<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140</id><updated>2011-11-27T14:09:14.337-02:00</updated><category term='interrogações'/><category term='inutilidades burocraticas'/><category term='inusitado'/><category term='Memorias'/><category term='anonimato'/><category term='desencontros'/><category term='lista'/><category term='subserviência'/><category term='minitratados'/><category term='ausencia'/><category term='dedicatórias'/><category term='divertissement'/><category term='entrelinhas'/><category term='sonhos'/><category term='Ginasio Vocacional Oswaldo Aranha'/><category term='sentimentos'/><category term='minitratado'/><category term='Paulo Roberto de Almeida'/><category term='imaginação'/><category term='corporacoes de oficio'/><category term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category term='Carlos Drummond de Andrade'/><category term='volta ao mundo'/><category term='PRA'/><title type='text'>DiplomataZ</title><subtitle type='html'>Não se trata de um herói, apenas de uma pessoa diferente.
Gosto de idéias incomuns, que fogem do convencional.
Acho também que o debate fica mais rico e diverso com pensamentos e posições inovadoras, propensas a desafiar o ritmo normal das atividades, a sacudir a placidez modorrenta das burocracias. Veja um pouco mais do que penso em meus blogs e site: www.pralmeida.com</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>47</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-1682949271093575066</id><published>2011-11-18T23:08:00.001-02:00</published><updated>2011-11-18T23:08:50.070-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dedicatórias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minitratado das Dedicatórias - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 14pt;"&gt;Minitratado das Dedicatórias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Sempre me intrigaram as dedicatórias, especialmente as estranhas (e, reparem bem, existem as mais bizarras). Afinal de contas, para um leitor inveterado como eu, impossível não tropeçar com elas bem no começo de um livro qualquer. Os bons autores, maridos dedicados, pais extremosos, amantes amantíssimos, nunca deixam de honrar seus amados, oferecendo-lhes a obra que você tem nas mãos, com palavras obsequiosas, atenciosas, gentis. Normal tudo isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Mas, depois de “enésima” tese ou dissertação acadêmica com que sou confrontado, em leitura primeiro, em banca depois, sou obrigado a me render a esta simples evidência: as dedicatórias são uma forma de arte como poucas outras, merecendo por isso mesmo o que aqui vai agora exposto: um minitratado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;De fato, eu há muito já vinha intrigado com esse tipo de exercício intelectual – desde os menores, de poucas linhas, até os maiores, de uma página e meia –, quando fui despertado para a importância da matéria por um colega de banca, que se lembrava de outra tese de doutorado, em Paris, na qual seu autor, jurista que depois ficou famoso, dedicou seu calhamaço à sua amada, de uma forma que ficou famosa antes dele conquistar respeito e apreço dos seus pares. De fato, o candidato em questão dedicava, o mais seriamente possível, sua tese a Marie Josephine (o nome eu escolho, para resguardar a privacidade dos personagens), “em memória do que aconteceu na tarde do dia 18 de junho de 19.., no jardim das bétulas...” e por aí seguia em mais duas ou três linhas de uma exemplar discrição amorosa. Mais do que a dedicatória em si, o que certamente intrigou os leitores foi tentar descobrir a natureza daquilo que tinha realmente acontecido naquela tarde de um final de primavera, no jardim das bétulas, entre o muito sério autor de um tratado de direito internacional e sua doce Marie Josephine. A imaginação não deixa de deslizar sobre o ocorrido naquelas poucas horas em lugar tão romântico e convidativo:&amp;nbsp;&lt;i&gt;c’est tout un programme&lt;/i&gt;, como diriam os franceses.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Bem, deixemos por enquanto os amantes franceses de lado para nos dedicar, de modo integral e completo, à arte das dedicatórias, no que elas merecem de atenção, de seriedade e de relevância acadêmica, justificando, quem sabe até?, uma tese de doutoramento, ou pelo menos uma dissertação de mestrado. Concordo. As dedicatórias são suficientemente reveladoras do espírito do autor, de suas condições de trabalho acadêmico, de suas influências intelectuais, para merecer um estudo à parte, um que interrompa a leitura de livros e cartapácios universitários logo nas primeiras páginas, desprezando todo o resto, apenas para ficar nas doces palavras com as quais o autor da obra em questão homenageia deuses, santos, padrinhos e amigos, chegando até ao sogro e à sogra (imaginem vocês!), não poupando nem mesmo o cachorro ou o papagaio. Candidatos à autoria de teses bizarras, apresentai-vos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Os livros universitários americanos comportam poucas dedicatórias exclusivas; no máximo, uma frase de algum famoso escritor ou cientista, colocada em destaque, como reveladora do espírito que animou o autor a se lançar em sua empreitada intelectual. A dedicatória, mesmo, vem geralmente nas últimas linhas de apresentação, nas quais o autor invariavelmente agradece ao cônjuge a compreensão e o carinho demonstrados por tanta dedicação ao seu trabalho durante tantas horas roubadas ao convívio pessoal e familiar, acrescentando, se for o caso, dois ou três filhos no seguimento. Discretos esses americanos...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Mais exuberantes são os brasileiros, tanto mais quanto eles não têm ainda uma obra consagrada, e talvez nenhum título digno de&amp;nbsp;&lt;i&gt;Citation Index&lt;/i&gt;&amp;nbsp;a oferecer ao distinto leitor. Já reparei que quanto mais elementar é o trabalho em questão – ou seja, partindo de um simples TCC, ou monografia de final de curso, até a tese doutoral completa, passando por diversos tipos de dissertações – mais empolada e grandiosa se apresenta a dedicatória, construída para agradecer a todos os que colaboraram com o formidável produto que agora se apresenta aos olhos do público.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Algumas dedicatórias são sóbrias,&amp;nbsp;&lt;i&gt;comme il faut&lt;/i&gt;, fazendo poucas concessões a uma arte tão rica de variações estilísticas e floreios de expressão. Mas as melhores são aquelas que não esquecem absolutamente ninguém na sua sanha abrangente e totalizadora, digna de uma&amp;nbsp;&lt;i&gt;Gesamtkunstwerk&lt;/i&gt;, quase uma obra de arte total, como indica o conceito alemão. Elas geralmente começam por Deus, pelo dom da vida, pela felicidade da existência, pela inspiração concedida e por todas as graças alcançadas, e por aí vai. Deus realmente é único e indivisível, pois ele aparece em parágrafo próprio, com o destaque das primeiras linhas, onipotente, sem dividir a frase com nenhum outro personagem das mitologias, sejam elas quais forem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Depois da invocação divina, o professor orientador é o primeiro personagem obrigatório nessas dedicatórias universitárias, mesmo quando – e sobretudo quando – ele não cumpriu com seus deveres de orientador e deixou passar vários equívocos de substância e erros de forma que depois são detectados por membros menos complacentes da banca (como eu próprio, por exemplo). Em todo caso, o orientador é aquele que mostrou novos rumos, guiou de mão segura o aluno aprendiz pelos tortuosos caminhos da verdadeira ciência, aplicou com toda sapiência os mais rigorosos padrões da pesquisa acadêmica para que o resultado fosse o melhor possível, aquele mesmo que se abre agora aos nossos olhos, eventualmente de arquitetura estropiada em sua forma, conteúdo beirando o aceitável e correção estilística merecendo um revisor bem remunerado. Mas, enfim, orientador é orientador, e cabe-lhe, portanto, as honras e a glória do TCC, da dissertação, da tese tão penosamente construída e finalmente terminada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Podem vir, em seguida, os demais professores, a instituição, a bibliotecária ou secretária do departamento, enfim, todo o mundinho funcional que circulou em volta do trabalho até que ele viesse a termo. São as honras da casa que é preciso respeitar. Mas esse parágrafo é curto, comparado ao que vem depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Sim, depois desses parágrafos protocolares é que aparecem as verdadeiras dedicatórias, aquelas que justificariam uma tese inteira sobre as dedicatórias, essas joias da literatura acadêmica que não mereciam ficar relegadas a páginas introdutórias, pelas quais se passa rápido e sem prestar muita atenção, direto para a consulta do índice e o início da leitura na introdução a obra tão dedicada, justamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Nesse setor, a imaginação é o limite, mas o carinho e os agradecimentos costumam estar em primeiro lugar para os pais – se o candidato ainda é jovem – ou para o companheiro, cônjuge, noivo ou namorado, dependendo do status matrimonial, ou pré, do autor em questão. Não são ainda muito comuns as dedicatórias homo-afetivas, mas elas sem dúvida não tardarão, consoante o&amp;nbsp;&lt;i&gt;Zeitgeist&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e o avanço dos costumes. Também entram aqui irmãos, primos, amigos, companheiros de quarto ou de República, colegas de curso (e das horas de infortúnio), enfim, todos aqueles que, da bibliotecária dedicada ao pipoqueiro da esquina, colaboraram, de uma forma ou de outra, para o sucesso do empreendimento e a conclusão da corveia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Não são incomuns, tampouco, as citações de terceiros, encimando ou terminando essa página (por vezes página e meia) de dedicatórias: frases cultas, pretensamente inteligentes, invocando alguma nobre missão ou contendo alguma pérola da sabedoria universal; versos poéticos, tiradas filosóficas, mais raramente um hai-kai ou slogan mobilizador. Os marxistas não deixam de destacar alguma frase do&amp;nbsp;&lt;i&gt;18 Brumário&lt;/i&gt;; os neoliberais podem vir com uma resposta hayekiana; os anarquistas aproveitam para relembrar que, a despeito de tudo, permanecem irredutivelmente rebeldes,&amp;nbsp;&lt;i&gt;sans Dieu ni maître&lt;/i&gt;; e os sonhadores, ou os muito religiosos, transcrevem uma esperança qualquer. Nunca é tarde, ou cedo, para proclamar em altos brados suas preferências intelectuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;As dedicatórias são, enfim, o equivalente dos diários íntimos, atualmente tão fora de moda, substituídos, talvez, pelos blogs e outras ferramentas de comunicação social. Elas merecem toda a nossa atenção e espírito investigativo. Vale uma pesquisa mais extensa, para o que pretendo empreender uma garimpagem na coleção de trabalhos acadêmicos depositados em duas ou três instituições universitárias ao meu alcance. Aposto que vou encontrar verdadeiras pérolas, dignas de transcrição entre aspas (preservando-se, é claro, os autores), exemplos de imaginação criadora e espírito literário. Prometo voltar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Por enquanto, dedico este minitratado a todos os autores sequiosos de colocar em ordem suas respectivas dedicatórias e declarando-me disposto a receber, como contribuição a meu trabalho de pesquisa, todos os exemplos bizarros e mais interessantes que meus leitores possam encontrar em suas andanças acadêmicas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-align: right; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: 24px; text-align: right; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12pt;"&gt;(Brasília, 15/11/2011; rev.: 18/11/2011)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-1682949271093575066?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/1682949271093575066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=1682949271093575066&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1682949271093575066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1682949271093575066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/minitratado-das-dedicatorias-paulo.html' title='Minitratado das Dedicatórias - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-8433967193837523296</id><published>2011-11-06T18:38:00.001-02:00</published><updated>2011-11-27T14:09:14.349-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minitratados: atualizando a lista (e outros a caminho)</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Atualizo aqui a lista serial dos minitratados, agregada de mais alguns em relação à lista publicada meses atrás (mais precisamente em Abril de 2011), sendo que tenho dois ou três no pipeline...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;h3 class="post-title entry-title" style="background-color: #fff9ee; color: #222222; font: normal normal bold 18px/normal Georgia, Utopia, 'Palatino Linotype', Palatino, serif; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0.75em; position: relative;"&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: center; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=37542140" name="OLE_LINK17"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=37542140" name="OLE_LINK16"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;MINITRATADOS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: center; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Relação cronológica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: justify; text-indent: -21.3pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: right; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Atualizada em 5 de Novembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;Série dos minitratados (até novembro de 2011)&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;1&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/01/1659-mini-tratado-das-reticencias.html"&gt;Minitratadodas reticências&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;28/11/2004)&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Poucagente dotada de uma certa familiaridade com a palavra escrita consegue atribuirreal importância às reticências, inclusive este cidadão que aqui escreve. Querofalar das reticências stricto sensu, isto é, os famosos três pontinhos ao finalde alguma frase ou expressão... (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;1360. “Mini-tratado dasreticências (em defesa de uma inutilidade necessária…)”, Brasília, 28 nov.2004, 5 p. Argumentos em favor do uso das reticências nas situações de vida.Colocado no Blog Paulo Roberto de Almeida; link: &lt;a href="http://paulomre.blogspot.com/2005/12/65-possvel-viver-sem-reticncias.html"&gt;http://paulomre.blogspot.com/2005/12/65-possvel-viver-sem-reticncias.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent2" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;2&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html"&gt;Minitratadodas entrelinhas&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;22/01/2009&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Tratados,em geral, costumam ser solenes, como convém aos grandes textos declaratórios,escritos em tom impessoal e devendo refletir alguma realidade objetiva, umarelação entre Estados...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Minitratados,por suposição, deveriam ser versões reduzidas de seus irmãos maiores (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;1978. “Minitratadodas entrelinhas”, Brasília, 22 janeiro 2009, 3 p. Continuidade do exercícioanterior sobre as reticências (1360), sob a forma de nova digressão sobre ateoria dos sentimentos morais. Postado no blog &lt;i&gt;Diplomata Z;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;link: &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html#links"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html#links&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;3&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html"&gt;Minitratadodas interrogações&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;8/03/2009&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Interrogantessão inerentes à espécie humana, e talvez mesmo a certos primatas. Determinadasescolhas, ou caminhos, nos levam a uma situação de melhor conforto material oude maior segurança pessoal, sem que, no entanto, saibamos, ou tenhamos certeza,ao início, que aquela opção selecionada é, de fato, a de melhor retorno oubenefício possível. Dúvidas, questionamentos, angústias, em face daspossibilidades abertas em nossa existência, são inevitáveis em todas as etapase circunstâncias da vida. Daí a interrogação, normalmente simbolizada pelosinal sinuoso que colocamos ao final de certas frases: ? (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;1988. “Minitratadodas interrogações (você tem alguma dúvida a este respeito?)”, Brasília, 8 demarço de 2009, 7 p. Continuidade da série dos minitratados, abordando a buscaincessante de respostas em face das incertezas da vida. Postado no blog &lt;i&gt;DiplomataZ;&lt;/i&gt; &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html#links"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html#links&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;4&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1781-brevissimo-tratado-da.html"&gt;Brevíssimotratado da subserviência&lt;/a&gt; (12/03/2010)&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;O subserviente éaquele que se dobra às conveniências de uma autoridade superior, mesmo quandoessa autoridade atua manifestamente em detrimento de seus próprios interessespessoais; o subserviente prefere submeter-se às inconveniências cometidas poraquela autoridade, e o faz de livre e espontânea vontade, ainda que de modovergonhoso, a ter de corrigir, mesmo gentilmente, essa mesma autoridade. Osubserviente, que também pode ser considerado um sabujo, no sentido estrito,não hesita em desmentir-se, &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;,negar declarações suas, previamente tornadas públicas, ou em afastar-se deposições anteriormente assumidas, ou defendidas historicamente, apenas para seconformar à vontade, muitas vezes irracional e inexplicável, dessa mesmaautoridade superior. Obviamente, ele não seria subserviente sem essa degradaçãomoral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2122. “Brevíssimotratado da subserviência”, Shanghai, 12 março 2010, 2 p. Um raro escritodedicado a terceiros; homenagem a um personagem por demais presente nos últimostempos, em várias circunstâncias. Postado no blog &lt;i&gt;Diplomatizzando&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1781-brevissimo-tratado-da.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1781-brevissimo-tratado-da.html&lt;/a&gt;).Reproduzido no blog &lt;i&gt;Coisas Internacionais&lt;/i&gt;(“Ler, Refletir e Pensar” 13.03.2010; Mario Machado; link: &lt;a href="http://www.coisasinternacionais.com/2010/03/ler-refletir-e-pensar_13.html"&gt;http://www.coisasinternacionais.com/2010/03/ler-refletir-e-pensar_13.html&lt;/a&gt;).Blog &lt;i&gt;DiplomataZ,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;5/11/2011; link: &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/brevissimo-tratado-da-subserviencia.html"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/brevissimo-tratado-da-subserviencia.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;5&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1886-minusculo-tratado-sobre-o.html"&gt;MinúsculoTratado sobre o Anonimato&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;19/03/2010&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;Há muito tempopretendia escrever um minitratado sobre o anonimato, mais uma peça de relativainutilidade substantiva, apenas para me distrair e para fazer companhia a meusoutros minitratados (um primeiro sobre as reticências, outro sobre asentrelinhas, um terceiro sobre as interrogações, e um adicional, que aliás nãosei se já foi terminado, sobre as exclamações). Não se inquietem os curiosos,pois tenho vários outros no pipeline, ou pelo menos nos meus circuitos mentais,e a coleção deve ser enriquecida com algum besteirol gratificante, cuja únicafunção, pelo menos para mim, é servir a meu próprio&amp;nbsp;&lt;i&gt;divertissement&lt;/i&gt;&amp;nbsp;intelectual.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;2125. “&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;MinúsculoTratado sobre o Anonimato&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;”, Brasília, 19 março 2010, 3 p. Antecipando sobre umminitratado, um minúsculo, apenas introduzindo o tema. Blog &lt;i&gt;Diplomatizzando&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1886-minusculo-tratado-sobre-o.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1886-minusculo-tratado-sobre-o.html&lt;/a&gt;);&lt;i&gt;DiplomataZ,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;5/11/2011; link: &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/minusculo-tratado-do-anonimato-paulo.html"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/minusculo-tratado-do-anonimato-paulo.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;6&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html"&gt;Minitratadoda imaginação&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;12/02/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Aimaginação não é um simples sentido natural, e sim um ato da vontade, emboranão possamos impedir nossa própria consciência de imaginar “coisas”. Mas essascoisas imaginadas são instruídas, orientadas, criadas e administradas por nós,como se fossemos um diretor de cinema ou de teatro, quando eles dizem aosatores como o script deve ser realmente lido e interpretado. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2245.