a mente do homem maduro, que sou hoje, esses anos de juventude passados num ambiente verdadeiramente excepcional para o jovem que eu era no começo dos anos 1960.

Minha Formação
Até onde minha mente alcança, no recuo para as origens, me vejo um garoto brincalhão, num bairro rarefeito da então periferia da cidade de São Paulo, quase às margens do rio Pinheiros, numa pequena rua de terra, cercada de terrenos baldios – onde a “molecada” (esse era o termo) do bairro disputava animadas peladas de futebol, corridas de pegar, piques, pião, taco e outras brincadeiras típicas de garotos de famílias modestas –, zona repicada de casas simplórias de alvenaria, praticamente nenhum edifício ou construção mais imponente, no que era então a Chácara Itaim (mais tarde chamado de Itaim-Bibi, para distinguí-lo de outro bairro com o nome de Itaim Paulista). Além de brincar na rua, também freqüentava o Parque Infantil, ou seja, a pré-escola municipal – da qual me lembro da gangorra e da merenda à base de leite e pão com goiabada – e, mesmo antes de aprender a ler, a Biblioteca Infantil, para jogos de salão e as sessões de cinema às quintas-feiras: Os Três Patetas, Gordo e Magro, Roy Rogers, Tarzan e Oscarito e Grande Otelo eram os filmes habituais, numa época em que o cinema nacional era feito sobretudo dessas comédias-pastelão.
Esse era o lado risonho de uma existência bem mais dura, posto que meus pais, ambos com primário incompleto, não tinham condições de assegurar sequer o mínimo para manter o lar, então uma modesta casinha com dois cômodos nos fundos de um terreno relativamente grande para os padrões de renda que eram os nossos. Aliás, falar de renda seria um exagero, pois que os ganhos conjuntos de meu pai, um modesto motorista de entregas numa torrefação de café, e os de minha mãe, como lavadeira “para fora”, certamente não alcançavam para todas as necessidades da casa. Eu e meu irmão Luiz Flávio tivemos portanto de trabalhar, desde muito cedo, primeiro recolhendo restos de metal nos fundos de uma fábrica – para revendê-los ao ‘ferro-velho’ –, depois como pegadores de bolas de tênis no Clube Pinheiros, mais adiante como empacotadores à base de gorjetas no supermercado Peg-Pag; lembro-me da lanchonete de estilo americano na esquina do comércio, da qual eu cobiçava (sem ter dinheiro para comprar) sobretudo os sundays e os banana-splits.
Ao aprender a ler, na tardia idade de sete anos, pude finalmente começar a freqüentar de verdade a Biblioteca Infantil Anne Frank, onde devo ter passado o essencial de minha infância e pré-adolescência: deixando os jogos de lado, eu ficava o tempo todo na sala de leitura, de onde também retirava, dia sim, dia não, dois ou três livros para continuar a leitura em casa, de noite, deitado na cama, à contra-luz; Monteiro Lobato, obviamente, e tudo o mais que me interessasse. Farei, em outro depoimento, a relação de minhas leituras juvenis, mas não poderia deixar passar o História do Mundo para as Crianças, adaptado por Monteiro Lobato de uma edição americana, um livro que foi verdadeiramente decisivo em minha formação e em minha orientação para os estudos humanísticos: devo tê-lo lido várias vezes, pois que, ao entrar para o Vocacional, eu era um “craque” – segundo a gíria da época – em todas as fases da História, da antiguidade à era moderna e mais além.

A Grande Transformação
Terminando os estudos primários na Escola Pública Municipal Aristides de Castro, a dez minutos de caminhada de casa, ainda fiz um “quinto ano” – que não era obrigatório, e muitos alunos de minha condição deixavam então o ensino formal – na mesma escola, sendo esse o caminho de “admissão” (o nome alternativo desse ano suplementar) para os estudos ginasiais, ou seja, o começo do segundo ciclo no Brasil, nessa época composto de “ginásio” e “colégio”, a última fase antes do terceiro grau.
Ninguém na minha família estendida tinha chegado então ao segundo ciclo e a opção que se apresentou aos meus pais foi a de uma escola técnica, para me dar de imediato uma formação profissional, uma inserção direta na vida ativa, com menos de 14 anos. Lembro-me de ter visitado, com minha mãe, uma escola de artes industriais do sistema Senai, com a intenção de uma possível inscrição no curso de marcenaria, a “profissão” que mais me seduzia no universo provável das modestas possibilidades de uma família sem recursos próprios da periferia de São Paulo.
Não me lembro bem agora exatamente por que, talvez porque não houvesse vagas no curso de marcenaria para mim, uma alternativa se abriu vinda de não sei bem onde, provavelmente um anúncio de jornal: a outra opção seria tentar uma aprovação em concurso para um novo tipo de ensino que estava sendo inaugurado pelo governador de São Paulo, Carvalho Pinto, os ginásios vocacionais, cinco ao todo no estado de São Paulo. A seleção era rigorosa, envolvendo provas em várias matérias e entrevistas, nas quais devo ter tido um bom desempenho (sinceramente não me lembro dessa parte), posto que fui imediatamente chamado para a inscrição.
O “problema” que então se colocou era de ordem financeira, ou talvez, mais exatamente, orçamentária: esse ginásio inédito exigia freqüência integral, em lugar das três ou quatro horas dos ginásios tradicionais, o que colocaria minha família em “dificuldades”. Com efeito, os modestos aportes meus e de meu irmão, em nossas atividades “pecuniárias”, faziam parte integral do orçamento do lar, e minha retirada do “mercado de trabalho” provocaria um déficit primário nos seus recursos líquidos. A “grande transformação” em minha vida foi representada pela decisão familiar de que o garoto de doze anos recém completados que eu era, merecedor pelo sucesso na seleção, seria dispensado dos trabalhos remunerados para seguir quase integralmente a via dos estudos de segundo ciclo, de certa forma um “privilégio de classe”. Foi, provavelmente, o tournant mais importante dessa fase juvenil e para o resto da vida.
Quando digo “dispensado de trabalhos remunerados”, isso não é totalmente correto, posto que continuei, aos sábados pelo menos e provavelmente aos domingos também, a empacotar compras no supermercado Peg-Pag, praticamente durante todo período de estudos ginasiais. Quando se vem de uma família extremamente modesta como era a minha, nenhum aporte é dispensável para o mínimo de conforto de que desfrutávamos. Não tínhamos, obviamente, nem televisão, nem telefone em casa, se tanto um aparelho de rádio, o que de certa forma deve ter contribuído para meus hábitos de leitura intensa e, certamente, aplainou facilmente meu ingresso tranqüilo na seleção dos vocacionais.

Finalmente, o Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha
Aos doze anos, com uma grande “cultura histórica universal” – especialmente na antiguidade egípcia e grega clássica –, eu dispunha, no entanto, de escassa cultura política brasileira contemporânea, e não tinha a menor idéia de quem fosse Oswaldo Aranha, que não podia, assim servir de premonição para a minha carreira futura na diplomacia. Minha entrada no Vocacional Oswaldo Aranha representou, sem qualquer sombra de dúvida, a mais importante ‘ascensão social’ em minha vida, antes do próprio ingresso na carreira diplomática, constituindo, portanto, uma espécie de ruptura entre o passado modesto, numa família de classe média baixa (provavelmente menos do que isso), e um futuro então em construção e largamente indefinido.
Talvez não tenha sido uma ruptura consolidada, pois que me lembro de que, em certas fases, minha mãe cogitou de me tirar do Vocacional para me colocar num ginásio tradicional, como meu irmão maior, por razoes sempre pecuniárias: não apenas eu não contribuía mais para o orçamento da casa, como passei a representar um ‘peso’, posto que o Vocacional tinha grandes exigências em se tratando de material de estudo e de atividades extra-classe (pagamento de ônibus de viagem, dinheiro de bolso para essas saídas etc.). Todos os meus colegas, com pouquíssimas exceções, eram de famílias de classe média, algumas até abastadas, o que era visível em traços exteriores – a despeito do uniforme e da democracia ambiente – e nas referências às compras, aos objetos pessoais, aos filmes e discos. Também tínhamos essas festinhas de fim de semana, nas casas de colegas, animadas a Cuba Libre (rum com Coca-Cola, para os mais jovens) e Hi-Fi (vodka com Fanta), música dos Beatles naquelas ‘bolachas de vitrola’ (acho que muita gente hoje não tem idéia do que seja). Eu freqüentava todos os eventos, mas por vezes não tinha condições de pagar toda a programação escolar, ou convidar de volta os colegas de classe, para uma casa que nunca teve ‘vitrola’ nem bebidas daquele tipo, sequer sala ou garagem para os bailinhos.
Tirante esses ‘constrangimentos’ – os do próprio ginásio resolvidos muito amigavelmente com a ajuda da psicóloga Gloria Pimentel e da pedagoga Olga Teresa Bechara –, o Vocacional representou uma das mais vibrantes aventuras intelectuais de minha vida, talvez a mais importante que um jovem como eu poderia esperar receber de uma instituição de ensino. Para ser mais exato, tenho certeza de que seguiria, de qualquer forma, uma carreira ‘intelectual’, posto que desde o primeiro momento que me aproximei dos livros, fui fisgado pelo seu extraordinário poder de sedução e nunca mais consegui me desvencilhar do feitiço que eles carregam. Mas, a passagem por um ginásio tradicional ou o desvio para uma escola técnica provavelmente me fariam perder anos de ensino excepcional e me retirariam a motivação para perseguir o que sempre gostei de fazer: ler (todo tipo de leitura), escrever (sempre), pesquisar e, se possível, publicar os meus textos. Com o Vocacional, eu fiz tudo isso; sem ele, eu teria tido menos chances, se alguma, de avançar nos meus objetivos.