“Minitratado da imaginação”, Brasília, 12 fevereiro 2011, 4 p. Deixando aimaginação correr solta, sonhando acordado. &lt;i&gt;Diplomatizzando,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;link: &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;7&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html"&gt;Minitratadoda reencarnação&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;28/02/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Não,não quero falar da reencarnação "real", aquela na qual acreditampiamente hindus e tibetanos, pelo menos os religiosos, nisso seguindo, ao queparece, os antigos egípcios, que já não estão mais entre nós para contar como asua, supostamente rica, experiência nessa matéria. Os primeiros são radicais,capazes até de interromper a construção de um templo por uma minhoca queapareceu no canteiro de obras; afinal, nunca se sabe: pode ser a mãe de alguém.Enfim, se os egípcios ainda nos assustam com múmias de Hollywood, os outrosnunca provaram o que afirmam. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2250.“Minitratado da reencarnação”, Brasília, 28 Fevereiro 2011, 4 p. Brincadeirasem torno de um itinerário não muito diferente do que o seguido até aqui.Postado no blog &lt;i&gt;Diplomatizzando,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;link: &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html&lt;/a&gt;;&amp;nbsp;Blog &lt;i&gt;DiplomataZ:&lt;/i&gt; &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; tab-stops: 227.35pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;8&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/03/minitratado-das-improbabilidades.html"&gt;Minitratadodas Improbabilidades&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;16-17/03/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Umaimprobabilidade é algo que, como o conceito indica, não corre nenhum risco deacontecer; constitui, assim, um não-evento, uma impossibilidade prática. Poucaspessoas, salvo as muito sonhadoras, ficam atrás, ou se colocam em busca, decoisas impossíveis, ou seja, de improbabilidades. Aqueles que o fazem, deverdade, ou sinceramente, costumam ser chamados de utopistas, ou talvez até,dependendo da natureza de seus sonhos, de românticos incuráveis. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2257.“Minitratado das improbabilidades”, Em vôo, São Paulo-Chicago, 16-17/03/2011, 4páginas. Continuidade da série. Postado no blog &lt;i&gt;Diplomatizzando,&lt;/i&gt; &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/03/minitratado-das-improbabilidades.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/03/minitratado-das-improbabilidades.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;9&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html"&gt;Minitratadodos desencontros&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;2/04/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;O queé um desencontro? Dito simplesmente, é uma defasagem, no tempo ou no espaço,entre dois corpos, cada um seguindo vias próprias e diferenciadas, sem qualquerpossibilidade de cruzamento. Para fins deste minitratado, no entanto, odesencontro é um descompasso entre dois sentimentos, um pretendendo resposta ereação, o outro permanecendo desatento ou distraído, o que pressupõe algumainstância de reciprocidade ou linha de cruzamento, mesmo virtual. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2261.“Minitratado dos desencontros”, Curitiba-Brasília, 2 de abril de 2011, 2 p. Continuidade da série, com consideraçõessobre essas situações de frustração. Blog &lt;i&gt;DiplomataZ,&lt;/i&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e &lt;i&gt;Diplomatizzando:&lt;/i&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;10&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html"&gt;Minitratadodos reencontros&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;14/04/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Oreencontro pode ser considerado a inflexão da curva de dispersão, ou da linhade divergência, que tinha sido formada, ou que existia, por ocasião dodesencontro. Com efeito, o reencontro só se justifica, na maior parte doscasos, após um desencontro ter acontecido, salvo se a separação anterior foiuma obra do acaso, uma contingência inesperada, um acidente de percurso ou sejalá qual fator acidental. (...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2262.“Minitratado dos reencontros”, Brasília,14 de abril de 2011, 3 p. Continuidade da série, com considerações sobre essassituações de esperança. Blog &lt;i&gt;DiplomataZ&lt;/i&gt;() e &lt;i&gt;Diplomatizzando:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html&lt;/a&gt;. Série completa publicada em formato delista no blog &lt;i&gt;Diplomatizzando:&lt;/i&gt; &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black;"&gt;11&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html"&gt;Minitratadodas corporações de ofício&lt;/a&gt; (&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;9/07/2011&lt;span style="color: black;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 21.3pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: black; font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Umamigo meu me escreve para dizer que está sendo perseguido por uma poderosacorporação de ofício; enviou-me seu protesto por escrito: “Sou Réu” (até meforneceu o número do processo). Bem, não vou poder ajudá-lo como eu (ou ele)gostaria, pois não tenho esse poder; aliás, nem sou advogado, o que por acasome lembra que eu tampouco pertenço, profissionalmente, a qualquer uma dessaspoderosas organizações dedicadas a preservar o seu monopólio profissional (e,adicionalmente, a achacar consumidores, como eu e você). Sou apenas da modestatribo dos sociólogos, não tão poderosa nem tão bem organizada quanto a dosadvogados, a dos engenheiros, a dos arquitetos, a dos médicos, a doseconomistas e as de muitas outras corporações dedicadas ao fechamento dosmercados, de forma a converter todos os demais cidadãos em seus obrigadosclientes (mais propriamente em servos indefesos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;2287. “Minitratadodas corporações de ofícios”, Brasília,9 de julho de 2011, 4 p. Continuidade da série, com considerações sobre essesmonopolistas de serviços essenciais. Blog &lt;i&gt;Diplomatizzando:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html&lt;/a&gt;); blog &lt;i&gt;DiplomataZ:&lt;/i&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;12&amp;nbsp;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Minitratado do Inusitado&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt; (14/08/2011)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;O que é o inusitado?Como diz o próprio conceito, trata-se de algo fora do normal, além do padrãocostumeiro das coisas, que só ocorre de forma imprevista, em momentos nãoesperados, como uma surpresa. Diz-se, assim, dos acontecimentos raros, ou mesmoinéditos, que rompem com o processo habitual dos fenômenos correntes, ou deeventos pouco frequentes, que literalmente “caem do céu”, qualquer que seja suaqualidade – boa ou má – e seu impacto circunstancial. Sendo inusitado, semprehaverá um impacto, temporário ou permanente em função de sua intensidade.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;2297. “Minitratadodo Inusitado”, Brasília, 14 agosto 2011, 3 p. Continuidade da série, comconsiderações sobre eventos inesperados em nossas vidas. Blogs &lt;i&gt;Diplomatizzando:&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;; &lt;i&gt;DiplomataZ:&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;13&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Minitratado das inutilidades burocráticas&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; (9/10/2011)&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-image: initial; background-origin: initial;"&gt;O que pode haver deinteressante em certas inutilidades burocráticas, tarefas das quais é precisose desempenhar mesmo sabendo que elas não servem para literalmente nada, apenaspara alimentar o próprio processo burocrático? O que poderia significar deprodutivo adentrar num roteiro kafkiano, no qual não se sabe sequer para queservem todos aqueles papéis que se movem de um lado a outro para, ao final, nãoproduzir sequer um grama de valor agregado na formação do PIB nacional?&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;2326. “Minitratadodas inutilidades burocráticas”, Brasília, 9 outubro 2011, 4 p. Continuidade dasérie, com uma perfeita inutilidade em forma de minitratado. Postado nos blogs &lt;i&gt;Diplomatizzando:&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&amp;nbsp;e no &lt;i&gt;DiplomataZ:&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;http://diplomataz.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small; font-weight: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Seguem&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Minitratado do contrarianismo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Minitratado dasrenúncias inevitáveis &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;Minitratado dadecadência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/h3&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Pensou num tema relevante? Indique...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-8433967193837523296?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/8433967193837523296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=8433967193837523296&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8433967193837523296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8433967193837523296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/minitratados-atualizando-lista-e-outros.html' title='Minitratados: atualizando a lista (e outros a caminho)'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-5945007658646805016</id><published>2011-11-06T17:39:00.004-02:00</published><updated>2011-11-06T17:40:01.295-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='subserviência'/><title type='text'>Brevíssimo Tratado da Subserviência - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Sempre acontece com pessoas sem caráter, por isso é preciso denunciar, não as pessoas, mas o tipo de atitude&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-align: left; text-indent: -21.3pt;"&gt;Paulo Roberto de Almeida (5/11/2011)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;2122. “Brevíssimotratado da subserviência”, Shanghai, 12 março 2010, 2 p. Um raro escritodedicado a terceiros; homenagem a um personagem por demais presente nos últimostempos, em várias circunstâncias. Postado no blog &lt;i&gt;Diplomatizzando&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1781-brevissimo-tratado-da.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1781-brevissimo-tratado-da.html&lt;/a&gt;).Reproduzido no blog &lt;i&gt;Coisas Internacionais&lt;/i&gt;(“Ler, Refletir e Pensar” 13.03.2010; Mario Machado; link: &lt;a href="http://www.coisasinternacionais.com/2010/03/ler-refletir-e-pensar_13.html"&gt;http://www.coisasinternacionais.com/2010/03/ler-refletir-e-pensar_13.html&lt;/a&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;o:DocumentProperties&gt;  &lt;o:Revision&gt;0&lt;/o:Revision&gt;  &lt;o:TotalTime&gt;0&lt;/o:TotalTime&gt;  &lt;o:Pages&gt;1&lt;/o:Pages&gt;  &lt;o:Words&gt;700&lt;/o:Words&gt;  &lt;o:Characters&gt;3830&lt;/o:Characters&gt;  &lt;o:Company&gt;www.pralmeida.org&lt;/o:Company&gt;  &lt;o:Lines&gt;87&lt;/o:Lines&gt;  &lt;o:Paragraphs&gt;33&lt;/o:Paragraphs&gt;  &lt;o:CharactersWithSpaces&gt;4497&lt;/o:CharactersWithSpaces&gt;  &lt;o:Version&gt;14.0&lt;/o:Version&gt; &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;o:OfficeDocumentSettings&gt;  &lt;o:AllowPNG/&gt; &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:TrackMoves/&gt;  &lt;w:TrackFormatting/&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt; 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/* Style Definitions */table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Table Normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin-top:0cm; mso-para-margin-right:0cm; mso-para-margin-bottom:10.0pt; mso-para-margin-left:0cm; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:Cambria; mso-ascii-font-family:Cambria; mso-ascii-theme-font:minor-latin; mso-hansi-font-family:Cambria; mso-hansi-theme-font:minor-latin;}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 14.0pt; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-size: 12.0pt; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;BrevíssimoTratado da Subserviência&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;PauloRoberto de Almeida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;(um raroescrito dedicado a terceiros)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Osubserviente é aquele que se dobra às conveniências de uma autoridade superior,mesmo quando essa autoridade atua manifestamente em detrimento de seus própriosinteresses pessoais; o subserviente prefere submeter-se às inconveniênciascometidas por aquela autoridade, e o faz de livre e espontânea vontade, aindaque de modo vergonhoso, a ter de corrigir, mesmo gentilmente, essa mesma autoridade.O subserviente, que também pode ser considerado um sabujo, no sentido estrito,não hesita em desmentir-se, &lt;i&gt;a posteriori&lt;/i&gt;,negar declarações suas, previamente tornadas públicas, ou em afastar-se deposições anteriormente assumidas, ou defendidas historicamente, apenas para seconformar à vontade, muitas vezes irracional e inexplicável, dessa mesmaautoridade superior. Obviamente, ele não seria subserviente sem essa degradaçãomoral.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Osubserviente profissional considera que sua própria sorte, sua sobrevivênciafuncional, assim como seu futuro destino estão indissoluvelmente ligados aograu de subserviência máximo que ele conseguir expressar em favor de suaautoridade oficial. Ele pertence, de corpo e alma, quando não de coração emente, a essa autoridade, à qual ele devota fidelidade canina e pela qual eleestá disposto a sacrificar seu conforto pessoal, sua coerência moral (se é quedispõe de alguma) e até sua ética profissional, quando não sua consciência maisíntima (se existir, claro) em favor do bem estar de sua autoridade, tudo issopor escolha própria, não por imposição daquela autoridade. Sua sabujicededicada é, assim, introjetada, a ponto que ele não mais distingue entre o quehumanamente aceitável, e socialmente respeitável, e o que é subserviência pura,sem qualquer hesitação ou exame de consciência. Ele não seria um subservienteperfeito sem essa diminuição intelectual (se o termo se aplica).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Osubserviente completo se antecipa, de certa forma, aos problemas que poderiamadvir de alguma frase mal posta de sua autoridade. Em consequência de uma circunstânciado gênero, ele constrói toda uma teoria justificadora das bobagens superiorescom base numa suposta má compreensão por parte dos ouvintes ou interlocutores,imputando aos demais as legítimas dúvidas que estes possam ter em relação àsinconveniências do chefe, o que o faz atribuir os equívocos de entendimento aospróprios questionadores. Um subserviente assim tão bem construído é algo raro,mas especialmente valorizado nas situações em que é preciso conter a autoridadenuma gaiola de ferro, compatível com a dimensão das bobagens produzidas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Não éfácil encontrar um subserviente perfeito. Existem muitos, claro, por propensãoinata de caráter, mas nem sempre eles são selecionados para servir diretamenteuma autoridade, embora alguns se esforcem bastante para conseguir uma taldistinção (se o termo se aplica). Geralmente, um subserviente é construído aospoucos, com a degradação gradual de caráter acompanhando os progressos dacarreira, até o ponto em que a subserviência se converte em segunda natureza,algo assim indistinguível das características originais, ou construídas, dopersonagem em questão. Essa promiscuidade entre o Dr. Jeckyll e Mister Hydepassa então a não mais ser considerada uma alternância de personalidades, masconstitui-se em algo sólido, um bloco unificado que acompanha o novo personagemem toda e qualquer situação de subserviência prática (e as oportunidades sãomuitas, posto que o subserviente existe sempre em função de uma autoridademedíocre, cuja quantidade, infelizmente, parece se multiplicar ao ritmo daerosão de qualidade das autoridades públicas).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Talvezexista algum manual da subserviência, assim como existem muitos “Idiot’s Guide”para qualquer coisa humanamente concebível, mas não foi possível encontraralgum disponível no mercado, com essa abrangência teórica e essas pretensõespráticas. Talvez algum subserviente despertado de sua letargia intelectualpossa vir a conceber algum, o que seria útil para todo e qualquer candidato à carreirade sabujo profissional. Não se espera que ele o subscreva em seu próprio nome,a menos que suas deficiências morais e sua total falta de caráter o autorizem acontinuar a defender as bobagens de “sua” autoridade, mesmo quando esta deixoude representar poder e prepotência. Afinal de contas, um bom subserviente temum currículo a defender, mesmo quando este não é o que parece, ou aquele que éproclamado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-theme-font: minor-bidi;"&gt;Shanghai,12.03.2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 21.3pt; text-indent: -21.3pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-5945007658646805016?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/5945007658646805016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=5945007658646805016&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/5945007658646805016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/5945007658646805016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/brevissimo-tratado-da-subserviencia.html' title='Brevíssimo Tratado da Subserviência - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-847884791572206893</id><published>2011-11-06T17:24:00.001-02:00</published><updated>2011-11-06T17:24:47.562-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='anonimato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minusculo tratado do Anonimato - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um texto (de&amp;nbsp;19 de março de 2010) que deveria servir para compor um minitratado, mas que ficou parado, aguardando composição, o que, numa vida atribulada por tantos trabalhos no pipeline, pode demorar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Em todo caso, nunca tinha sido postado aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: large; font-weight: bold;"&gt;Minúsculo Tratado sobre o Anonimato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Há muito tempo pretendia escrever um minitratado sobre o anonimato, mais uma peça de relativa inutilidade substantiva, apenas para me distrair e para fazer companhia a meus outros minitratados (um primeiro sobre as reticências, outro sobre as entrelinhas, um terceiro sobre as interrogações, e um adicional, que aliás não sei se já foi terminado, sobre as exclamações). Não se inquietem os curiosos, pois tenho vários outros no pipeline, ou pelo menos nos meus circuitos mentais, e a coleção deve ser enriquecida com algum besteirol gratificante, cuja única função, pelo menos para mim, é servir a meu próprio&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;divertissement&lt;/span&gt;&amp;nbsp;intelectual.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Raramente escrevo textos para contentar ou servir alguém, e jamais escrevo algo com o qual não estou de acordo, o que não quer dizer que eu também não possa me divertir com essas pequenas distrações de um cotidiano mais sério. Sempre me divirto fazendo esse tipo de coisa, pois tudo é motivo para uma digressão a mais na extensa cadeia das minhas escrevinhações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Pois o minitratado pretendido sobre o anonimato se deve obviamente ao fato que recebo incontáveis mensagens anônimas em meus blogs, algumas simpáticas, outras questionáveis (para usar um termo neutro), outras francamente dispensáveis. Se não destoar muito do espírito dos blogs, acabo publicando, mesmo quando se trata de crítica ou discordância em relação ao que escrevi. Um blog tem essa função, precisamente, oferecer um espaço para a livre expressão do pensamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Infelizmente, alguns comentários anônimos são extremamente curtos, e a gente fica sem saber o que pretendia exatamente o seu autor. Como, por exemplo, um sintético Anônimo que deixou um comentário sobre esta minha postagem:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sexta-feira, 12 de março de 2010&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/03/1779-pedagogia-freireana-nossa.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;1779) A pedagogia freireana: nossa contribuicao ao atraso do mundo...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Cito: “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oferecemos ao mundo um PRA, com seu arsenal de inutilidades e pensamentos levianos!&lt;/span&gt;”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Como se vê, nada de muito esclarecedor ou útil a um debate importante sobre o tema desse post, que se referia ao papel deletério desse ícone da idiotice pedagógica que é o equivocadamente cultuado Paulo Freire, o representante máximo de nosso atraso educacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mas entendo que o Anônimo em questão nunca teve a intenção de comentar de fato a substância da postagem e, sim, a de criticar o “postador”, no caso eu mesmo, com o que ele se desvia dos meus critérios requeridos para incorporação de comentários, ou seja, de que eles sejam pertinentes e tragam alguma contribuição para o distinto público leitor, se ouso me expressar assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Segundo esse Anônimo eu trago ao mundo um arsenal de inutilidades e pensamentos levianos. Curioso que ele se dê ao trabalho de me ler, o que revela um espírito crítico pelo menos deficiente, já que se ocupando de bobagens e inutilidades. Esse Anônimo faria melhor em ocupar o seu tempo com coisa mais inteligente, em lugar de ficar aqui procurando sarna para coçar sabe-se lá que parte de seu corpo indolente, já que ele parece incapaz de expressar de modo mais claro ou completo o seu pensamento (se é o caso de usar este substantivo...)..&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Em todo caso, eu gostaria de agradecer a este Anônimo comentarista, pois ele me oferece a oportunidade de antecipar ao meu previsto minitratado sobre o Anonimato, redigindo este minúsculo texto sobre esse tema, que ocupa, digamos assim, quase metade do volume de comentários em meus posts.