O que o Vocacional tinha de diferente?
Antes de tudo, uma educação humanista, no sentido mais renascentista do termo. Em segundo lugar, professores especialmente preparados e motivados para essa experiência inédita no Brasil, uma metodologia radicalmente inovadora de ensino, envolvendo os estudantes e os professores num aprendizado integral. Em terceiro (e mais importante) lugar, concepções pedagógicas revolucionárias quanto ao relacionamento entre mestres e alunos.
Passávamos todo o dia no ginásio, às vezes mais do que isso, com as freqüentes visitas e saídas em trabalho de grupo, no município, no estado, no Brasil. Tivemos visitas recíprocas entre os ginásios vocacionais de São Paulo, aliás, os únicos do Brasil, e aprendemos a fazer pesquisa sobre a comunidade, sobre o meio geográfico, sobre as historias respectivas. Foi no Vocacional que eu comecei a manipular “instrumentos de adultos”, como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e outras ferramentas especializadas. Foi o Vocacional que nos levou, garotos de 13 ou 14 anos, ao encontro de professores da USP, como Sérgio Buarque de Holanda, Ulpiano Bezerra de Menezes e vários outros. No Vocacional adquiri consciência do mundo: lembro-me perfeitamente de uma palestra com Oliveiros da Silva Ferreira, quem primeiro informou-me sobre a crise dos foguetes em Cuba e o bailado sinuoso da geopolítica bipolar e do equilíbrio do terror pelas armas nucleares das duas super-potências.
Foi a partir do Vocacional que adquiri independência e disposição para me aventurar sozinho pelo mundo, quando a ocasião se apresentou ou quando a necessidade se impôs. O Vocacional completou a “minha formação” de uma maneira que nenhuma outra instituição poderia ter feito, nem jamais conseguiu fazer novamente, depois do desmantelamento do sistema vocacional no seguimento do Ato Institucional n. 5 e a prisão de sua grande promotora, inspiradora e diretora, Maria Nilde Mascellani. Eu também fiquei diferente no Vocacional. Do garoto brincalhão, mas introspectivo e leitor compulsivo, tornei-me um adolescente desinibido, participante e continuei um leitor compulsivo. O Vocacional manteve isso...
Não posso dizer que eu tenha me aborrecido um só dia no Vocacional, ao contrário: todos os dias tínhamos algo novo no ginásio, uma atividade diferente, uma nova parte do programa, o calendário a ser seguido, mas sempre com alguma surpresa no caminho. Fiz excelentes amigos no Vocacional, que conservo até hoje, a despeito mesmo de ter “desaparecido” do Brasil um pouco depois de terminar o colegial e de ter ingressado na Faculdade, e de ter desaparecido no mundo por muitas décadas depois disso. Não vou mencionar meus amigos mais chegados, para não cometer injustiça com ninguém, mas lembro-me de ter iniciado a redação de um romance de aventuras para jovens – do mesmo tipo dos que eu lia naquela fase – com dois deles, que permanecem meus amigos até hoje.
Lembro-me também de muitas aulas, em especial daquelas que mais me prendiam pelo seu conteúdo, já totalmente identificado com minhas afinidades eletivas por toda a vida: eram duas, as de geografia com Dona Odila, as de História com a Professor Terezinha. Em contrapartida, as aulas de Matemática, com a Professor Lucila Bechara, irmã de Olga, sempre me deixaram inconfortável, e até hoje mantenho uma distância respeitosa da matéria (o que não deixo de lamentar, pois a matemática é a base de todo pensamento rigoroso, em especial na economia). As aulas de Educação Física podiam ser agradáveis quando se tratava de jogar handball, com o Professor Frank, mas a ginástica nunca me encantou muito. Mas, tínhamos aulas de tudo o que se podia imaginar numa escola “normal” e muitas outras coisas mais: Artes Plásticas, Artes Industriais, Musica, Economia Doméstica e outras ainda de que nem me lembro. Um depoimento decente de alguém lembrará isso por mim.

Permaneci no GEVOA de 1962 a 1965, anos bastante conturbados no Brasil, quando tomei conhecimento, e consciência, dos problemas do país de uma forma provavelmente menos maniqueísta do que em outras instituições. Creio que sai algo “esquerdista” de lá, como aliás correspondia à juventude progressista de então, no meu caso propensão ainda reforçada pelo fato de minhas origens ditas ‘populares’ e supostamente inclinada a contestar um sistema injusto, feito de exploração capitalista e de dominação imperialista, que convinha acabar, segundo um modelo não muito diferente do que vigia em Cuba.
Quando segui para o “clássico”, no Colégio Estadual Ministro Costa Manso, bem mais próximo de casa do que o Vocacional, comecei imediatamente a participar das passeatas e manifestações contra a ditadura militar e o imperialismo estrangeiro, uma transição quase natural para quem tinha sido educado num ambiente de diálogo e até de contestação às idéias estabelecidas. Também comecei a ler toda a literatura engajada que fazia parte dos currículos oficial e não oficial das faculdades de ciências sociais, autores dos quais eu já tinha ouvido falar no Vocacional, alguns até presentes em minha biblioteca pessoal, que começava então a crescer. Nesses anos, de 1966 a 1968, estudando a noite e trabalhando de dia no centro da cidade, eu freqüentava as bibliotecas Mario de Andrade, municipal, a universitária da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a corporativa do Centro das Indústrias de São Paulo, e as bibliotecas americanas da USIA, no Consulado americano da Avenida Paulista, e do Centro de Estudos Brasil-Estados Unidos (Cebeu), e poderia facilmente citar de memória muitos livros que retirei em cada uma dessas bibliotecas.
O Vocacional me tinha preparado para ler literatura de nível universitário numa idade muito precoce e, mais tarde, quando entrei para o curso de Ciências Sociais da USP, eu já conhecia, em grande medida, os autores compilados na bibliografia de referência, pelos menos os brasileiros. Eram os mesmos de que nos falavam os professores no ginásio e isso me foi especialmente gratificante no plano intelectual. Não creio que qualquer outra escola, pública ou particular do ciclo ginasial, teria permitido a um jovem como eu, vindo de uma família que praticamente não dispunha de livros em casa, um contato tão intenso com os mestres das ciências sociais brasileiras, em especial com os gurus da chamada Escola Paulista de Sociologia.