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Certos comentaristas em meus blogs estão de fato interessados nos temas, e colocam observações inteligentes, correções a meus pontos de vista, complementos à informação em questão, enfim, fazem aquilo que se espera de um comentarista. Muitos, provavelmente mais da metade, são anônimos, o que pode querer dizer várias coisas: se trata de pessoas ocupando cargos na burocracia do Vaticano onde também trabalho, enfim, uma Santa Casa carente de liberdades democráticas mais amplas, já que as pessoas evitam – e são induzidas a evitar – comentários abertos sobre seu objeto de trabalho, seu ganha-pão tradicional por temor de alguma retaliação indevida (e autoritária, como sempre acontece); outros querem justamente ter a liberdade de participar de um debate sem ter a necessidade de revelar sua identidade, para se sentirem mais livres, leves e soltos na expressão de seu pensamento real, que por vezes é puramente especulativo, ou até contrário ao que normalmente se espera de um profissional de sua condição pública; outros, ainda, querem justamente atacar meus posts ou meus argumentos – o que também é legítimo –, sem precisar se explicar sobre as razões de seus gestos; e existem também aqueles que comparecem com certo despeito, talvez até mesmo alguma raiva, pela liberdade que eu me concedo de ficar escrevendo tanta coisa – muita bobagem, reconheço – sem pedir permissão a nenhuma dessas autoridades que supostamente nos governam (e imagino que eles também sejam colegas de infortúnio intelectual...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Existem alguns que o fazem por timidez, outros por covardia, outros ainda que atuam por maledicência, ou espírito ranzinza, gente frustrada que talvez gostasse de fazer o que eu faço e que se julga então no dever de me atacar – mesmo de forma tão superficial e incompreensível como o post de comentário negativo acima transcrito – para talvez compensar alguma frustração qualquer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Enfim, existem anônimos de todos os tipos, inclusive aqueles que mesmo assim são flamenguistas ou corintianos, ou que não abandonam crenças ultrapassadas, há muito tempo na lata de lixo da história, como diria um ilustre marxista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Pois bem, quero dizer a todos esses anônimos que freqüentam meus espaços de interação que eu os estou “observando”, se ouso dizer, para tirar minhas conclusões sobre sua atividade interessante, e sem dúvida enriquecedora dos meus blogs. Gostaria de lhes prometer que, assim que eu conseguir algum tempo livre, vou escrever meu “minitratado sobre o anonimato”&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;en bonne et due forme, as appropriate&lt;/span&gt;, como diriam franceses e britânicos. Vai chegar o dia, não se inquietem. Por enquanto fiquem apenas com este minúsculo ensaio sobre um dos assuntos mais sérios do chamado&amp;nbsp;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cyberspace&lt;/span&gt;, o que permite (quase) todas as transgressões e liberdades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Aliás, já está na hora de alguém propor uma associação de Anônimos Anônimos, ou seja, gente que se reúne sem revelar a identidade, apenas para discutir, cripticamente se for o caso, as diversas facetas de uma profissão florescente, uma atividade que requer certa coragem para sair do anonimato anônimo para se lançar no anonimato público. Enfim, anônimos anônimos, uni-vos, pois vocês não tem nada a perder, a não ser a vergonha de ser um membro dessa imensa confraria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Meu minitratado virá, mesmo sob risco de algum outro Anônimo classificar minhas iniciativas como um arsenal de inutilidades. Não se pode contentar todos ao mesmo tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Abraços Anônimos, se ouso dizer...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Brasília, 19 de março de 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-847884791572206893?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/847884791572206893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=847884791572206893&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/847884791572206893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/847884791572206893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/11/minusculo-tratado-do-anonimato-paulo.html' title='Minusculo tratado do Anonimato - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6577853027331789596</id><published>2011-10-22T03:11:00.000-02:00</published><updated>2011-10-22T03:11:09.382-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inutilidades burocraticas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minitratado das inutilidades burocráticas - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-priority:99; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Times New Roman";}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 14.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Minitratadodas inutilidades burocráticas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: none; mso-pagination: none; text-align: right; text-autospace: none;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.pralmeida.org/"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: #12429b; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;www.pralmeida.org&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color: #12429b; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;diplomatizzando.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 16px;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Saindodo trabalho além da hora, cruzei com um colega no corredor, ele numa direção,eu na oposta. Trocamos apenas as palavras habituais de cortesia, sem parar anão ser por um rápido aperto de mão, “olá, como vai?, trabalhando muito?”;“Pois é, é o jeito!”, ele disse, acrescentando ao final: “Vamos esperar pelaaposentadoria”, ou algo do estilo (sou péssimo para memorizar certas coisas,além de edições de livros). Havia, evidentemente, certo sentido de cansaçonaquelas palavras, algo de desalento ou coisa do gênero. Enfim, nos despedimose fui para casa sem pensar mais naquele encontro. Mas de alguma coisa serviramaquelas palavras, retidas em minha consciência, aparentemente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Chegandona garagem do edifício, encontrei-me com outro colega, também voltando tarde dotrabalho, provavelmente não pelos meus motivos, mas ainda assim fiz aquelasperguntas habituais e trocamos as palavras esperadas nessas circunstâncias:“Olá, voltando tarde, fazendo hora extra?”; “Pois é, e o pior que não adiantamuito...”; “Muita coisa para fazer?”, perguntei enquanto subíamos de elevadorpara o mesmo andar; “São coisas sobre as quais não há nada a fazer”, disse ele,acrescentando logo em seguida: “Sabemos que não vai adiantar nada, que não hánada a fazer, ainda assim, precisamos responder, para constar...”, terminouele; enquanto eu virava a chave do meu apartamento, ainda tive tempo de dizer aele: “Inutilidades burocráticas...”, ao que ele assentiu, disse boa noite etambém girou a sua chave. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Entreiem casa ensimesmado com as duas conversas, e imediatamente tive a ideia deescrever este minitratado, o primeiro que me é inspirado diretamente por umevento corrente, um fato concreto, não um divertimento do espírito, comoocorreu com todos os demais desta série. Não tenho palavras, aliás, nemimaginação, apenas impressões vazias, como numa verdadeira inutilidadeburocrática. Que coisa mais inútil escrever sobre uma total inutilidade, semter perspectiva de avançar nenhum argumento inteligente, alguma palavrasignificativa sobre alguma realidade efetiva, &lt;i&gt;la verità effetuale delle cose&lt;/i&gt;, como dizia meu amigo Niccolò, hámuito tempo atrás, muito tempo mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Oque pode haver de interessante em certas inutilidades burocráticas, tarefas dasquais é preciso se desempenhar mesmo sabendo que elas não servem paraliteralmente nada, apenas para alimentar o próprio processo burocrático? O quepoderia significar de produtivo adentrar num roteiro kafkiano, no qual não sesabe sequer para que servem todos aqueles papéis que se movem de um lado aoutro para, ao final, não produzir sequer um grama de valor agregado naformação do PIB nacional?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Enfim,um burocrata verdadeiro pode até ficar excitado, até quase ter um estadoorgástico, com esse tipo de inutilidade inútil – com perdão pela redundância – masimagino que um racionalista paretiano, como este que aqui escreve, só podesentir-se incomodado com certos exercícios de pura transpiração burocrática,sem qualquer inspiração produtiva, numa total ineficiência administrativa. Porque a burocracia deveria ser produtiva, ou eficiente, se a sua razão essencialde existência é apenas... existir? Por que deveria ela servir para algo quandoa razão burocrática tem como única razão e justificativa servir a si própria ejustificar-se pelo simples fato de continuar fazendo sempre as mesmas coisas,sem que alguém pergunte para que, exatamente?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Kafkaé, de fato, o melhor autor para tratar de “inutilidades burocráticas” como essasincidentalmente enfocadas aqui; seu romance – de ficção burocrática, se ousodizer –, &lt;i&gt;O Processo&lt;/i&gt;, é o melhorresumo da (des)razão burocrática jamais construído nos anais da literaturamundial. A trama, perfeitamente burocrática, se passa numa capitalindeterminada da Europa central e deixa um cidadão comum, Josef K., em estadode estupefação surrealista ante a convocação autoritária de autoridades movidaspor propósitos completamente desconhecidos – um crime jamais identificado – e guiadaspor códigos de procedimento nunca explicitados para o “acusado”. Ao tratar de maquinaçõessem sentido que a máquina do Estado pode criar, de maneira perfeitamenteanódina, para o homem comum, o romance póstumo de Kafka passou justamente a simbolizarabsurdos burocráticos que elevaram o nome do autor a sinônimo do caso emespécie. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Omais curioso é que li o romance, pela primeira vez, na própria cidade de Kafka,Praga, em meio a procedimentos e administrativos do então socialismo real, queme deixaram em estado de torpor burocrático ante a máquina surrealista doEstado autoritário. Mais curioso ainda: se tratava de uma tradução para oespanhol, publicada pela Casa de las Américas, uma editora depois fechada pelosocialismo burocrático cubano, provavelmente o segundo regime mais kafkiano dahistória mundial do socialismo, depois do campeão absoluto, o regimetotalitário norte-coreano. Este merece, não um minitratado, mas um tratadointeiro de interpretação, como a expressão máxima do stalinismo surrealista emtoda a história humana conhecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Existiriaalgo equivalente a Kafka na literatura que trata das realidadeslatino-americanas, aparentemente tão pouco burocráticas e excessivamentedesorganizadas? Só consigo pensar agora num romance de ficção burocrática, quese passa nas selvas da Amazônia peruana, mas cuja trama é bem mais interessantedo que a selva urbana de Kafka: &lt;i&gt;Pantaleãoe as Visitadoras&lt;/i&gt;, de Mario Vargas Llosa. De fato, a busca da perfeiçãoadministrativa na organização de serviços de “conforto sexual” para soldadosservindo em postos recuados da floresta, inclusive cronometrando o tempodedicado à prestação, em si, é absolutamente kafkiana, embora num sentido bemmais satisfatório do que a acusação indefinida que atinge o pobre Josef K. doromance original. Pode-se inclusive arguir que Vargas Llosa é perfeitamenterealista – não socialista, obviamente – em relação a um drama recorrente emcertas situações que confrontam as bravas forças armadas ante premências daspaixões humanas.: Kafka na selva amazônica pode ser tão surrealista quanto seu equivalenteda selva urbana da Europa central e oriental, mas os procedimentos seguidos nãoexibem o mesmo rigor burocrático do estranho mundo do escritor de Praga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Umelemento é comum aos dois universos acima identificados: a perfeita inutilidadede toda máquina burocrática para resolver problemas reais das pessoas e dassociedades. As burocracias, nas selvas ou nas cidades, enredam os cidadãos numateia de obrigações e atividades as mais diversas sem trazer necessariamente avançospara as sociedades em causa, apenas movendo pessoas, coisas, papéis de um ladoa outro, criando uma aparência de ativismo, quando tudo se move em círculos,sem sair do lugar, como na armadilha do moto perpétuo. A burocracia é feitapara repetir-se, para perpetuar-se, para criar sua própria razão e através delalegitimar-se, por procedimentos que ela mesma cria e das quais se alimenta semquebra de rotina (ou ela é sua própria rotina). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Nãoque as burocracias vivam inteiramente de suas próprias inutilidades, mas é que,à diferença do mundo real da produção, do comércio, da produção agrícola, oudos serviços vinculados a qualquer uma dessas atividades, as burocraciassuscitam o surgimento, permitem a expansão e levam ao auge de sua expressãoirracional as inutilidades que elas criam, alimentam e multiplicam em todos osescalões do aparelho de Estado. Burocracias, e suas inutilidades, tambémexistem no mundo corporativo, talvez até mais desenvolvidas e muito melhornutridas, com roupas mais vistosas e salários mais polpudos. O próprio dasinutilidades corporativas, porém, é que elas têm prazo de validade e data devencimento de curtíssimo prazo, praticamente no espaço do ciclo de vida deproduto ou serviço, que precisa produzir resultados efetivos sob risco decolocar no vermelho os retornos financeiros da corporação em causa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Emcontraste, as inutilidades da burocracia de Estado tendem a crescer e seestabilizar no seu próprio movimento circular, criando uma aparência demovimento, mas na verdade girando em círculos em torno de alguma razãodesconhecida, se não é a da própria burocracia estatal. Nada a demove de seusmovimentos habituais, sincronizados a códigos de procedimento tão obscurosquanto velhos manuais de alquimia renascentistas. Os movimentos se repetem,incansáveis, os papéis se acumulam, os editais se multiplicam e os dispêndiosacontecem, mas nada acontece de verdade, a não ser a própria transpiraçãoburocrática, muito pouco inspirada, de fato, mas produzindo cada vez maistranspiração, como convém a uma legítima inutilidade burocrática, das grandes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Queoutra prova da perfeita inutilidade da burocracia estatal que sua notória eimensa faculdade de continuamente rabiscar papéis, de compor longos memorandos,de redigir minutas, de numerar notas e ultimar relatórios, chegando inclusive apropor inteiros tratados, e até alguns minitratados, sem se importar com oresultado final ou com o valor de mercado e a significação social de toda essaagitação? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Incansáveise inconscientes esses redatores de minitratados, que poderiam estar produzindoalgum ensaio de qualidade para elevar os padrões intelectuais da humanidade,mas que passam o tempo, e ocupam um pouco do tempo alheio, redigindominitratados que não possuem qualquer outro objetivo senão o puro divertimentopessoal, na mais clara definição do que representa uma inutilidade burocrática.Vale!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR;"&gt;Brasília, 9 de outubro de 2011&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6577853027331789596?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6577853027331789596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6577853027331789596&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6577853027331789596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6577853027331789596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/10/minitratado-das-inutilidades.html' title='Minitratado das inutilidades burocráticas - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-8946473604306618747</id><published>2011-08-14T20:43:00.000-03:00</published><updated>2011-08-14T20:43:21.084-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='inusitado'/><title type='text'>Minitratado do Inusitado - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;b&gt;Minitratado do Inusitado&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;(ver toda a série neste link: &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html"&gt;http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	O que é o inusitado? Como diz o próprio conceito, trata-se de algo fora do normal, além do padrão costumeiro das coisas, que só ocorre de forma imprevista, em momentos não esperados, como uma surpresa. Diz-se, assim, dos acontecimentos raros, ou mesmo inéditos, que rompem com o processo habitual dos fenômenos correntes, ou de eventos pouco frequentes, que literalmente “caem do céu”, qualquer que seja sua qualidade – boa ou má – e seu impacto circunstancial. Sendo inusitado, sempre haverá um impacto, temporário ou permanente em função de sua intensidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos assuntos humanos, o inusitado pode assumir diferentes formas, todas elas, ou quase todas, provenientes de fontes externas (uma vez que ninguém “planeja” o inusitado). Quase sempre, é um evento independente, ou alguém, que produz o efeito inusitado na vida de outro alguém, que é então tomado de surpresa, como deve ser, para receber a classificação de inesperado, ou inusitado, justamente. O inusitado  deve ser contrastado com a normalidade das coisas, com o ritmo habitual – frequentemente aborrecido – com que a vida se desenrola, vindo então romper a monotonia do cotidiano, causando surpresa, admiração, no mais das vezes contentamento, em alguns casos surpresas desagradáveis.&lt;br /&gt;Como não se pretende num minitratado como este falar das tragédias e infelicidades humanos, fiquemos com o inusitado agradável, aqueles que nos promete melhores dias, uma vida mais feliz, uma mudança para melhor. Claro, todos esperam ter um aumento de salário, ganhar na loteria, ter mais possibilidades de mudar para uma vida mais atraente, livre das preocupações habituais com dinheiro, trabalho ou amor. Por que não provocar, então, o seu “próprio” inusitado? Porque isso é geralmente impossível no domínio das possibilidades humanas: todas as pessoas normais – pelo menos as mais “racionais” – são movidas por aquele princípio que os economistas chamam de maximização do bem-estar, mais corriqueiramente pela busca da satisfação pessoal, ou o aumento do prazer, segundo os freudianos. Advém daí que essas pessoas, dotadas de expectativas racionais, pretendem construir o seu futuro de bem-estar maximizado – se possível imediatamente – de maneira convencional, atuando sobre os meios e ferramentas à disposição, e nisso não existe nenhum caráter de inusitado em todo o empreendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inusitado surge, de fato, de forma totalmente inesperada: um acontecimento político, ou econômico, que altera fundamentalmente as regras do jogo – e cria novas oportunidades para as habilidades de quem é “atingido” pelo inesperado; o aparecimento de novos personagens no cenário habitual de nosso cotidiano, despertando novas sensações ou sentimentos há muito julgados “aposentados”; a oferta surpreendente de novas possibilidades de atuação profissional – acadêmica ou de mercado – que mobilizam nossas vantagens comparativas naturais (ou adquiridas); enfim, todo e qualquer evento fortuito que constitua uma boa surpresa, que altera o itinerário usual de nossas vidas, merece essa alcunha de inusitado; se não fosse assim, não seria “o” inusitado, e sim as pequenas surpresas da vida. Todo mundo tem “direito” a pequenas surpresas ao longo da vida, um pequeno número, contudo, recebe a grata surpresa de um verdadeiro inusitado, sempre saudado com prazer e sorrisos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, nem mesmo ganhar na loteria constitui um inusitado na acepção própria da palavra, uma vez que o jogador buscou aquilo conscientemente, de forma otimisticamente sonhadora, mas ainda assim planejada, e situada no terreno das possibilidades (ainda que com uma única chance em vários milhões de “azares”). Jogar na loteria é especular com a sorte, uma atividade que os especuladores profissionais conduzem todos os dias nas bolsas de valores e nos mercados de futuros, com maiores e melhores chances de ganhar do que amadores, como somos todos nós. O inusitado merece esse nome porque ocorre justamente quando não estamos especulando com nada, muito menos tentando fazer com que ele ocorra.&lt;br /&gt;Ele se dá numa aparição repentina, num olhar trocado, num piscar de olhos, num sorriso disfarçado, até mesmo numa busca ao acaso na internet (o Google pode ter milhões de inusitados inesperados, que só aparecem quando desdobramos alguns dos seus milhões de itens que aparecem em qualquer busca inocente). Muito do que acontece em nossas vidas tem correlações causais, e mecanismos indutivos que fazem com que certos eventos sejam de fato determinísticos, ou pelo menos possíveis dentro do terreno das combinações da causa e efeito normalmente existentes em algum processo qualquer (trabalho, política, economia, ganhos materiais, etc.). Só o inesperado corresponde a uma química misteriosa – como aquela do amor – que responde a “leis” desconhecidas para nós, uma combinação de moléculas não captada no reino de nossa imaginação, uma sensação diferente que invade nosso ser, inebria nosso pensamento e nos destaca, pelo menos durante algum tempo, deste mundo terreno que é o nosso de todos os dias. &lt;br /&gt;A única coisa a ser feita, nesses casos, é abrir-se ao inusitado, e não planejar mais nada, pela próxima meia hora, ou mais. Como diria um general famoso:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;On s’engage, et puis on voit...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Brasília, 14 de agosto de 2011&lt;br /&gt;(sem revisão, so far...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-8946473604306618747?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/8946473604306618747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=8946473604306618747&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8946473604306618747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8946473604306618747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/08/minitratado-do-inusitado-paulo-roberto.html' title='Minitratado do Inusitado - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-2329756442312288621</id><published>2011-07-09T22:07:00.000-03:00</published><updated>2011-07-09T22:07:04.683-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='corporacoes de oficio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minitratado das corporações de ofício - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;b&gt;Minitratado das corporações de ofício&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;(ver toda a série &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html"&gt;neste link&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu me escreve para dizer que está sendo perseguido por uma poderosa corporação de ofício; enviou-me seu protesto por escrito: “Sou Réu” (até me forneceu o número do processo). Bem, não vou poder ajudá-lo como eu (ou ele) gostaria, pois não tenho esse poder; aliás, nem sou advogado, o que por acaso me lembra que eu tampouco pertenço, profissionalmente, a qualquer uma dessas poderosas organizações dedicadas a preservar o seu monopólio profissional (e, adicionalmente, a achacar consumidores, como eu e você). Sou apenas da modesta tribo dos sociólogos, não tão poderosa nem tão bem organizada quanto a dos advogados, a dos engenheiros, a dos arquitetos, a dos médicos, a dos economistas e as de muitas outras corporações dedicadas ao fechamento dos mercados, de forma a converter todos os demais cidadãos em seus obrigados clientes (mais propriamente em servos indefesos).&lt;br /&gt;Meu amigo é economista e está sendo cobrado por várias mensalidades atrasadas pelo Conselho Regional de Economia da jurisdição onde ele se formou e onde logo em seguida se registrou, no entusiasmo do momento. Acontece que ele nunca se exerceu profissionalmente como economista e, logo depois de formado, foi fazer mestrado e doutorado no exterior; em sua volta, começou a trabalhar em áreas diferentes das que supostamente se exigem habilidades e conhecimentos restritos aos de um economista profissional ou exclusivos dessa “corporação”.  Mais do que cobrado, ele está sendo processado, e suponho que o mesmo deva ter acontecido também com outros cidadãos formados e inscritos numa corporação qualquer e que se “esquecem” de pagar a taxa da sua corporação. Este é, portanto, o tema deste minitratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão central é esta: o que são, o que fazem, e qual o impacto para os cidadãos da atuação dessas corporações de ofício que aprisionam seus “associados” e submetem todos os demais cidadãos ao seu poder monopolístico? Seria possível escapar de suas reservas de mercados, subtrair-se à ditadura corporativa, eliminar o seu jogo monopolístico, que tem óbvias implicações em termos de transferência de renda?&lt;br /&gt;As modernas corporações são o que restou, no mundo contemporâneo, das antigas ordens profissionais medievais, quando artesãos e trabalhadores especializados estavam reunidos numa comunidade legalmente reconhecida de profissionais dotados de uma autorização superior que os habilitava a explorar legalmente uma reserva de mercado (mediante um pagamento qualquer à autoridade concedente). Em contrapartida, eles tinham o monopólio exclusivo – o que parece uma redundância, mas neste caso é justificado – de não apenas oferecer seus serviços e produtos à comunidade colocada sob a jurisdição daquela autoridade, como também de impedir qualquer outra pessoa de também oferecer esses mesmos bens e serviços fora da comunidade assim registrada.&lt;br /&gt;Todas as cidades medievais da Europa ocidental (e mesmo em Estados organizados do Oriente, como na China, por exemplo), tinham suas corporações de ofícios, eventualmente divididas em seções ou corpos especializados. Mesmo os acadêmicos, os intelectuais universitários, constituíam (e de certa forma ainda constituem, hoje em dia) uma comunidade fechada, uma casta de monopolistas do saber e do conhecimento especializado. Novas corporações iam surgindo – por exemplo, os impressores, com a invenção da imprensa móvel – e as mais velhas tratavam de preservar seus monopólios mesmo quando o ofício se mostrava defasado tecnologicamente (fabricantes de velas, ou se chapéus, ou qualquer outra atividade superada pelo tempo).&lt;br /&gt;A Revolução francesa mudou um pouco, mas só um pouco, esse panorama, ao abolir as corporações fechadas e ao começar a regular as relações de trabalho e entre agentes econômicos por meio dos códigos modernos (civil, de comércio, etc.). As antigas corporações foram substituídas por essas ordens que nos mantêm aprisionadas aos seus monopólios privados (oficialmente sancionados). De certa forma, elas se disseminaram tremendamente no mundo moderno, em especial em países que não se libertaram, de verdade, do passado medieval ou da centralização absolutista.&lt;br /&gt;Portugal, por exemplo, manteve durante muito tempo esse mesmo sistema, que se estendia além da vida civil e cobria o próprio Estado, através da venda de ofícios públicos (uma das fontes mais rendosas de recursos para os cofres do rei, até o surgimento de monopólios oficiais sobre produtos “estratégicos” e metais e gemas preciosas, como ouro e diamantes). O Brasil republicano pode ter eliminado alguns desses monopólios, mas conservou alguns dos velhos e criou vários novos monopólios.&lt;br /&gt;Médicos e advogados constituem, claramente, as duas espécies mais antigas de uma categoria que abrange hoje diversas outras profissões fechadas, e que dispõem de privilégios “medievais” ao limitar a concorrência e ao impor suas próprias regras ao conjunto da sociedade. A justificativa usada para legitimar o monopólio legal é sempre a de que essas “ordens” contribuem para elevar a qualidade da formação e da prestação de serviços à população e que estabelecem padrões uniformes de atendimento aos mercados de usuários. Na sombra dessas corporações mais antigas foram surgindo outras, como a dos engenheiros e arquitetos (hoje separadas), a dos contabilistas, da qual saíram os economistas, além de uma infinidade de outras que pretendem também exercer o monopólio sobre o exercício de determinadas atividades.&lt;br /&gt;O debate é obscurecido pela confusão entre o reconhecimento profissional – o que geralmente se faz no âmbito da formação acadêmica – e a regulamentação profissional, que obviamente visa ao fechamento do mercado, com restrições legais aos não reconhecidos. Era, por exemplo, o que existia em relação aos jornalistas, seres perfeitamente normais – como eu e você, que sabemos ler e escrever – mas que se pretendiam (e ainda pretendem) exercer o monopólio sobre qualquer atividade que implique redação e publicação de algum pasquim ou veículo de comunicação. Você acredita realmente, caro leitor, que um boletim de uma categoria profissional qualquer – digamos até mesmo uma nobre profissão, de cidadãos perfeitamente alfabetizados, como a dos diplomatas – necessita de um jornalista profissional, credenciado pelo Ministério do Trabalho para ser montado, publicado e distribuído? &lt;br /&gt;Esse talvez seja o menor dos abusos perpetrados contra os interesses dos cidadãos por essas modernas corporações de ofícios, ainda que todas elas contribuem para fechar os mercados e impor preços extorsivos aos consumidores compulsórios, que somos todos nós. Pior, a qualidade dos serviços nem sempre é garantida: quem pode assegurar, por exemplo, que é melhor ter um jornalista generalista escrevendo um pouco sobre todos os assuntos, em lugar de economistas, administradores e outros especialistas atuando como jornalistas? A sociedade sempre estará melhor com a maior competição possível, não com restrições e sistemas fechados. A abolição da reserva de mercado para jornalistas – que o lobby dos próprios e de alguns representantes políticos está tentando restabelecer – representou um enorme progresso social, e um passo na boa direção. &lt;br /&gt;Meu amigo me informa que está sendo processado: “Recebo agora uma comunicação de que estou sendo processado. Querem de mim as mensalidades atrasadas. Na verdade, os valores são modestos, muito menos do que vale o meu tempo e o do advogado para lidar com essa briga. Mas sou teimoso. Por princípio, não quero pagar.” Imagino que, como ele, outros profissionais – economistas, advogados, arquitetos – também estariam melhor se pudessem exercer seus talentos à margem de qualquer regulamentação profissional. Se eles precisam pautar-se pelas normas e padrões estabelecidos por uma máfia organizada, o leque de serviços que eles poderiam oferecer livremente à sociedade diminui significativamente. &lt;br /&gt;Alguns desses serviços, aliás, são impostos compulsoriamente à sociedade. Por que, por exemplo, dois adultos, atuando em legítimo consenso para lograr um simples divórcio corriqueiro, necessitam ainda assim dos serviços de um advogado imposto legalmente para certificar que eles o fazem no pleno domínio da razão? Por acaso a OAB pensa que todos os adultos em instância de divórcio são perfeitos idiotas, a necessitar de “aconselhamento legal” mesmo na ausência do que aconselhar? Ou seria apenas uma maneira legal, aliás compulsória, de extorquir dinheiro dos cidadãos.&lt;br /&gt;Será que seria possível a um advogado processar a OAB por extorsão legal? Um advogado, hipoteticamente, que pretendesse atuar à margem da OAB, e deixar de pagar suas mensalidades extorquidas, poderia processar a OAB por coação abusiva? Sei que a OAB – assim como o Conselho de Economistas, ou outras corporações mafiosas – tem o direito de processar advogados que não pagam o pedágio exigido, mas por que não poderia ser o contrário?&lt;br /&gt;Por que a sociedade brasileira não começa a desmantelar suas máfias corporativas e outras associações de extorsão legal? Por que não podemos libertar profissionais e cidadãos das castas organizadas para exercer monopólios abusivos? Poucas profissões são capazes de “matar”, literalmente, os cidadãos se as práticas forem liberadas: elas são efetivamente em número muito reduzido. Todas as outras, incapazes de prejudicar os cidadãos – mas que os estão de fato prejudicando mediante regulamentos absurdos – deveriam ser desregulamentadas e liberalizadas. Estaríamos muito melhor sem monopólios e reservas de mercado. Libertem-se desses grilhões, cidadãos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 9 de julho de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-2329756442312288621?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/2329756442312288621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=2329756442312288621&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2329756442312288621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2329756442312288621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html' title='Minitratado das corporações de ofício - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6569216406349232305</id><published>2011-05-23T23:30:00.002-03:00</published><updated>2011-05-23T23:30:37.978-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><title type='text'>Do I have a dream? - uma pergunta sobre uma frase histórica (PRA)</title><content type='html'>Do I Have a Dream?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of course! I do have a dream, for sure. As a matter of fact, I have more than one dream, perhaps two or three; indeed, more than that.&lt;br /&gt;Bem, os meus são provavelmente diferentes daqueles que integraram o famoso discurso do pastor Martin Luther King Jr., em 1963, quando ele buscava, apenas e tão somente, a libertação de todo um povo das agruras da segregação, das práticas odiosas da discriminação, da perseguição, da interdição e até do linchamento. Os meus talvez não tenham essa dimensão épica, provavelmente porque os desafios que estão em “minha” agenda de trabalho não são tão dramáticos quanto aqueles enfrentados pela população negra americana até o início dos anos 1960. Vamos então falar sobre o meu sonho, ou sobre os meus sonhos.&lt;br /&gt;Falar de um sonho, ou de vários, implica apontar aquilo que de mais relevante possa haver para uma pessoa, o objetivo central de sua vida, se é que algo desse tipo existe, num itinerário que atravessa necessariamente diferentes etapas, com o personagem em questão, o sonhador, exibindo diferentes condições, enfrentando desafios sempre novos e diversificados. Da fase de estudante dependente, à de graduando independente, passando por ofícios diversos, até chegar ao profissional de mercado, ou ao funcionário de carreira, em cada uma das etapas da vida, nós, os sonhadores, alimentamos os ideais que concebemos, que construímos ou que importamos da literatura, dos filmes, das experiências pessoais, dos contatos diretos com outros sonhadores ou personalidades da dimensão do grande líder da causa negra americana (na verdade, dos direitos civis de todos os cidadãos). Os sonhos são formados aos poucos, eventualmente substituídos por outros, por vezes abandonados ou até esquecidos; novos sonhos ocupam o lugar dos primeiros, que geralmente eram ingênuos, em todo caso compatíveis com as ambições, sempre desmesuradas, de uma juventude frenética ou... sonhadora, justamente. &lt;br /&gt;Sendo assim, quais foram, naquela época, quais são, agora, os meus sonhos, meus projetos, meus objetivos de vida? Qual foi o itinerário das ideias, não exatamente das minhas, mas das que eu defendia? O que me motivou, desde quando deixei de ser “alienado” – segundo o termo usado na época – para me tornar um “batalhador consciente” pelas causas vibrantes da minha juventude? O que ainda se conserva dos sonhos da juventude, o que ainda conservo dos ideais que eu mantinha então?&lt;br /&gt;Descartemos, em primeiro lugar, aqueles sonhos excessivamente infantis, informados mais por desejos ingênuos do que por intenções realizáveis. Isso perdurou até os treze ou  quatorze anos, quando posso dizer que meus grandes objetivos de vida, ou melhor, dizendo, meus ideais políticos, estavam relativamente conformados, de maneira ainda um pouco confusa, mas de toda forma razoavelmente definidos. E quais eram eles? Não querendo parafrasear Marx, nada mais, nada menos do que a abolição completa do poder político “burguês” e a revolução no modo de produção; ou dito ainda, na mesma terminologia, a transformação das relações de produção em vista da reformulação do sistema de forças produtivas. Esta é a versão acadêmica de uma história mais complicada que, naquelas circunstâncias, se desdobrou em aventureiras guerrilheiras, ao estilo cubano. Enfim, para encurtar a história – que não se refere a esses episódios “materiais”, mas pretende tratar apenas de sonhos e ideais – o fato é que os sonhos da juventude eram centrados nessa promessa radical de abolição do mundo burguês, e de sua democracia formal, e na inauguração de um novo universo de igualdade absoluta e de democracia “proletária”, na verdade, a “ditadura do partido”, como reconhecemos agora.&lt;br /&gt;Não hesito em dizer que esses ideais foram derrotados, não tanto no terreno das ideias e das concepções do mundo – tanto que eles continuam relativamente dominantes, um pouco em todas as universidades da região – mas no terreno dos fatos, da prática, dos enfrentamentos políticos, na conjuntura brasileira dos tempos de chumbo da ditadura militar. Não existe aqui nenhum ressentimento quanto ao que ocorreu, nenhum revanchismo de princípio, embora houvesse o amargo sentimento da derrota e do exílio voluntário, na época. Visto retrospectivamente, há que reconhecer que o fracasso era inevitável, não apenas em função da desproporção de forças, mas sobretudo em relação ao, e como consequência do, projeto equivocado que então defendíamos. O bolchevismo infantil não daria certo, sequer como proposta, menos ainda como futuro de país. O projeto cubano tinha terminado ali, assim como acabaram as ilusões da juventude.&lt;br /&gt;O exílio, o conhecimento da realidade no continente europeu, em plena era da Guerra Fria, serviu sobretudo como laboratório de ideias, como espaço de reflexão e de confrontação entre duas realidades. O socialismo real – algumas vezes surreal – do leste europeu e o capitalismo “ideal” da porção ocidental do continente serviram de terreno de aprendizado prático sobre como podem funcionar, ou não, diferentes sistemas sociais, entre eles aquele que pretendíamos implantar no Brasil. A outra parte do aprendizado foi feita na bibliotecas universitárias, na leitura de jornais, no conhecimento do que tinham a dizer professores, jornalistas, pensadores de orientações diversas, com preferência ainda pelos mestres do marxismo e pelos intelectuais “progressistas”. &lt;br /&gt;Ideias generosas, mesmo equivocadas, são persistentes, desde que orientadas por uma filosofia poderosa, como era o marxismo (e talvez ainda seja, para muita gente, pelo menos no universo acadêmico brasileiro e latino-americano das humanidades). Mesmo não abandonando totalmente os sonhos da fase precedente, uma revisão teórica e prática era inevitável. Ela foi feita, com base numa observação cuidadosa das realidades presentes, uma possibilidade que deveria estar disponível a qualquer um, desde que com olhos e coração abertos, e disposto a revisar conceitos e posturas com base numa reflexão profunda a partir de leituras sobre o presente e de pesquisas sobre o passado histórico. Viagens frequentes – tanto a mundo do socialismo, quanto aos diversos capitalismos realmente existentes – e um mergulho em leituras de biblioteca cumpriram a tarefa.&lt;br /&gt;A partir desse momento, os sonhos não eram tanto os de realizar no Brasil um sistema socialista no modelo centralizado e planejado dos bolcheviques, mas os mais modestos do reformismo radical dos socialistas europeus. Ainda assim, as evidências trazidas por pensadores liberais – ao estilo de um Raymond Aron – ou simplesmente objetivos, no modelo dos bons pesquisadores históricos, permitiram recompor progressivamente a natureza real dos processos sociais, tanto de conformação do capitalismo quanto de construção de Estados progressivamente mais abertos ao equilíbrio de poderes e à participação social. O que estava em curso, na verdade, era um rompimento da camisa de força do marxismo congelado, tal como servido durante décadas em nossas academias e partidos de esquerda (de certa, ele ainda continua a ser servido, como sistema válido, em certos círculos esclerosados do país e da região). &lt;br /&gt;A fase seguinte foi a de construção de um novo sistema de ideias, liberto dos superlativos do passado – capitalismo, burguesia, dominação de classes, luta de classes, poder proletário, todos esses grandes conceitos que explicam todo um mundo – e bem mais aberto às constatações mais singelas e prosaicas da vida, em todo caso, mais adequado às necessidades do país e combinando com minhas próprias posturas, jamais religiosas, nunca dogmáticas, sempre abertas a novos argumentos lógicos, à simples racionalidade das demonstrações empíricas. Até hoje, ao encontrar antigos colegas não reciclados ou novos expoentes de velhas ideias, eu me surpreendo com a incapacidade que têm certas pessoas de simplesmente olharem a realidade em face, de se informarem por diversos meios sobre o que realmente se passou, desde o auge da Guerra Fria, e de chegarem a conclusões tão elementares quanto as que são fornecidas por fatos, apenas fatos, nada mais. No caso dos mais jovens, pode-se explicar a postura pela atratividade de propostas generosas de redenção social, de justiça, igualdade, melhoria rápida das condições de vida – já que a causa apontada pelos professores das escolas é sempre a cupidez dos capitalistas e, previsivelmente, o caráter perverso do capitalismo – o que pode ser corrigido por mais leituras e alguma experiência de vida. No caso dos mais velhos, as explicações são mais difíceis: pode ser postura religiosa, recusa a abandonar velhos conceitos, falta de leituras (sim, pode ocorrer), simples má-fé, ou ainda o que poderíamos chamar de desonestidade intelectual.&lt;br /&gt;Não posso dizer que os sonhos tenham acabado ou mesmo que tenham sido alterado radicalmente. Os objetivos, de certa forma, continuam os mesmos, quais sejam: o de tornar o Brasil um país menos pobre, menos injusto, menos desigual, mais próspero, mais democrático, mais igualitário. Os métodos é que mudaram, e também os mecanismos para conseguir aqueles objetivos. Em lugar do processo revolucionário, o reformismo gradual, e nisso não vai nenhum preconceito de princípio contra as revoluções; apenas ocorre que estas não são feitas, planejadas, conduzidas, elas simplesmente acontecem, por força de necessidades, por contingências da conjuntura política, por acidentes graves na vida nacional (guerras, crises profundas, rupturas da normalidade econômica com amplos impactos sociais). Ninguém comanda uma revolução, pelo menos fora das concepções românticas de extração bolchevique ou maoísta. Mas pode-se comandar um processo de reformas, pela ação partidária, pela pregação doutrinária, pela mobilização de esforços dos já convencidos sobre as necessidades de mudança. &lt;br /&gt;Por certo, é muito mais excitante sonhar com uma revolução, ou pretender uma alteração radical – esquecendo o grau de violência embutido nessas mudanças radicais da sociedade – das bases mesmas de funcionamento de toda uma formação complexa, do que encetar um modesto programa de reformas baseadas no consenso ou nas decisões democráticas adotadas por meio de livre escolha de cidadãos conscientes. Mas pessoas maduras não costumam entreter o sonho do “guerrilheiro heroico”, que aliás nunca existiu, de fato, mas foi uma imagem construída para justificar um novo sistema de dominação, provavelmente mais implacável do que o previamente existente. Pessoas maduras costumam fazer reflexões guiadas pela boa informação histórica, por análises corretas da realidade econômica e social e instruídas por um exame realista das relações de força predominantes no sistema político (que não se transforma apenas pela força das ideias, mesmo as mais generosas, e só se deixa impactar pela força dos fatos). &lt;br /&gt;Os objetivos e intenções são provavelmente os mesmos, como dito acima, com os novos ingredientes da definição ponderada de mecanismos não violentos, não autoritários e, sobretudo, adaptativos, de transição para formas mais avançadas – presumivelmente mais democráticas, mais propensas ao crescimento econômico e à redução das desigualdades inerentes à formação social brasileira – de organização econômica, social e política, que possam resultar na transformação do Brasil, de país em desenvolvimento para um plenamente desenvolvido. Seriam estes sonhos? São tão mobilizadores assim?