Eu sinceramente lamento que muitos dos papeis acumulados nesses anos de estudos secundários tenham sido perdidos quando de minha partida apressada para a Europa, nos tempos mais duros da ditadura militar no Brasil, da qual eu fui um dos muitos opositores frustrados com nossa incapacidade organizacional em derrubá-la. Provavelmente foi melhor assim, pois já nessa época, nossa adesão ao socialismo e oposição à “democracia burguesa” não prenunciava nada de bom para o futuro do Brasil (mas isso eu só vim a constatar alguns anos mais tarde).
Lamento também que muitos dos escritos dessa fase juvenil tenham sido perdidos, quando foi no Vocacional que “publiquei” meus primeiros artigos. Felizmente, uma reunião de vários colegas dessas primeira turma, em 2004, me permitiu recuperar uma poesia ingênua, dessa fase – não exatamente publicada, apenas redigida no “caderno de lembranças” de uma colega de classe –, e dois textos minúsculos que saíram no jornalzinho dos alunos, um deles comemorando a vitória das ‘meninas’ do handball contra uma equipe adversária de outro ginásio da região. Talvez não seja o caso de refazer minha lista de publicados, para retroceder vários anos na recuperação desses textos de jornalista amador, mas certamente é um motivo de orgulho ter podido encontrar um espaço totalmente livre, no Vocacional, para realizar os primeiros exercícios de um talento que imagino ter conservado até hoje: a capacidade de observar a realidade, redigir algo compreensível em torno disso e ver o texto publicado e divulgado para um público mais amplo.
Enfim, o Vocacional foi uma escola de verdade, uma escola completa, no mais puro sentido dessa palavra; ao ginásio devo alguns dos momentos mais felizes de minha vida, um oásis de inteligência e cordialidade, num ambiente de convivência totalmente aberta e sincera, num momento em que o Brasil descia na escala da convivência democrática. Foi uma das fontes de meu enriquecimento intelectual e a ele devo muito do que me tornei na vida adulta e do que sou ainda hoje.

Que diferença faz uma escola!
E a diferença foi o Vocacional...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 10 de janeiro de 2010.

3 comentários:

Phermarcia disse...

Paulo Roberto, um prazer imenso ler o seu artigo!Estudei no Vocacional de 1967 a 1971, exatamente na transição entre o que foi e o que veio a ser.Compartilho de suas convicções, eu que também venho de uma família de classe média baixa, quando conseguia atingir esse patamar...Convido-o a ler em meu blog o artigo "Vocacional:uma escola que deu certo".A ironia no título é intencional, pois o "deu certo" se refere à intensidade com que essa vivência de poucos anos teve reflexos marcantes e decisivos na vida de cada um de nós. Obrigada, Márcia Fernandes.
www.palavrademusico.blogspot.com

k_lepsch disse...

Olá Paulo Roberto!
Cheguei aqui através do site do GVive, onde o Lou pediu que escrevessemos nossos comentários sobre a possível volta do sistema Vocacional. Li alguns comentários, entre eles o seu e cá estou eu... Estudei no CEOA de 1971 a 1977 (ginásio e colégio - na época já era Colégio Estadual Oswaldo Aranha). Gostei muito do que escreveu tanto lá comoa aqui e pude de certo modo voltar ao passado, onde assim como você, brincava na rua com todas as crianças num bairro hoje de periferia, mas que hoje é considerado região nobre. Morava na Av. Nova Independência no Brooklin Novo - próximo à atual Av. dos Bandeirantes e que na época era um córrego, assim como a atual Av. Luis Carlos Berrini, Jornalista Roberto Marinho e Vicente Rao. Lembro-me que ia brincar a beira do Rio Pinheiros, quando estávam colocando as guias e preparando o saneamento através de cubos enormes que ficavam sobre as ruas de terra antes de serem asfaltadas. Brincávamos de esconde esconde ou de pular de um cubo ao outro, como também fazíamos deles nossa casinha na bricadeira de bonecas. Adorava jogar queimada na frente de casa ou no terreno baldio ao lado. ERa bom demais! Pena que hoje as crianças não têem a oportunidade da infância verdadeira (na minha opinião) que tivemos o enorme prazer de poder usufruir. Empinar pipa, jogar bolinha de gude e tantas outras brincadeiras maravilhosas e divertidas. Mais tarde (lá pelos anos de 1975) a brincadeira era abraço, beijo ou aperto de mão, onde na nossa inocência, começávamos a despertar para o interesse pelo sexo oposto e ansiosos para sermos correspondidos pelos(as) nossos(as) pretendentes (paquerinha). Nossa tanta coisa para recordar... Acabei escrevendo minhas lembranças e distanciei do assunto principal que foi estudar na Grande Escola Vocacional. Me sinto privilegiada por ter tido esse privilégio. Apesar de na minha época não ser mais totalmente período integral, nos transbordou de conhecimento, cultura, experiências, práticas, aprendizado especializado em tantas áeras, tais como: Práticas Comerciais (aprendíamos datilografia); Economia Doméstica (culinária, jardinagem, costura, primeiros socorros, etc...); Educação Indústrial (elétrica, hidráulica, marcenaria desde a planta até a execução - hoje sei fazer vários consertos); Artes Plásticas (cerâmica com uso de torno, xilogravura, esculturas em geral, pintura, etc...); Educação Musical (aprendíamos a tocar flauta doce, coral, ler as notas musicais, hinos e tantas outras coisas legais); Laboratório de Química, Desenho Geométrico e Biologia. Não deveria existir a pergunta: Você acha de deveria voltar o ensino Vocacional? Deveríamos poder dizer de boca cheia: que bom que meus filhos podem ter o mesmo tipo de ensino e educação que eu!!! Infelizmente hoje pura ilusão... Essa história tem que acabar, tem que mudar e se não fizermos pelo menos um pouco cada um a sua parte, o caus existente hoje, a despreparação para educar e aprender, chegará onde? E pensar que esse é apenas um assunto dee todos que devem ser mudados, cuidados, melhorados, elaborados, implantados... Nossos netos terão um mundo melhor?