&lt;br /&gt;Provavelmente não, ou então são metas e objetivos de vida, a começar por um comprometimento inquebrantável com uma simples aspiração que, esta sim, pode ser considerada um sonho, quiçá quixotesco: contribuir para que outros jovens, da mesma extração social que foi a minha na infância e na primeira juventude, possam ter as mesmas chances que eu tive na vida, e que passaram, fundamentalmente, por uma educação de boa qualidade em escolas públicas, o que me preparou para os desafios das fases seguintes. Essas chances não mais existem no Brasil, e o que se têm é um imenso desperdício de talentos e de vocações no caudal indescritível que constitui, hoje, o que passa por sistema educacional brasileiro, um aglomerado de estruturas esclerosadas, dominadas por pedagogos alienados e máfias sindicais que simplesmente inviabilizam qualquer melhoria dos padrões educacionais em nosso país. Se tenho um sonho, ele poderia ser este: devolver à sociedade brasileira um pouco do que recebi, quatro ou cinco décadas atrás, em termos de ensino razoável e comprometido com uma elevação sensível da bagagem cultural de origem, e contribuir para que o maior número possível de jovens possam ter as chances que tive de inserção em universidades de qualidade e de incorporação na vida profissional em carreira de elite. &lt;br /&gt;Não creio que seja muito, nem que seja um sonho impossível: ele é certamente difícil no Brasil atual, dominado por elites ignorantes e corporações oportunistas que assaltaram o Estado e dele se apossaram para seus fins particulares ou partidários. Mas ele deveria ser um sonho permanente de todos aqueles que têm consciência do imenso atraso – sobretudo nas mentalidades – em que ainda vegeta o Brasil, podado em suas possibilidades de crescimento econômico e de desenvolvimento social por estruturas e instituições claramente defasadas em relação aos requisitos da modernidade global. De minha parte, só pretenderia contribuir para essas tarefas de reforma e de reformulação de parâmetros de políticas públicas, sobretudo na área educacional, que têm a ver com a elevação dos padrões de produtividade do trabalho humano no Brasil. Pode parecer tecnocrático, mas este é o meu sonho, aliás bem mais político do que técnico.&lt;br /&gt;Vale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 23 de maio de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6569216406349232305?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6569216406349232305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6569216406349232305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6569216406349232305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6569216406349232305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/05/do-i-have-dream-uma-pergunta-sobre-uma.html' title='Do I have a dream? - uma pergunta sobre uma frase histórica (PRA)'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-4612723930520587132</id><published>2011-04-16T18:14:00.003-03:00</published><updated>2011-11-06T16:22:13.384-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='divertissement'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sentimentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratados'/><title type='text'>Minitratados: um exercício lúdico-reflexivo...</title><content type='html'>Creio já ter referido aqui minha série de minitratados, uma série de pequenos textos curtos, aleatórios na temática e no tempo, sobre aquilo que alguns filósofos poderiam chamar de "grandes questões da humanidade".&lt;br /&gt;Trata-se claramente de um &lt;i&gt;divertissement&lt;/i&gt;, mas que não deixa de ter um significado -- aliás vários -- que é complementar ao, ou diverso do, objeto efetivamente tratado em cada um desses minitratados (aleatórios mas cuidadosamente escolhidos).&lt;br /&gt;Ou alguém acha que reticências, ou entrelinhas, constituem grande problemas filosóficos da humanidade?&lt;br /&gt;É uma maneira divertida, para os que apreciam ironias e sutilezas, para falar dos sentimentos humanos, meus ou dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Listo abaixo a relação dos minitratados produzidos &lt;i&gt;so far&lt;/i&gt;, aqui sem transcrição completa, mas remetendo aos links para sua leitura integral.&lt;br /&gt;Não tenho certeza de que coloquei todos os minitratados; pode ser que eu tenha esquecido algum no caos de meus arquivos eletrônicos. Tenho de pesquisar: esses minitratados são espertos, fugidios, eles se escondem nas mais surpreendentes reentrâncias do pensamento...&lt;br /&gt;Tenho vários outros planejados no pipeline, e aceito sugestões dos leitores para novos minitratados, mas apenas sobre os mais graves problemas da humanidade, como alertei anteriormente.&lt;br /&gt;Mas de maneira divertida, como também coloquei, o que não deixa de ser relevante, mesmo se constitui uma simples distração na leitura de coisas verdadeiramente sérias...&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Série dos minitratados (até aqui...)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/01/1659-mini-tratado-das-reticencias.html"&gt;Minitratado das reticências&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Pouca gente dotada de uma certa familiaridade com a palavra escrita consegue atribuir real importância às reticências, inclusive este cidadão que aqui escreve. Quero falar das reticências stricto sensu, isto é, os famosos três pontinhos ao final de alguma frase ou expressão... (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/01/1659-mini-tratado-das-reticencias.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html"&gt;Minitratado das interrogações&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Interrogantes são inerentes à espécie humana, e talvez mesmo a certos primatas. Determinadas escolhas, ou caminhos, nos levam a uma situação de melhor conforto material ou de maior segurança pessoal, sem que, no entanto, saibamos, ou tenhamos certeza, ao início, que aquela opção selecionada é, de fato, a de melhor retorno ou benefício possível. Dúvidas, questionamentos, angústias, em face das possibilidades abertas em nossa existência, são inevitáveis em todas as etapas e circunstâncias da vida. Daí a interrogação, normalmente simbolizada pelo sinal sinuoso que colocamos ao final de certas frases: ? (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html"&gt;Minitratado das entrelinhas&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Tratados, em geral, costumam ser solenes, como convém aos grandes textos declaratórios, escritos em tom impessoal e devendo refletir alguma realidade objetiva, uma relação entre Estados...&lt;br /&gt;Minitratados, por suposição, deveriam ser versões reduzidas de seus irmãos maiores... (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html"&gt;Minitratado da imaginação&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;A imaginação não é um simples sentido natural, e sim um ato da vontade, embora não possamos impedir nossa própria consciência de imaginar “coisas”. Mas essas coisas imaginadas são instruídas, orientadas, criadas e administradas por nós, como se fossemos um diretor de cinema ou de teatro, quando eles dizem aos atores como o script deve ser realmente lido e interpretado. (...) &lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html"&gt;Minitratado da reencarnação&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não, não quero falar da reencarnação "real", aquela na qual acreditam piamente hindus e tibetanos, pelo menos os religiosos, nisso seguindo, ao que parece, os antigos egípcios, que já não estão mais entre nós para contar como a sua, supostamente rica, experiência nessa matéria. Os primeiros são radicais, capazes até de interromper a construção de um templo por uma minhoca que apareceu no canteiro de obras; afinal, nunca se sabe: pode ser a mãe de alguém. Enfim, se os egípcios ainda nos assustam com múmias de Hollywood, os outros nunca provaram o que afirmam. (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/03/minitratado-das-improbabilidades.html"&gt;Minitratado das Improbabilidades&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Uma improbabilidade é algo que, como o conceito indica, não corre nenhum risco de acontecer; constitui, assim, um não-evento, uma impossibilidade prática. Poucas pessoas, salvo as muito sonhadoras, ficam atrás, ou se colocam em busca, de coisas impossíveis, ou seja, de improbabilidades. Aqueles que o fazem, de verdade, ou sinceramente, costumam ser chamados de utopistas, ou talvez até, dependendo da natureza de seus sonhos, de românticos incuráveis. (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/03/minitratado-das-improbabilidades.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html"&gt;Minitratado dos desencontros&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O que é um desencontro? Dito simplesmente, é uma defasagem, no tempo ou no espaço, entre dois corpos, cada um seguindo vias próprias e diferenciadas, sem qualquer possibilidade de cruzamento. Para fins deste minitratado, no entanto, o desencontro é um descompasso entre dois sentimentos, um pretendendo resposta e reação, o outro permanecendo desatento ou distraído, o que pressupõe alguma instância de reciprocidade ou linha de cruzamento, mesmo virtual. (...)&lt;br /&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html"&gt;Ler a suite deste minitratado neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html"&gt;Minitratado dos reencontros&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;O reencontro pode ser considerado a inflexão da curva de dispersão, ou da linha de divergência, que tinha sido formada, ou que existia, por ocasião do desencontro. Com efeito, o reencontro só se justifica, na maior parte dos casos, após um desencontro ter acontecido, salvo se a separação anterior foi uma obra do acaso, uma contingência inesperada, um acidente de percurso ou seja lá qual fator acidental. (...)&lt;br /&gt;Ler a suite deste minitratado &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html"&gt;neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) &lt;b&gt;&lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html"&gt;Minitratado das corporações de ofício&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Um amigo meu me escreve para dizer que está sendo perseguido por uma poderosa corporação de ofício; enviou-me seu protesto por escrito: “Sou Réu” (até me forneceu o número do processo). Bem, não vou poder ajudá-lo como eu (ou ele) gostaria, pois não tenho esse poder; aliás, nem sou advogado, o que por acaso me lembra que eu tampouco pertenço, profissionalmente, a qualquer uma dessas poderosas organizações dedicadas a preservar o seu monopólio profissional (e, adicionalmente, a achacar consumidores, como eu e você). Sou apenas da modesta tribo dos sociólogos, não tão poderosa nem tão bem organizada quanto a dos advogados, a dos engenheiros, a dos arquitetos, a dos médicos, a dos economistas e as de muitas outras corporações dedicadas ao fechamento dos mercados, de forma a converter todos os demais cidadãos em seus obrigados clientes (mais propriamente em servos indefesos).&lt;br /&gt;Ler a suite deste minitratado &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/07/minitratado-das-corporacoes-de-oficio.html"&gt;neste link&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou num tema relevante? Indique...&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-4612723930520587132?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/4612723930520587132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=4612723930520587132&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4612723930520587132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4612723930520587132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html' title='Minitratados: um exercício lúdico-reflexivo...'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-199351659006471576</id><published>2011-04-16T01:15:00.003-03:00</published><updated>2011-07-09T18:07:40.199-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratado'/><title type='text'>Minitratado dos reencontros - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;b&gt;Minitratado dos reencontros&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ver toda a série &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/04/minitratados-um-exercicio-ludico.html"&gt;neste link&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ter tratado, num dos minitratados (sem jogo de palavras) desta série, dos desencontros, cabe falar também dos reencontros, que podem eventualmente ocorrer, embora eles possam demorar algum tempo para se materializar, por vezes até alguns anos. O reencontro pode ser considerado a inflexão da curva de dispersão, ou da linha de divergência, que tinha sido formada, ou que existia, por ocasião do desencontro. Com efeito, o reencontro só se justifica, na maior parte dos casos, após um desencontro ter acontecido, salvo se a separação anterior foi uma obra do acaso, uma contingência inesperada, um acidente de percurso ou seja lá qual fator acidental. Em qualquer hipótese, um reencontro depende da vontade de pelo menos uma das partes, imponderável como pode ser a realização de uma expectativa, sempre dependente das trapaças da sorte ou da astúcia da razão. Se as duas partes o desejam, então a conjunção se faz mais facilmente ainda, embora essa hipótese seja mais rara.&lt;br /&gt;A razão, a motivação e o esforço para realizar o reencontro estão todos situados numa mesma dimensão fundamental: a carência, real ou percebida, em relação a uma situação de melhor conforto espiritual com uma dada relação. Tem de ser isso, ou então não haveriam motivos para tantas angústias, tantas reflexões ao léu, tantas suposições otimistas, tantos cenários idealizados. Carências podem se manifestar de duas maneiras: uma negativa, que seria uma espécie de estado depressivo, outra mais positiva, que seria a esperança levada ao estado de euforia, caso o reencontro se materialize por acaso ou por intenção. Seria simples assim? Provavelmente não, pois raramente existem soluções extremas para a maior parte dos casos e sim o continuum de situações indefinidas, que angustiam o “paciente”.&lt;br /&gt;Existe uma estratégia para o reencontro, ou estratégias? Eventualmente, a parte interessada no reencontro pode elaborar uma (e segui-la, o que parece mais importante), embora tudo possa ser muito difuso e até isento de planejamento quanto aos lances táticos que levariam, supostamente, ao almejado reencontro, que é, por certo, a convergência de vontades. Na paz como na guerra, na vida civil como na vida militar (se é que se pode falar em vida, neste caso), na autonomia como na dependência, sempre se pode desenhar estratégias para enfrentar os acasos da vida (embora isso não queira dizer que todas elas funcionem adequadamente). Jogos de guerra, ou jogos de amor, nem tudo termina com final feliz para todos, o tempo todo.&lt;br /&gt;Já que este é um minitratado – ou seja, um documento formal de procedimentos, métodos e disposições práticas, quase um manual de serviço – caberia descrever os detalhes da estratégia e discutir seus elementos táticos. Quem sabe a partir daqui não resulte um desses How to do?, desses que vendem nas estantes de autoajuda – ou até um Idiot’s Guide to Making Up Again – que podem ser úteis a almas gêmeas temporariamente separadas ou a corações desesperados? Não tenho certeza de oferecer o manual perfeito para tranquilizar corações desesperados, mas vou tentar acalmar os confusos (sem garantia de sucesso e sem dinheiro devolvido). &lt;br /&gt;A primeira tarefa nesse tipo de empreendimento é definir as chances de que o objetivo se concretize; existem várias possibilidades classificatórias: o reencontro pode ser utópico, realizável, impossível, razoável no médio prazo, imprevisível, mesmo no longo prazo, etc. Pode até conceber um quadro analítico – quem sabe uma tabela Excel? – com cronogramas definidos, cujas células poderiam ser ocupadas por “missões” graduais para a consecução do reencontro, até a etapa final de atingimento do objetivo fixado. Uma estratégia consequente prevê várias táticas alternativas, todas conjugadas ou atuando de forma sucessiva, conforme os efeitos e resultados da aplicação de cada um.&lt;br /&gt;Existem métodos diretos ou indiretos de aproximação, o que for mais conveniente. Hoje em dia, o Google resolve quase todos os pedidos de busca, mesmo os mais inusitados (suponho que até a polícia, em suas missões para os mais “wanted men”, mas podem ser “women” também, use o Google para buscas rápidas). As redes sociais também “atingem” – literalmente – milhões de pessoas, embora nesses casos de busca afetiva um dos lados sempre peca por timidez.&lt;br /&gt;Definida a estratégia e desenvolvidas algumas técnicas, cabe esperar uma implantação decisiva da missão “reencontro”, de preferência com ações bem pensadas para não frustrar o objetivo final. Geralmente a abordagem é gradual, indireta e silenciosa, embora existam os apressadinhos (em parte incautos) que passam a uma tática de assédio pouco recomendável para a maior parte dos casos. Um “levantamento de terreno” preliminar  – como no caso do planejamento militar – parece indispensável ao desenvolvimento de uma estratégia bem montada, o que implica em conhecimentos mínimos de cartografia afetiva e de mapeamento sentimental.&lt;br /&gt;A logística também apresenta papel importante, pois é preciso planejar as operações sobre o terreno, com margem suficiente de manobras e recursos disponíveis para manter presença no terreno. Aqui não precisa de soldados, no sentido estrito do termo, mas certamente precisará de talão de cheques, no sentido estrito e no lato, sobretudo neste último. Quanto mais lato melhor, pois essas táticas de sedução costumam ser altamente custosas para o bolso do contribuinte...&lt;br /&gt;Enfim, quaisquer que sejam as táticas e estratégias a serem mobilizadas no esforço de reencontro, é preciso ter algo para “vender”; do contrário fica difícil concretizar a meta da “conquista” (como nos objetivos militares). O objeto, parece claro, é o próprio iniciador do esforço de reencontro, o personagem que se coloca na posição de articulador de novas situações, o proponente de uma nova etapa de vida. Nesse ponto entramos naquilo que os americanos chamam de core of the matter, ou na substância da matéria. Não tenho sugestões a fazer neste particular. Apenas desejar que o pretendente seja o personagem dos sonhos da pessoa visada. Também acontece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 14 de abril de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-199351659006471576?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/199351659006471576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=199351659006471576&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/199351659006471576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/199351659006471576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-reencontros-paulo.html' title='Minitratado dos reencontros - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-5834814051883895671</id><published>2011-04-02T16:53:00.002-03:00</published><updated>2011-04-02T16:53:52.592-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desencontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratado'/><title type='text'>Minitratado dos desencontros - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;b&gt;Minitratado dos desencontros&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é um desencontro? Dito simplesmente, é uma defasagem, no tempo ou no espaço, entre dois corpos, cada um seguindo vias próprias e diferenciadas, sem qualquer possibilidade de cruzamento. Para fins deste minitratado, no entanto, o desencontro é um descompasso entre dois sentimentos, um pretendendo resposta e reação, o outro permanecendo desatento ou distraído, o que pressupõe alguma instância de reciprocidade ou linha de cruzamento, mesmo virtual. &lt;br /&gt;Na melhor das hipóteses, o desencontro é passageiro, e a correspondência esperada se faz em algum momento, em algum lugar. Na pior, as expectativas de uma parte não logram sensibilizar ou dobrar a vontade da outra parte, e o desencontro se converte em motivo de sofrimento. Todo desencontro, ou toda indiferença é um sofrimento, pelo menos para uma das partes. Todos nós sabemos disso.&lt;br /&gt;Por que existem desencontros? Eu poderia ser economicista e dizer que a reta (sempre crescente) da procura não encontra a “sua” curva da oferta, o que pode ocorrer em face de qualquer falha de mercado ou externalidade negativa. Sendo menos sarcástico, e mecanicista, pode-se dizer que, no terreno dos sentimentos humanos, não existe qualquer equivalência mecânica, como aquela identificada com a “lei de Say”, que pretende que a oferta cria sua própria demanda. &lt;br /&gt;Mas tampouco funciona neste caso a chamada “inversão keynesiana”, que espera que a demanda artificialmente criada pelo poder de emissão de alguma autoridade desperte os “espíritos animais” dos agentes de mercado, que decidem, a partir daí, manter a oferta agregada. Os economistas, assim como os contabilistas, não gostam de desencontros: eles sempre pretendem fechar a equação de equilíbrio, buscando a resposta para déficits ou superávits mesmo por meios artificiais. &lt;br /&gt;No caso das amizades ainda se pode esperar alguma reciprocidade, ou seja, um equilíbrio e correspondência de vontades e prestações mútuas; nas amizades existe, sobretudo, confiança entre as partes. Tudo isso é muito difícil de ser estabelecido no caso de paixões mais “incisivas”, como o amor, que não exige retorno direto; ele pode ser unilateral, unidirecional, não correspondido e assimétrico, como nas relações de dependência ou de assistência entre países avançados e economias miseráveis, que vivem da cooperação ao desenvolvimento (outro nome para a assistência pública).