k_lepsch disse...

Olá Paulo Roberto!
Cheguei aqui através do site do GVive, onde o Lou pediu que escrevêssemos nossos comentários sobre a possível volta do sistema Vocacional. Li alguns comentários, entre eles o seu e cá estou eu... Estudei no CEOA de 1971 a 1977 (ginásio e colégio - na época já era Colégio Estadual Oswaldo Aranha). Gostei muito do que escreveu tanto lá como aqui e pude de certo modo voltar ao passado, onde assim como você, brincava na rua com todas as crianças num bairro hoje de periferia, mas que hoje é considerada região nobre. Morava na Av. Nova Independência no Brooklin Novo - próximo à atual Av. dos Bandeirantes e que na época era um córrego, assim como a atual Av. Luis Carlos Berrini, Jornalista Roberto Marinho e Vicente Rao. Lembro-me que ia brincar a beira do Rio Pinheiros, quando estavam colocando as guias e preparando o saneamento através de cubos enormes que ficavam sobre as ruas de terra antes de serem asfaltadas. Brincávamos de esconde-esconde ou de pular de um cubo ao outro, como também fazíamos deles nossa casinha na brincadeira de bonecas. Adorava jogar queimada na frente de casa ou no terreno baldio ao lado. Era bom demais! Pena que hoje as crianças não têm a oportunidade da infância verdadeira (na minha opinião) que tivemos o enorme prazer de poder usufruir. Empinar pipa, jogar bolinha de gude e tantas outras brincadeiras maravilhosas e divertidas. Mais tarde (lá pelos anos de 1975) a brincadeira era abraço, beijo ou aperto de mão, onde na nossa inocência, começávamos a despertar para o interesse pelo sexo oposto e ansiosos para sermos correspondidos pelos(as) nossos(as) pretendentes (paquerinha). Nossa tanta coisa para recordar... Acabei escrevendo minhas lembranças e distanciei do assunto principal que foi estudar na Grande Escola Vocacional. Sinto-me privilegiada por ter tido esse privilégio. Apesar de na minha época não ser mais totalmente período integral, nos transbordou de conhecimento, cultura, experiências, práticas, aprendizado especializado em tantas áreas, tais como: Práticas Comerciais (aprendíamos datilografia); Economia Doméstica (culinária, jardinagem, costura, primeiros socorros, etc...); Educação Industrial (elétrica, hidráulica, marcenaria desde a planta até a execução - hoje sei fazer vários consertos); Artes Plásticas (cerâmica com uso de torno, xilogravura, esculturas em geral, pintura, etc...); Educação Musical (aprendíamos a tocar flauta doce, coral, ler as notas musicais, hinos e tantas outras coisas legais); Laboratório de Química, Desenho Geométrico e Biologia. Não deveria existir a pergunta: Você acha de deveria voltar o ensino Vocacional? Deveríamos poder dizer de boca cheia: que bom que meus filhos podem ter o mesmo tipo de ensino e educação que eu!!! Infelizmente hoje pura ilusão... Essa história tem que acabar, tem que mudar e se não fizermos pelo menos um pouco cada um a sua parte, o caus existente hoje, a despreparação para educar e aprender chegará onde? E pensar que esse é apenas um assunto de todos que devem ser mudados, cuidados, melhorados, elaborados, implantados... Nossos netos terão um mundo melhor?