&lt;br /&gt;Como nas relações econômicas, porém, o desencontro é uma expectativa não realizada, por insuficiência de fatores ou de insumos, que atendam aos requisitos dos “consumidores”. Não se trata apenas de uma assimetria de informação, mas de um desequilíbrio sistêmico, que impregna toda a equação de mercado, afetando aquela transação que se esperava realizar. O desencontro, portanto, está muito longe daquela situação que os economistas chamariam de “ótimo paretiano”. Numa figuração de química doméstica, ele seria como a superposição entre a água e o azeite.&lt;br /&gt;Nem todas as culturas, porém, cultivam essa oposição de sentimentos, o confronto de posições, essas cenas dramáticas, típicas de novelas mexicanas. Na tradição oriental, a aparente oposição do yin e do yang acaba conhecendo alguma síntese reconciliadora, assim como na sua gastronomia encontramos o agridoce, que nos enche de prazer, mesmo momentâneo. Mas o desencontro constitui justamente o retorno do azedo sobre o sentimento temporário de doçura e de conforto espiritual. &lt;br /&gt;Existem soluções para os desencontros? Talvez, mas certamente não “a” solução, a fórmula mágica que permitiria eliminar toda frustração e todo sentimento de impotência em face da indiferença alheia. Algumas situações podem ser apenas contornadas, pelo uso dos “estímulos corretos”, geralmente de natureza material. Muitos “compram” o amor, é verdade, ou atuam para criar uma relação de dependência, o que teoricamente pode fazer com que retas paralelas se encontrem em algum ponto do espaço. Mas esse tipo de “equilíbrio” é muito frágil, já que espíritos independentes não suportam a subordinação de sua vontade, justamente. &lt;br /&gt;Qual seria, então, um possível remédio a um desencontro específico? Sem nenhuma garantia de sucesso, como em qualquer empreendimento humano, fazer-se admirar, provocar o reconhecimento da outra parte pelas ações beneméritas, generosas e “desprendidas” que se decide oferecer unilateralmente. Em uma palavra: ser bom, o que implica ser atencioso, prestativo, sempre pronto a confortar a outra parte, aquela com a qual se busca o encontro, justamente. Sinceridade é fundamental, mas confessar a ação calculada poderia parecer oportunismo, interesse egoísta, até maquiavelismo, no sentido vulgar deste conceito. &lt;br /&gt;Sempre se espera que o desencontro seja passageiro, mas o descompasso pode, na verdade, durar anos, ou décadas. Paciência e constância nos sentimentos constituem, neste caso, duas virtudes fundamentais. Feliz final do seu desencontro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curitiba-Brasília, 2 de abril de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-5834814051883895671?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/5834814051883895671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=5834814051883895671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/5834814051883895671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/5834814051883895671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/04/minitratado-dos-desencontros-paulo.html' title='Minitratado dos desencontros - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-3617750422178196435</id><published>2011-02-28T03:00:00.000-03:00</published><updated>2011-11-06T16:03:44.363-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><title type='text'>Minitratado da Reencarnação - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 14pt;"&gt;Minitratado da Reencarnação&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: right; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Não, não quero falar da reencarnação “real”, aquela na qual acreditam piamente hindus e tibetanos, pelo menos os religiosos, nisso seguindo, ao que parece, os antigos egípcios, que já não estão mais entre nós para contar como era a sua experiência nessa matéria, supostamente rica. Os primeiros são radicais, capazes até de interromper a construção de um templo por uma minhoca que apareceu no canteiro de obras; afinal, nunca se sabe: pode ser a mãe de alguém. Enfim, se os egípcios ainda nos assustam com múmias de Hollywood, os outros nunca provaram o que afirmam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Quero falar de outra reencarnação, de tipo virtual; uma que mobilizaria, ao que parece, os simples escritores, ou escrevinhadores, como eu, que ficam imaginando vidas alternativas com base no famoso&amp;nbsp;&lt;i&gt;what if&lt;/i&gt;?, isto é, o que eu faria se me fosse dado retomar o curso (que dizem retilíneo) da história, se eu pudesse inverter a flecha irrecorrível do tempo? O que eu faria se pudesse reescrever meu itinerário, se me fosse dado viver a mesma vida, mas escolhendo, com o benefício do&amp;nbsp;&lt;i&gt;hindsight&lt;/i&gt;, o melhor caminho para algumas das velhas (ou novas, diferentes) situações, se eu pudesse prever as consequências e fazer, assim, as escolhas mais convenientes?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Em outros termos, o que eu faria se me fosse dado configurar o “ótimo paretiano” de minha existência em nada extraordinária, mas bastante diferente da de muitos outros de minha geração? O que eu teria feito de diferente para, digamos, ficar rico, famoso e admirado? Bem, estou apenas usando uma figura de estilo. Nunca pensei em ficar rico, de verdade; embora, algumas vezes, as loterias, que eu não joguei, bem que poderiam ter ajudado a trocar algum carro velho. Mas todo mundo, pelos menos normal, sempre quer ser admirado pelos outros, o que implica ser famoso primeiro. Minhas vantagens comparativas nunca estiveram,&amp;nbsp;&lt;i&gt;hélas&lt;/i&gt;, nos esportes ou na música – sou o maior desafinado que jamais encontrei na vida e no mundo –, as duas áreas que mais rendem fama e dinheiro para os sortudos ou talentosos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Minhas (poucas) vantagens comparativas sempre estiveram naquele setor infelizmente tão depreciado e desvalorizado no Brasil: a educação e a cultura. Fui um rato de biblioteca desde o início, e não poderia ser de outro modo, ao residir perto de uma biblioteca pública infantil. Enfim, poderia, sim, ter sido diferente, se eu tivesse preferido ficar mais tempo jogando pelada na rua, com a molecada do bairro, em lugar de me enterrar na biblioteca todos os dias depois da escola, e ainda retirar livros para ler em casa, no exato momento em que ela fechava, às 6 horas da tarde. Quase todo dia, eu levava um ou dois livros para casa, tentando devolvê-los já no dia seguinte; não era fácil, pois ler na cama, à contraluz, não era uma das coisas mais confortáveis que se pode imaginar para o devorador de livros que eu era (ainda sou).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Mas então o quê: como seria com alguma reencarnação de encomenda? Será que eu poderia ter ficado famoso como jogador de futebol? Não acredito! Eu só era um pouco menos ruim jogando que cantando; não creio que teria feito uma brilhante carreira do lado dos esportes e certamente nenhuma no campo das artes. Melhor, assim, ter ficado com os livros, que pelo menos me deram prazer intelectual, sem que eu me arriscasse a desafinar ou a desmantelar a armação do time a cada página virada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Agora, retomando minhas opções preferenciais, como teria sido então? Com exceção de alguns poucos intelectuais de peso, quem, alguma vez, ficou famoso, no Brasil, por gostar de livros, ou por pretender ter uma carreira na educação, ou seja, no magistério e na redação de livros? Deveria eu trocar de reencarnação? Em qual tipo de personagem eu deveria reencarnar, exatamente? Teria de ser o contrário de tudo o que sempre gostei de fazer? Ler, refletir, escrever, eventualmente publicar o que resultar de tudo isso? Sei que jamais ficarei rico, muito menos famoso; mas quem sabe eu seria, enfim, admirado por todos aqueles que gostam dessas mesmas coisas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;OK, OK, então por onde começamos essa reencarnação dirigida para o que eu sempre gostei de fazer? Bem, eu recomeçaria exatamente pelo mesmo cenário infantil: uma biblioteca pública. O que mudaria, talvez, para aumentar minhas chances de sucesso no futuro projetado, seria a condição social de minha família: em lugar de pai e mãe que saíram da escola primária para trabalhar, pessoas de classe média. Não que eu tenha vergonha da pouca educação de meus pais, pois isso faz parte da vida, mas o fato é que eu cresci em uma casa sem livros e sem revistas ou jornais; seria preciso, pelo menos um pouco, dispor de dinheiro para comprar livros (e também aqueles sundays e banana-splits que eu cobiçava sem poder comprar).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Será que tudo é uma questão de dinheiro? Uma reencarnação com mais livros e mais dinheiro mudaria, de fato, a minha vida? Talvez ajudasse um pouco. Não creio que eu chegaria a ser, de verdade, muito diferente do que sou hoje: um amante dos livros, um obcecado por livros, um maluco que passa o seu tempo a ler, a refletir a partir dessas leituras e a escrever, colocando no papel as impressões de tudo isso. Um pouco mais de livros, não teria mudado essa “fatalidade”; afinal de contas, lendo o tempo todo, seria fisicamente impossível, talvez, ler mais ainda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Enfim, se eu tivesse crescido em outro meio social, talvez eu pudesse ter comprado os livros que não estavam à minha disposição, nas várias bibliotecas que frequentava intensamente, e talvez tivesse publicado mais cedo, tendo alcançado aquela fama – não exatamente narcisista – que permite ter livros resenhados na grande imprensa e comentados pela chamada&amp;nbsp;&lt;i&gt;intelligentsia&lt;/i&gt;. Isso eu confesso que não consegui fazer, e talvez o meu projeto de reencarnação poderia ter ajudado em algo nesse departamento. Quem sabe eu poderia reencarnar como editor de mim mesmo? (Não! Isso seria uma fraude contra as boas práticas da difícil profissão de editor; os honestos, quero dizer, pois também existem os que fazem ação entre amigos.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;OK, reconheço agora que não estou escrevendo o que disse que iria fazer, ou seja, um minitratado da reencarnação; para restar fiel aos exemplos precedentes desta minha série, esta deveria ser uma peça sistemática, expondo rigorosamente, isto é, “cientificamente”, as bases da reencarnação, para depois retomar literariamente meu “outro” destino neste mundo tão imprevisível. O que na verdade flui do meu teclado é uma espécie de minibiografia saudosista falando apenas da minha obsessão por livros e pela palavra escrita. O que posso fazer se não sou perito nessa coisa de reencarnação, e sequer acredito nesse tipo de baboseira? Bem, peço o perdão dos crentes sinceros nesse tipo de coisa, ou seja, as “almas puras”. Acredito, também sinceramente, que os reencarnados verdadeiros, quando inteligentes, sempre têm coisas boas para contar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Aqui entre nós, existem, de fato, reencarnados verdadeiros? Vocês também, como eu, não desconfiam dessas pessoas que pretendem ser a reencarnação de Cleópatra, de Júlio Cesar, de Napoleão? Nunca encontrei alguém que dissesse ter sido a reencarnação de algum escravo egípcio que construiu as pirâmides dos grandes faraós, que foi um dos assassinos do mesmo Cesar, ou um simples soldado de Napoleão, que morreu nas planícies geladas da Ucrânia, na inútil tentativa de voltar para casa. Alguém admite ter sido uma simples minhoca, como aquelas mães de tibetanos? Todos pretendem ter vivido algum personagem famoso. Blefe, tudo isso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Bem, voltando ao meu projeto de reencarnação, ou melhor, ao espírito deste meu minitratado, quero dizer simplesmente isto: o que todo mundo procura, afinal, numa eventual volta ao mundo em condições melhores do que as anteriores – sim, também não conheço ninguém que pretenda voltar pior – é que, salvo um acidente ocasional, uma surpresa do acaso, é a virtude de pelo menos ser feliz no amor. Como teria sido se, em lugar daquela timidez incontrolável, eu tivesse tido a coragem de falar com aquela loirinha da terceira fila, tê-la convidado para o cinema de domingo, supondo-se que eu também teria dinheiro para o sorvete na saída? Como teria sido se eu tivesse tido a coragem de dar-lhe um beijo, e declarar o meu amor eterno? OK, mudando agora de assunto: suponhamos que eu tivesse tido a chance de ter ajudado no trabalho escolar da filha daquele editor famoso, que ele tivesse em seguida me convidado para escrever meu primeiro livro para jovens do ensino médio? Eu já teria sido famoso antes de entrar na Faculdade, onde eu evidentemente assombraria os professores com a minha erudição fenomenal e precoce. Talvez fosse convidado para ser assistente daquele famoso sociólogo que depois virou presidente por acaso...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Mas que coisa: estou sonhando. Reencarnação não existe, e o melhor que podemos fazer por nós mesmos é levar esta vida terrena – a única de que dispomos – de forma responsável, tentando ser bons para nós mesmos, para todos os que nos cercam, sem esquecer a humanidade em seu conjunto (estou sendo exagerado e pretensiosamente generoso, claro). Creio que a essência e o princípio de tudo para merecer uma boa reencarnação – para os que acreditam nessas coisas, claro – é fazer isso mesmo o que acabo de escrever: deixar o mundo melhor, pelo menos um pouco melhor, do que aqueles que encontramos quando aqui chegamos. Afinal de contas, somos todos responsáveis pela administração deste pequeno planeta perdido na imensidão da galáxia. Boa sorte aos que reencarnarem. É melhor ser ativo aqui mesmo, sem perda de tempo e sem esperar um ponto de partida melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Ser responsável com o mundo e a espécie humana é difícil, mas isso se faz pelo trabalho honesto, pela participação cidadã nos negócios da comunidade, pela elevação material e espiritual – isto é, pela educação e cultura – de todos os que nos cercam e de todos aqueles que podem se beneficiar de nossas boas ações. Em resumo, devemos sempre visar bastante alto em nossos objetivos de vida, para que consigamos realizar pelo menos uma parte de tudo aquilo que almejamos. Isso, supostamente, nos traria um vale-brinde para a reencarnação, a ser descontado em algum momento de nossas vidas (inclusive, e de preferência, nesta aqui mesmo, na terrena). Pode também valer um ingresso em algum livro de recordações.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Em todo caso, boa sorte a todos os que miram na reencarnação. A minha, virtual, já está feita: ela se expressa naquilo que escrevo e publico.&amp;nbsp;&lt;i&gt;Vale&lt;/i&gt;!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-indent: 36pt;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: left;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;Brasília, 28 de fevereiro de 2011 [Revisão: 05/11/2011]&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-3617750422178196435?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/3617750422178196435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=3617750422178196435&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3617750422178196435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3617750422178196435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-reencarnacao-paulo.html' title='Minitratado da Reencarnação - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-768256658657136947</id><published>2011-02-12T21:50:00.000-02:00</published><updated>2011-02-12T21:50:12.484-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imaginação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratado'/><title type='text'>Minitratado da imaginação - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;b&gt;Minitratado da imaginação&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diferentemente dos animais – embora aqueles que se consideram “íntimos” dos animais não acreditam que eles sejam uma exceção à regra –, todos nós, humanos, possuímos a faculdade inata da imaginação. Alguns mais do que outros, pois conheço aqueles que sonham acordados (eu mesmo, por exemplo). A imaginação nos foi dada de graça, no ato da criação – e não vai aqui nenhuma interpretação religiosa da criação humana – e ela vem, por assim dizer, no pacote original junto com todos os outros sentidos, aqueles cinco da versão consagrada, e mais alguns – ditos paranormais – que circulam em volta da gente, do nosso cérebro e também do nosso coração (ou que pelo menos se aproveitam da distração de alguns desses sentidos tradicionais para se imiscuir sorrateiramente em nossas vidas).&lt;br /&gt;Mas a imaginação não é um simples sentido natural, e sim um ato da vontade, embora não possamos impedir nossa própria consciência de imaginar “coisas”. Mas essas coisas imaginadas são instruídas, orientadas, criadas e administradas por nós, como se fossemos um diretor de cinema ou de teatro, quando eles dizem aos atores como o script deve ser realmente lido e interpretado. A diferença é que estamos “dirigindo” nossas próprias vidas, ou aquela que imaginamos para nós. A imaginação também é um roteiro, um script que fazemos, que desfazemos, criamos e recriamos, modificamos e apagamos, o tempo todo, embora sempre sobra um resquício do que pensamos no fundo do cérebro, e que de vez em quando emerge contra a nossa própria vontade.&lt;br /&gt;É isso: a imaginação é um script rebelde, que não respeita a direção que acreditamos desempenhar, e que nem aceita nenhuma outra representação, senão aquela mesma que queremos dar, naquele momento, mas que por vezes escapa ao nosso controle, qual um filho rebelde, um adolescente independente. Esse roteiro tem páginas em branco, mas também sofre mudanças imperceptíveis, mesmo contra a nossa vontade. Ela é difícil de domar a imaginação. &lt;br /&gt;Será que, como nos tratados, ou minitratados (como este e alguns outros que já elaborei), a imaginação tem uma ordem pré-determinada, um arranjo fixo que dispõe sobre suas partes e componentes. Quais seriam? Talvez prólogo (ou preâmbulo), disposições preliminares (ou definições de conceitos), disposições principais, duração, membros do enredo (ou Estados partes), solução de controvérsias, cláusula de denúncia, disposições transitórias, local e data, assinatura do autor? Não creio. A imaginação – mesmo sendo objeto de um minitratado como este – não é assim tão burocrática e organizada, e sim caótica, errática, cheia de idas e vindas, conflitos íntimos e tensões externas, enfim, tudo aquilo que estamos no direito de esperar de uma imaginação dotada de plena capacidade para nos entreter, nos embriagar, trazer-nos alguma felicidade momentânea ou mergulhar-nos em algum estado depressivo temporário.&lt;br /&gt;O que move a imaginação? As paixões, certamente. O amor, talvez o ódio, o afeto, a ambição, a cupidez, o egoísmo – enfim, vocês acrescentem os outros pecados capitais – mas também a generosidade, o desprendimento, o interesse, a curiosidade e tudo aquilo que movimenta o cérebro humano, sobretudo e principalmente nosso meio ambiente, a família, as experiências na escola, no trabalho, na rua, na vida, enfim. Tudo suscita e alimenta a imaginação, e houve até um filósofo – minha imaginação não me ajuda agora a relembrar o seu nome – que sugeriu que a própria existência humana era um ato de imaginação. Os surrealistas certamente já produziram obras que são pura imaginação, e por isso fizeram sucesso (alguns até extorquiram muito dinheiro dos incautos, que geralmente têm pouca imaginação).&lt;br /&gt;Os desenhos animados, e até alguns filmes de ficção, costumam representar alguns espíritos malévolos como dotados de muita imaginação, geralmente retratados como aqueles personagens de testa alta, cérebro volumoso, neurônios agitados, quando não ligados a estranhos aparelhos que pretendem transformar essa imaginação – por definição perversa – em poder sobre os homens e sobre o mundo. Não gosto muito dessa “versão” da imaginação, e sim daquela que figura no script dos filmes românticos, das comédias espirituosas e otimistas, quando tudo no final se encaixa, para trazer toda a felicidade esperada aos dois heróis principais da história. Essa é sem dúvida a “imaginação” que todos gostaríamos que acontecesse conosco, pois ficamos o tempo todo torcendo para que o herói ou a mocinha superem os perigos que os cercam, escapem das garras dos vilões ocasionais e, por fim, se reencontrem ao final do script para nosso maior conforto e felicidade imaginária. &lt;br /&gt;Nem todo mundo tem direito a uma versão terrena, ou seja, real, desse roteiro otimista, com música de fundo, cenários coloridos, dos filmes que adoramos assistir em momentos de détente. Sim, nem todo mundo tem condições de se realizar numa vida feliz, sem preocupações materiais e sem angústias amorosas. Mas todos nós, sem exceção, temos direito a nossa quota de imaginação, ou a quanta imaginação pudermos “suportar”, ao longo de uma vida que é também feita de cruas realidades, de notas baixas na escola, de cobranças do chefe no trabalho, de lista de compras a serem feitas imediatamente, de louça na pia e de trastes para jogar fora. Tudo isso não nos impede de sonhar acordados, mesmo quando estamos cuidando da louça na cozinha, saindo para passear os cachorros ou empurrando o carrinho no supermercado (atenção para não se enganar de produto, ou levar o que não precisa...).&lt;br /&gt;A imaginação nos ajuda a suportar um mundo que pode ser momentaneamente insuportável, uma vida aborrecida, feita de frustrações ou de restrições materiais. Todos nós já nos imaginamos ganhando na loteria, com o que TODOS os nossos problemas estariam automaticamente resolvidos (ou pelo menos imaginamos que sim). Todos nós já imaginamos o amor perfeito, sem nenhuma briga, felicidade eterna e juventude idem... Enfim, sabemos que isso não existe, ou pelo menos não todo o tempo, mas não custa imaginar que sim...&lt;br /&gt;Quando é que vamos nos livrar da imaginação, aquela que nos impede de dormir imediatamente de noite, quando precisamos acordar cedo na manhã seguinte? Acho que nunca, pois isso é impossível: mesmo quando a gente se esforça para ficar com a mente limpa, com o cérebro em branco, para adormecermos mais rapidamente, lá vem a imaginação, sorrateira, atrapalhar nossos planos e prolongar a vigília noturna. Bandida imaginação, a roubar-nos horas de sono, a propor coisas impossíveis, realizando nossos desejos de ganhos, de vingança, de conquistas afetivas e de escapadas oportunas. Como é bom imaginar que aquilo possa de fato acontecer!&lt;br /&gt;Em nossa economia política da existência, a imaginação também obedece às misteriosas curvas da oferta e da demanda. Nós, como simples humanos, dotados de carências, vontades e desejos, demandamos imaginação, o tempo todo, numa curva infinita, quase uma reta, para cima, sempre. Nosso cérebro não se faz de rogado, e atende imediatamente a essas carências materiais ou virtuais e fornece todos os insumos de que necessitamos, quase uma cornucópia inesgotável obedecendo ao velho princípio socialista “a cada um segundo suas necessidades”. Mas aí, por algum motivo, nos chocamos com a realidade, com a disponibilidade de “fatores de produção”, e a curva é arrastada dolorosamente para baixo, até se encontrar com as possibilidades de atendimento da demanda. O ponto de equilíbrio – como em todas as equações econômicas – é sempre num nível mais baixo do que desejaríamos, pois como diriam os economistas realistas, não se pode ter canhões e manteiga ao mesmo tempo, pelo menos não nas quantidades desejadas. Temos de fazer escolhas, &lt;i&gt;hélas&lt;/i&gt;!&lt;br /&gt;Ao fim e ao cabo, a imaginação também nos ajuda nessas escolhas dolorosas, mas que têm de ser feitas: sabemos, por experiência e aprendizado, que temos de domar a imaginação, pelo menos no domínio dos meios materiais e da existência terrena. Mas nada nos impede de construir um mundo onírico, feito de imagens puras, pessoas ideais (até reais), situações e palavras agradáveis, totalmente submetidas ao nosso controle, como nesses teatros de bonecos, nos quais mexemos os personagens e inventamos as suas vozes, escolhemos suas palavras (que são aquelas que gostaríamos de dizer ou de ouvir, sem qualquer restrição da vontade alheia ou de &lt;i&gt;copyright&lt;/i&gt; proprietário).&lt;br /&gt;Como é bom imaginar que somos poderosos ao ponto de dominarmos até a imaginação de terceiras pessoas, que dirão exatamente aquilo que esperamos ouvir delas, e que farão, de vontade própria, tudo aquilo que esperamos que façam em nosso favor, em benefício recíproco, em satisfação mútua. Estou imaginando demais?&lt;br /&gt;Talvez, mas esta é a função de um minitratado como este: superar os limites legais, autorais, ou materiais, e deixar a imaginação correr solta, fazer tudo aquilo que uma imaginação fértil é capaz de fazer. Diferente da realidade, a imaginação não precisa ser alimentada, não depende de combustível ou de um motor de arranque. Só depende de nós mesmos, e de tudo aquilo que ousamos sonhar, de tudo aquilo que faz nossa felicidade, mesmo quando aparentemente não há esperança ou nos faltam os meios. A imaginação supre tudo isso, e é inesgotável, o próprio moto perpétuo.&lt;br /&gt;Imagino, pelo menos, que seja assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;(Brasília, 12 de fevereiro de 2011)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-768256658657136947?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/768256658657136947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=768256658657136947&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/768256658657136947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/768256658657136947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2011/02/minitratado-da-imaginacao-paulo-roberto.html' title='Minitratado da imaginação - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-1183024632639491858</id><published>2010-08-25T15:57:00.003-03:00</published><updated>2010-08-25T16:07:40.788-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Roberto de Almeida'/><title type='text'>Por que escrever poesia?</title><content type='html'>Existem duas razões básicas: por excesso de felicidade, ou por excesso de desespero; mais provavelmente a segunda razão do que a primeira.&lt;br /&gt;Almas felizes se deixam inebriar pelo enlevo e podem quedar-se estáticas, na contemplação da própria felicidade, gozando cada momento do nirvana, antes que acabe.&lt;br /&gt;Corações infelizes se interrogam continuamente sobre as razões de seu desespero e daí podem nascer as maiores obras da literatura, na prosa e na poesia.&lt;br /&gt;Poetas são seres desesperados que não deveriam ser deixados sós, mas eles mesmos buscam desesperadamente a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Shanghai, 26.08.2010)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Não costumo fazer poesia, tampouco prosa literária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-1183024632639491858?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/1183024632639491858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=1183024632639491858&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1183024632639491858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1183024632639491858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/08/por-que-escrever-poesia.html' title='Por que escrever poesia?'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6532958004261246477</id><published>2010-08-17T00:28:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T00:30:01.414-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ausencia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos Drummond de Andrade'/><title type='text'>Drummond, sobre a ausencia</title><content type='html'>Um poema apropriado às circunstâncias presentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A um ausente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Carlor Drummond de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho razão de sentir saudade,&lt;br /&gt;tenho razão de te acusar.&lt;br /&gt;Houve um pacto implícito que rompeste&lt;br /&gt;e sem te despedires foste embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detonaste o pacto.&lt;br /&gt;Detonaste a vida geral, a comum aquiescência&lt;br /&gt;de viver e explorar os rumos de obscuridade&lt;br /&gt;sem prazo sem consulta sem provocação&lt;br /&gt;até o limite das folhas caídas na hora de cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antecipaste a hora.&lt;br /&gt;Teu ponteiro enlouqueceu,&lt;br /&gt;enlouquecendo nossas horas.&lt;br /&gt;Que poderias ter feito de mais grave &lt;br /&gt;do que o ato sem continuação, o ato em si,&lt;br /&gt;o ato que não ousamos nem sabemos ousar&lt;br /&gt;porque depois dele não há nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho razão para sentir saudade de ti,&lt;br /&gt;de nossa convivência em falas camaradas,&lt;br /&gt;simples apertar de mãos, nem isso, voz&lt;br /&gt;modulando sílabas conhecidas e banais&lt;br /&gt;que eram sempre certeza e segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tenho saudades.&lt;br /&gt;Sim, acuso-te porque fizeste&lt;br /&gt;o não previsto nas leis da amizade e da natureza&lt;br /&gt;nem nos deixaste sequer o direito de indagar&lt;br /&gt;porque o fizeste, porque te foste.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;[Postado em Shanghai, 17.08.2010]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6532958004261246477?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6532958004261246477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6532958004261246477&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6532958004261246477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6532958004261246477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/08/drummond-sobre-ausencia.html' title='Drummond, sobre a ausencia'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-2273934312014628702</id><published>2010-03-08T17:27:00.001-03:00</published><updated>2010-03-08T17:27:55.007-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memorias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Paulo Roberto de Almeida'/><title type='text'>32) Uma questão de caráter, uma questão de escolhas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma questão de caráter, uma questão de escolhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Em vôo de São Paulo a Paris, 6.03.2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no século 21 e este, coincidentemente, é o meu trabalho 2121, uma redundância nos números, talvez, mas uma ocasião, como poucas vezes tenho, de escrever livremente, leve e solto, no ar, sem uma agenda determinada previamente ou algum esquema pré-ordenado, como raramente acontece. De fato, estou no ar, mais exatamente num vôo de São Paulo a Paris, a caminho de Shanghai, para mais uma viagem exploratória em torno de meu próximo posto, que será a responsabilidade de representar o Brasil na Shanghai Expo 2010, de maio a outubro deste ano, missão que em breve terá início. A chance de estar voando, no silêncio da noite, depois que todos os serviços de bordo terminaram, enquanto muitos dormem e alguns assistem filmes ou clipes no sistema de vídeo, constitui justamente uma oportunidade reflexiva e introspectiva, ao ter constatado que este seria o trabalho 2121 (se terminado). &lt;br /&gt;Não por um oportunismo piegas, mas pela simples razão de que sempre aproveito esse tipo de ocasião para refletir sobre o que já fiz e para planejar sobre o que ainda pretendo fazer, tomo a oportunidade desta coincidência numérica para efetuar um pequeno balanço do período que passou e especular sobre os próximos meses, concretamente de aqui até o final do ano. O período que passou pode ser tanto a fase recente, os últimos meses de preparação para a estada na China, como os últimos sete anos, nos quais muita coisa aconteceu, algumas boas, outras menos boas.&lt;br /&gt;Desde setembro de 1999, quando parti para Washington, até setembro de 2009, quando reintegrei os quadros do Itamaraty – que de fato não havia deixado, acontecendo apenas de estar sem funções na Secretaria de Estado, o que não foi, obviamente escolha minha – atravessei o que poderia ser chamado de meu deserto particular, uma longa travessia pelas estepes inteiramente identificada com escolhas políticas e idiossincrasias pessoais. Não posso dizer que não tenha sido responsável pelo longo ostracismo, provavelmente em função de minha propensão a sempre externar o que penso e a colocar no papel, e publicar, exatamente essas ideias que podem chocar alguns e surpreender a outros. Não tenho o que esconder ou tentar dissimular: todos os meus trabalhos – com exceção de alguns inéditos e dos working files, ainda mais numerosos – estão relacionados em duas listas sequenciais (de originais e publicados) e rigorosamente disponíveis em meu site pessoal. Não tenho o que esconder, e não tenho, justamente, por que esconder as minhas posições, que sempre foram manifestadas com toda a honestidade intelectual de que sou capaz, posto que não me dobro a conveniências políticas nem me dedico – isso jamais – a agradar pessoas ou a cultivar representantes políticos de qualquer espécie. &lt;br /&gt;Não tenho o culto da autoridade – provavelmente o contrário – e não costumo manter relações apenas pela busca de vantagens pessoais ou profissionais. Tenho consciência de meu papel, enquanto servidor público, e tento servir mais à nação do que às pessoas, mais ao Estado do que ao governo, mais a certos princípios do que a vantagens momentâneas. Sei que confrontei muitos, por defender políticas não convencionais, mas não tenho a pretensão de defender causas que não são as minhas, por mais que elas recolham o consenso do momento. Pago o preço, hoje, dessa mania de querer discutir programas, políticas e medidas pela seu lado racional, pela análise de custo-benefício, pelo exame das alternativas possíveis e pela decisão final com base no melhor retorno alcançável. Talvez eu seja apenas um principista irrealista, mas é assim que sou e não tenho a intenção de mudar agora. &lt;br /&gt;Tendo justamente expressado o que penso, e assumido responsabilidade pelas ideias que defendo, e que não me escuso de defender, carreguei o peso do exílio, um segundo em minha vida, apenas que desta vez involuntário. Como o primeiro exílio, este durou sete anos, período que aproveitei para ler, muito, pensar, bastante, escrever, outro tanto, e também publicar algumas coisas, não poucas segundo alguns, que talvez tenham alguma validade mais do que ocasional ou temporária. Nas duas ocasiões, “introspectei” muito, se ouso inventar um verbo a partir de um substantivo. Pude pensar na minha parte de responsabilidade sobre as situações que foram as minhas nas duas oportunidades, e elas provavelmente não foram poucas. O ardor juvenil pela causa transformadora levou-me ao primeiro exílio, a decisão de dizer o que pensava sobre as transformações em curso no período maduro acarretou o segundo exílio, não menos reflexivo e ainda mais estudioso do que o primeiro. &lt;br /&gt;A tranqüilidade de olhar para trás e dizer que eu fiz o melhor que pude nas circunstancias dadas me confortou sempre nos piores momentos do isolamento e da travessia do deserto, tendo eu a certeza de que defendi os bons princípios quando eles estavam sendo violados ou contornados. Eu sempre me perguntei por que tanta gente é incapaz de contemplar a realidade e de chegar a conclusões sensatas que sejam capazes de produzir a felicidade para o maior número. Sempre pensei que fosse por pura ignorância, daí minha obsessão com o estudo e minha dedicação paralela – não sem algum sacrifício pessoal e familiar – a atividades didáticas e docentes, sob a forma de aulas e da publicação de textos que estão geralmente voltados para o público jovem de nível universitário. Descobri também que nem todos atuam por ignorância; existe também a má-fé, o oportunismo, o mau-caratismo e até mesmo o calhordismo, à falta de outras expressões mais contundentes. Adicionalmente, descobri que esses traços de caráter – ou falta de – se encontram mais disseminados em torno do poder, o que não deixa de ser compreensível, posto que quem busca o poder ou é muito idealista, ou é muito ambicioso (sendo generoso, neste segundo caso). &lt;br /&gt;Não tendo cultivado, jamais, qualquer vontade de poder, provavelmente eu sou ingênuo ao julgar certas pessoas numa primeira abordagem, pois parto do princípio que todos estão, prima facie, orientados ao bem comum, o que muito raramente é o caso (mas isso só se aprende depois). Não tenho por que julgar agora certos atores de meu itinerário recente, embora eu devesse fazê-lo, pelo simples dever do praticamente amador da arte da História. Vou cumprir essa tarefa no momento oportuno, depois de alguma reflexão e muita ponderação.&lt;br /&gt;No momento, ao deixar registro destas poucas reflexões a meio do caminho de minha primeira etapa de viagem, desejo apenas consignar minha intenção sincera de prosseguir no caminho que adotei desde muito cedo, este traço de caráter que ainda é o do garoto de biblioteca, e estas escolhas que são as minhas de fazer do ofício de escrevinhador introspectivo uma segunda natureza de minha vida, talvez mais importante do que as atividades públicas e o exercício profissional na burocracia do Estado. Estou seguro de que minhas opções de vida foram conscientemente pesadas para serem permanentes, preservando escolhas básicas das quais só posso me orgulhar. Ainda tenho opções a serem feitas nos anos à frente, mas elas não serão radicalmente diferentes daquelas que deram sentido à minha vida até o presente momento. Vou persistir naquilo que sempre fiz: ler, pesquisar, estudar, refletir, formular a síntese a que cheguei como resultado desse empenho na atividade intelectual, e depois escrever o que me parece mais inteligível ao maior número de jovens que porventura tiverem acesso aos meus trabalhos. &lt;br /&gt;Que os bons valores persistam, em toda e qualquer ocasião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vôo, SP-Paris, 6-7/03/2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-2273934312014628702?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/2273934312014628702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=2273934312014628702&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2273934312014628702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2273934312014628702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/03/32-uma-questao-de-carater-uma-questao.html' title='32) Uma questão de caráter, uma questão de escolhas'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-2036558958972319530</id><published>2010-01-16T02:12:00.003-02:00</published><updated>2010-03-08T17:27:13.531-03:00</updated><title type='text'>31) Uma mensagem de final de ano, um outro final de ano...</title><content type='html'>O que foi escrito abaixo, me foi remetido de volta por um colega, posto que eu escrevi e nunca mais me lembrei dessa mensagem de final de ano, escrita um pouco mais de dois anos atrás, nessas trocas de cumprimentos festivos que sempre fazemos nessas ocasiões.&lt;br /&gt;Eu a transcrevo pois ela reflete um retrato de um momento, uma avaliação de situação, que certamente foi mais do que confirmada desde então.&lt;br /&gt;Com poucos cortes, por razões puramente de conveniência (e também para atender a critérios da Lei do Serviço Exterior), eu a transcrevo aqui, apenas como registro do que eu pensava, no final do 2007, e que continuo a pensar hoje, início de 2010: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"From: pralmeida@mac.com&lt;br /&gt;To: (xxx)&lt;br /&gt;Subject: Fim de ano&lt;br /&gt;Date: Fri, 21 Dec 2007 11:34:02 -0200&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico muito sensibilizado pelo seu apoio, meu caro. Não se preocupe mais. O Itamaraty tem uma cultura muito especial e eu nunca fui muito adepto das manias e trejeitos dos diplomatas. Trata-se de uma Casa ultra competitiva, com muita dose de enquadramento nos rituais internos para que essa competicao seja bem sucedida no plano individual, e eu nunca pretendi me enquadrar no estilo. Sempre fiquei no meu canto, estudando, escrevendo, falando com sinceridade aquilo que me parece negativo do ponto de vista da pura racionalidade instrumental, e acredito hoje que essas nãoo são as qualidades requeridas para se triunfar na Casa.&lt;br /&gt;Acredito mesmo que poucos diplomatas têm cultura econômica verdadeira, e se prestam a analisar a politica externa do ponto de vista daquilo que os economistas chama de custo-oportunidade do capital, ou seja, a eficiencia paretiana, o melhor emprego dos recursos, calculo sobre retorno de investimentos, etc. Tudo é feito de forma muito politizada e de forma absolutamente irracional. Basta ver, por exemplo, (...). Tudo isso é claramente absurdo e no entanto se faz, ao arrepio de qualquer racionalidade administrativa ou mesmo política.&lt;br /&gt;Tempos (...) para o Itamaraty.&lt;br /&gt;Vou continuar minha trajetoria de estudos, com serenidade, mantendo minha dignidade intelectual, mesmo na adversidade atual.&lt;br /&gt;By the way, terminei um trabalho sobre o regionalismo sul-americano, de que lhe dou conhecimento em primeira mao. Agora estou tentando terminar um trabalho sobre o impacto do AI-5 no Itamaraty. Se voce tiver algum depoimento a prestar, com base neste questionario-guia que eu preparei, sinta-se a vontade.&lt;br /&gt;Muito grato pelas suas palavras.&lt;br /&gt;O grande abraco e felicidades.&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida" (21.12.2007)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao receber a mensagem, desse amigo, agreguei agora estas palavras:&lt;br /&gt;"Grande Xxxxx, capaz de guardar uma mensagem que havia desaparecido completamente de minha memoria e certamente de meus registros textuais, que so computam trabalhos escritos e terminados.&lt;br /&gt;Grato por me retransmitir. Vou refletir sobre ela.&lt;br /&gt;Nada mudou para mim no plano individual, mas como voce sabe, eu sempre coloquei a honestidade intelectual a frente de minha condição profissional, e certamente também para a PExtBr,....&lt;br /&gt;Tempos... que vao ficar como um travo amargo para todos e cada um de nós, mesmo nos colaboracionistas, tenho certeza.&lt;br /&gt;O grande abraco do &lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida"(16.01.2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-2036558958972319530?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/2036558958972319530/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=2036558958972319530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2036558958972319530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/2036558958972319530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/01/32-uma-mensagem-de-final-de-ano-um.html' title='31) Uma mensagem de final de ano, um outro final de ano...'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-375649236873784503</id><published>2010-01-11T05:02:00.003-02:00</published><updated>2010-03-08T17:25:51.652-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PRA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memorias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ginasio Vocacional Oswaldo Aranha'/><title type='text'>30) What a Difference a School Makes - Meu depoimento sobre o Ginasio Vocacional</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;What a difference a school makes...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O traço todo de minha vida no Vocacional Oswaldo Aranha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Aluno da primeira turma (1962-1965) do Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha&lt;br /&gt;(Avenida Portugal, Brooklin, São Paulo, SP)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O traço todo da vida é para muitos um desenho da criança esquecido pelo homem, mas ao qual ele terá sempre que se cingir sem o saber...”, escreveu Joaquim Nabuco no começo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Minha Formação&lt;/span&gt; (1900), quando ele se refere ao período transcorrido no Engenho Massangana, no qual passou os primeiros oito anos de sua vida e onde recolheu suas primeiras impressões sobre o mundo. Nabuco continua dizendo que esses anos teriam sido decisivos na constituição de sua personalidade: “Pela minha parte acredito não ter nunca transposto o limite das minhas quatro ou cinco primeiras impressões...”&lt;br /&gt;De minha parte, o traço todo de minha vida foi indelevelmente marcado pelos quatro anos que passei, adolescente, no Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha, inaugurado em 1962 justamente pela minha turma, pioneiríssima de uma experiência inédita no Brasil, de educação integral e radicalmente diversa de tudo o que se fazia até então em matéria de formação de jovens. A “minha formação”, se eu tivesse de escrever um livro equivalente de memórias, teria de reservar um largo espaço ao Vocacional, tão importante ele foi para a formação de meu caráter, para a definição de minhas orientações intelectuais, das minhas quatro ou cinco primeiras impressões do Brasil e do mundo. Ao “Ginásio” devo o que sou, hoje, e o reconheço plenamente, com toda a saudade que uma memória fugidia pode trazer para a mente do homem maduro, que sou hoje, esses anos de juventude passados num ambiente verdadeiramente excepcional para o jovem que eu era no começo dos anos 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Minha Formação&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Até onde minha mente alcança, no recuo para as origens, me vejo um garoto brincalhão, num bairro rarefeito da então periferia da cidade de São Paulo, quase às margens do rio Pinheiros, numa pequena rua de terra, cercada de terrenos baldios – onde a “molecada” (esse era o termo) do bairro disputava animadas peladas de futebol, corridas de pegar, piques, pião, taco e outras brincadeiras típicas de garotos de famílias modestas –, zona repicada de casas simplórias de alvenaria, praticamente nenhum edifício ou construção mais imponente, no que era então a Chácara Itaim (mais tarde chamado de Itaim-Bibi, para distinguí-lo de outro bairro com o nome de Itaim Paulista). Além de brincar na rua, também freqüentava o Parque Infantil, ou seja, a pré-escola municipal – da qual me lembro da gangorra e da merenda à base de leite e pão com goiabada – e, mesmo antes de aprender a ler, a Biblioteca Infantil, para jogos de salão e as sessões de cinema às quintas-feiras: Os Três Patetas, Gordo e Magro, Roy Rogers, Tarzan e Oscarito e Grande Otelo eram os filmes habituais, numa época em que o cinema nacional era feito sobretudo dessas comédias-pastelão.&lt;br /&gt;Esse era o lado risonho de uma existência bem mais dura, posto que meus pais, ambos com primário incompleto, não tinham condições de assegurar sequer o mínimo para manter o lar, então uma modesta casinha com dois cômodos nos fundos de um terreno relativamente grande para os padrões de renda que eram os nossos. Aliás, falar de renda seria um exagero, pois que os ganhos conjuntos de meu pai, um modesto motorista de entregas numa torrefação de café, e os de minha mãe, como lavadeira “para fora”, certamente não alcançavam para todas as necessidades da casa. Eu e meu irmão Luiz Flávio tivemos portanto de trabalhar, desde muito cedo, primeiro recolhendo restos de metal nos fundos de uma fábrica – para revendê-los ao ‘ferro-velho’ –, depois como pegadores de bolas de tênis no Clube Pinheiros, mais adiante como empacotadores à base de gorjetas no supermercado Peg-Pag; lembro-me da lanchonete de estilo americano na esquina do comércio, da qual eu cobiçava (sem ter dinheiro para comprar) sobretudo os sundays e os banana-splits. &lt;br /&gt;Ao aprender a ler, na tardia idade de sete anos, pude finalmente começar a freqüentar de verdade a Biblioteca Infantil Anne Frank, onde devo ter passado o essencial de minha infância e pré-adolescência: deixando os jogos de lado, eu ficava o tempo todo na sala de leitura, de onde também retirava, dia sim, dia não, dois ou três livros para continuar a leitura em casa, de noite, deitado na cama, à contra-luz; Monteiro Lobato, obviamente, e tudo o mais que me interessasse. Farei, em outro depoimento, a relação de minhas leituras juvenis, mas não poderia deixar passar o História do Mundo para as Crianças, adaptado por Monteiro Lobato de uma edição americana, um livro que foi verdadeiramente decisivo em minha formação e em minha orientação para os estudos humanísticos: devo tê-lo lido várias vezes, pois que, ao entrar para o Vocacional, eu era um “craque” – segundo a gíria da época – em todas as fases da História, da antiguidade à era moderna e mais além. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Grande Transformação&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Terminando os estudos primários na Escola Pública Municipal Aristides de Castro, a dez minutos de caminhada de casa, ainda fiz um “quinto ano” – que não era obrigatório, e muitos alunos de minha condição deixavam então o ensino formal – na mesma escola, sendo esse o caminho de “admissão” (o nome alternativo desse ano suplementar) para os estudos ginasiais, ou seja, o começo do segundo ciclo no Brasil, nessa época composto de “ginásio” e “colégio”, a última fase antes do terceiro grau.&lt;br /&gt;Ninguém na minha família estendida tinha chegado então ao segundo ciclo e a opção que se apresentou aos meus pais foi a de uma escola técnica, para me dar de imediato uma formação profissional, uma inserção direta na vida ativa, com menos de 14 anos. Lembro-me de ter visitado, com minha mãe, uma escola de artes industriais do sistema Senai, com a intenção de uma possível inscrição no curso de marcenaria, a “profissão” que mais me seduzia no universo provável das modestas possibilidades de uma família sem recursos próprios da periferia de São Paulo. &lt;br /&gt;Não me lembro bem agora exatamente por que, talvez porque não houvesse vagas no curso de marcenaria para mim, uma alternativa se abriu vinda de não sei bem onde, provavelmente um anúncio de jornal: a outra opção seria tentar uma aprovação em concurso para um novo tipo de ensino que estava sendo inaugurado pelo governador de São Paulo, Carvalho Pinto, os ginásios vocacionais, cinco ao todo no estado de São Paulo. A seleção era rigorosa, envolvendo provas em várias matérias e entrevistas, nas quais devo ter tido um bom desempenho (sinceramente não me lembro dessa parte), posto que fui imediatamente chamado para a inscrição. &lt;br /&gt;O “problema” que então se colocou era de ordem financeira, ou talvez, mais exatamente, orçamentária: esse ginásio inédito exigia freqüência integral, em lugar das três ou quatro horas dos ginásios tradicionais, o que colocaria minha família em “dificuldades”. Com efeito, os modestos aportes meus e de meu irmão, em nossas atividades “pecuniárias”, faziam parte integral do orçamento do lar, e minha retirada do “mercado de trabalho” provocaria um déficit primário nos seus recursos líquidos. A “grande transformação” em minha vida foi representada pela decisão familiar de que o garoto de doze anos recém completados que eu era, merecedor pelo sucesso na seleção, seria dispensado dos trabalhos remunerados para seguir quase integralmente a via dos estudos de segundo ciclo, de certa forma um “privilégio de classe”. Foi, provavelmente, o tournant mais importante dessa fase juvenil e para o resto da vida.&lt;br /&gt;Quando digo “dispensado de trabalhos remunerados”, isso não é totalmente correto, posto que continuei, aos sábados pelo menos e provavelmente aos domingos também, a empacotar compras no supermercado Peg-Pag, praticamente durante todo período de estudos ginasiais. Quando se vem de uma família extremamente modesta como era a minha, nenhum aporte é dispensável para o mínimo de conforto de que desfrutávamos. Não tínhamos, obviamente, nem televisão, nem telefone em casa, se tanto um aparelho de rádio, o que de certa forma deve ter contribuído para meus hábitos de leitura intensa e, certamente, aplainou facilmente meu ingresso tranqüilo na seleção dos vocacionais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Finalmente, o Ginásio Estadual Vocacional Oswaldo Aranha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Aos doze anos, com uma grande “cultura histórica universal” – especialmente na antiguidade egípcia e grega clássica –, eu dispunha, no entanto, de escassa cultura política brasileira contemporânea, e não tinha a menor idéia de quem fosse Oswaldo Aranha, que não podia, assim servir de premonição para a minha carreira futura na diplomacia. Minha entrada no Vocacional Oswaldo Aranha representou, sem qualquer sombra de dúvida, a mais importante ‘ascensão social’ em minha vida, antes do próprio ingresso na carreira diplomática, constituindo, portanto, uma espécie de ruptura entre o passado modesto, numa família de classe média baixa (provavelmente menos do que isso), e um futuro então em construção e largamente indefinido.&lt;br /&gt;Talvez não tenha sido uma ruptura consolidada, pois que me lembro de que, em certas fases, minha mãe cogitou de me tirar do Vocacional para me colocar num ginásio tradicional, como meu irmão maior, por razoes sempre pecuniárias: não apenas eu não contribuía mais para o orçamento da casa, como passei a representar um ‘peso’, posto que o Vocacional tinha grandes exigências em se tratando de material de estudo e de atividades extra-classe (pagamento de ônibus de viagem, dinheiro de bolso para essas saídas etc.). Todos os meus colegas, com pouquíssimas exceções, eram de famílias de classe média, algumas até abastadas, o que era visível em traços exteriores – a despeito do uniforme e da democracia ambiente – e nas referências às compras, aos objetos pessoais, aos filmes e discos. Também tínhamos essas festinhas de fim de semana, nas casas de colegas, animadas a Cuba Libre (rum com Coca-Cola, para os mais jovens) e Hi-Fi (vodka com Fanta), música dos Beatles naquelas ‘bolachas de vitrola’ (acho que muita gente hoje não tem idéia do que seja). Eu freqüentava todos os eventos, mas por vezes não tinha condições de pagar toda a programação escolar, ou convidar de volta os colegas de classe, para uma casa que nunca teve ‘vitrola’ nem bebidas daquele tipo, sequer sala ou garagem para os bailinhos. &lt;br /&gt;Tirante esses ‘constrangimentos’ – os do próprio ginásio resolvidos muito amigavelmente com a ajuda da psicóloga Gloria Pimentel e da pedagoga Olga Teresa Bechara –, o Vocacional representou uma das mais vibrantes aventuras intelectuais de minha vida, talvez a mais importante que um jovem como eu poderia esperar receber de uma instituição de ensino. Para ser mais exato, tenho certeza de que seguiria, de qualquer forma, uma carreira ‘intelectual’, posto que desde o primeiro momento que me aproximei dos livros, fui fisgado pelo seu extraordinário poder de sedução e nunca mais consegui me desvencilhar do feitiço que eles carregam. Mas, a passagem por um ginásio tradicional ou o desvio para uma escola técnica provavelmente me fariam perder anos de ensino excepcional e me retirariam a motivação para perseguir o que sempre gostei de fazer: ler (todo tipo de leitura), escrever (sempre), pesquisar e, se possível, publicar os meus textos. Com o Vocacional, eu fiz tudo isso; sem ele, eu teria tido menos chances, se alguma, de avançar nos meus objetivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O que o Vocacional tinha de diferente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, uma educação humanista, no sentido mais renascentista do termo. Em segundo lugar, professores especialmente preparados e motivados para essa experiência inédita no Brasil, uma metodologia radicalmente inovadora de ensino, envolvendo os estudantes e os professores num aprendizado integral. Em terceiro (e mais importante) lugar, concepções pedagógicas revolucionárias quanto ao relacionamento entre mestres e alunos. &lt;br /&gt;Passávamos todo o dia no ginásio, às vezes mais do que isso, com as freqüentes visitas e saídas em trabalho de grupo, no município, no estado, no Brasil. Tivemos visitas recíprocas entre os ginásios vocacionais de São Paulo, aliás, os únicos do Brasil, e aprendemos a fazer pesquisa sobre a comunidade, sobre o meio geográfico, sobre as historias respectivas. Foi no Vocacional que eu comecei a manipular “instrumentos de adultos”, como a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros e outras ferramentas especializadas. Foi o Vocacional que nos levou, garotos de 13 ou 14 anos, ao encontro de professores da USP, como Sérgio Buarque de Holanda, Ulpiano Bezerra de Menezes e vários outros. No Vocacional adquiri consciência do mundo: lembro-me perfeitamente de uma palestra com Oliveiros da Silva Ferreira, quem primeiro informou-me sobre a crise dos foguetes em Cuba e o bailado sinuoso da geopolítica bipolar e do equilíbrio do terror pelas armas nucleares das duas super-potências.&lt;br /&gt;Foi a partir do Vocacional que adquiri independência e disposição para me aventurar sozinho pelo mundo, quando a ocasião se apresentou ou quando a necessidade se impôs. O Vocacional completou a “minha formação” de uma maneira que nenhuma outra instituição poderia ter feito, nem jamais conseguiu fazer novamente, depois do desmantelamento do sistema vocacional no seguimento do Ato Institucional n. 5 e a prisão de sua grande promotora, inspiradora e diretora, Maria Nilde Mascellani. Eu também fiquei diferente no Vocacional. Do garoto brincalhão, mas introspectivo e leitor compulsivo, tornei-me um adolescente desinibido, participante e continuei um leitor compulsivo. O Vocacional manteve isso...&lt;br /&gt;Não posso dizer que eu tenha me aborrecido um só dia no Vocacional, ao contrário: todos os dias tínhamos algo novo no ginásio, uma atividade diferente, uma nova parte do programa, o calendário a ser seguido, mas sempre com alguma surpresa no caminho. Fiz excelentes amigos no Vocacional, que conservo até hoje, a despeito mesmo de ter “desaparecido” do Brasil um pouco depois de terminar o colegial e de ter ingressado na Faculdade, e de ter desaparecido no mundo por muitas décadas depois disso. Não vou mencionar meus amigos mais chegados, para não cometer injustiça com ninguém, mas lembro-me de ter iniciado a redação de um romance de aventuras para jovens – do mesmo tipo dos que eu lia naquela fase – com dois deles, que permanecem meus amigos até hoje.&lt;br /&gt;Lembro-me também de muitas aulas, em especial daquelas que mais me prendiam pelo seu conteúdo, já totalmente identificado com minhas afinidades eletivas por toda a vida: eram duas, as de geografia com Dona Odila, as de História com a Professor Terezinha. Em contrapartida, as aulas de Matemática, com a Professor Lucila Bechara, irmã de Olga, sempre me deixaram inconfortável, e até hoje mantenho uma distância respeitosa da matéria (o que não deixo de lamentar, pois a matemática é a base de todo pensamento rigoroso, em especial na economia). As aulas de Educação Física podiam ser agradáveis quando se tratava de jogar handball, com o Professor Frank, mas a ginástica nunca me encantou muito. Mas, tínhamos aulas de tudo o que se podia imaginar numa escola “normal” e muitas outras coisas mais: Artes Plásticas, Artes Industriais, Musica, Economia Doméstica e outras ainda de que nem me lembro. Um depoimento decente de alguém lembrará isso por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneci no GEVOA de 1962 a 1965, anos bastante conturbados no Brasil, quando tomei conhecimento, e consciência, dos problemas do país de uma forma provavelmente menos maniqueísta do que em outras instituições. Creio que sai algo “esquerdista” de lá, como aliás correspondia à juventude progressista de então, no meu caso propensão ainda reforçada pelo fato de minhas origens ditas ‘populares’ e supostamente inclinada a contestar um sistema injusto, feito de exploração capitalista e de dominação imperialista, que convinha acabar, segundo um modelo não muito diferente do que vigia em Cuba.&lt;br /&gt;Quando segui para o “clássico”, no Colégio Estadual Ministro Costa Manso, bem mais próximo de casa do que o Vocacional, comecei imediatamente a participar das passeatas e manifestações contra a ditadura militar e o imperialismo estrangeiro, uma transição quase natural para quem tinha sido educado num ambiente de diálogo e até de contestação às idéias estabelecidas. Também comecei a ler toda a literatura engajada que fazia parte dos currículos oficial e não oficial das faculdades de ciências sociais, autores dos quais eu já tinha ouvido falar no Vocacional, alguns até presentes em minha biblioteca pessoal, que começava então a crescer. Nesses anos, de 1966 a 1968, estudando a noite e trabalhando de dia no centro da cidade, eu freqüentava as bibliotecas Mario de Andrade, municipal, a universitária da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a corporativa do Centro das Indústrias de São Paulo, e as bibliotecas americanas da USIA, no Consulado americano da Avenida Paulista, e do Centro de Estudos Brasil-Estados Unidos (Cebeu), e poderia facilmente citar de memória muitos livros que retirei em cada uma dessas bibliotecas. &lt;br /&gt;O Vocacional me tinha preparado para ler literatura de nível universitário numa idade muito precoce e, mais tarde, quando entrei para o curso de Ciências Sociais da USP, eu já conhecia, em grande medida, os autores compilados na bibliografia de referência, pelos menos os brasileiros. Eram os mesmos de que nos falavam os professores no ginásio e isso me foi especialmente gratificante no plano intelectual. Não creio que qualquer outra escola, pública ou particular do ciclo ginasial, teria permitido a um jovem como eu, vindo de uma família que praticamente não dispunha de livros em casa, um contato tão intenso com os mestres das ciências sociais brasileiras, em especial com os gurus da chamada Escola Paulista de Sociologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinceramente lamento que muitos dos papeis acumulados nesses anos de estudos secundários tenham sido perdidos quando de minha partida apressada para a Europa, nos tempos mais duros da ditadura militar no Brasil, da qual eu fui um dos muitos opositores frustrados com nossa incapacidade organizacional em derrubá-la. Provavelmente foi melhor assim, pois já nessa época, nossa adesão ao socialismo e oposição à “democracia burguesa” não prenunciava nada de bom para o futuro do Brasil (mas isso eu só vim a constatar alguns anos mais tarde).&lt;br /&gt;Lamento também que muitos dos escritos dessa fase juvenil tenham sido perdidos, quando foi no Vocacional que “publiquei” meus primeiros artigos. Felizmente, uma reunião de vários colegas dessas primeira turma, em 2004, me permitiu recuperar uma poesia ingênua, dessa fase – não exatamente publicada, apenas redigida no “caderno de lembranças” de uma colega de classe –, e dois textos minúsculos que saíram no jornalzinho dos alunos, um deles comemorando a vitória das ‘meninas’ do handball contra uma equipe adversária de outro ginásio da região. Talvez não seja o caso de refazer minha lista de publicados, para retroceder vários anos na recuperação desses textos de jornalista amador, mas certamente é um motivo de orgulho ter podido encontrar um espaço totalmente livre, no Vocacional, para realizar os primeiros exercícios de um talento que imagino ter conservado até hoje: a capacidade de observar a realidade, redigir algo compreensível em torno disso e ver o texto publicado e divulgado para um público mais amplo.&lt;br /&gt;Enfim, o Vocacional foi uma escola de verdade, uma escola completa, no mais puro sentido dessa palavra; ao ginásio devo alguns dos momentos mais felizes de minha vida, um oásis de inteligência e cordialidade, num ambiente de convivência totalmente aberta e sincera, num momento em que o Brasil descia na escala da convivência democrática. Foi uma das fontes de meu enriquecimento intelectual e a ele devo muito do que me tornei na vida adulta e do que sou ainda hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diferença faz uma escola!&lt;br /&gt;E a diferença foi o Vocacional...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Brasília, 10 de janeiro de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-375649236873784503?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/375649236873784503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=375649236873784503&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/375649236873784503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/375649236873784503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/01/31-what-difference-school-makes-meu.html' title='30) What a Difference a School Makes - Meu depoimento sobre o Ginasio Vocacional'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6359471963984205399</id><published>2010-01-01T18:25:00.001-02:00</published><updated>2010-01-01T18:26:17.557-02:00</updated><title type='text'>29) Memórias Intelectuais</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma biografia das ideias que permearam a minha vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Concepção e primeira redação em 18.10.2009 (numa dessas noites de insônia)&lt;br /&gt;Revisão: 22.12.2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena introdução que se poderia chamar de metodológica &lt;br /&gt;Comecei a conceber a redação destas “memórias intelectuais” numa dessas noites de insônia que me acontecem frequentemente. Não que eu seja um insone ou que tenha dificuldades para dormir, ao contrário: como estou sempre lendo, ou escrevendo, no limite de minhas possibilidades físicas, quando vou dormir já estou dormindo em pé, ou sentado em frente ao computador, não sendo raro que eu cochile quase em cima do teclado, abatido pelo cansaço do dia, das muitas leituras, da fadiga visual em face da tela, da falta de sono enfim. Quando vou para a cama, portanto, caio como uma pedra e durma apenas o suficiente, pois necessariamente tenho de acordar antes de ter feito o ciclo completo de sono, antes de gozar daquele sono reparador que todos os médicos recomendam, seja porque tenho de trabalhar, seja porque tenho de dar aulas, o que para mim não é exatamente o mesmo que um trabalho, e sim o equivalente de um hobby, uma atividade que assumo voluntariamente, mais por prazer do que por necessidade.&lt;br /&gt;Ocorre porém que, em algumas ocasiões, eu não consigo pregar o sono de imediato, seja porque minha cabeça fervilha com novas ideias adquiridas ao sabor das leituras cotidianas, seja porque algum outro problema perturbou o meu sono, apenas algumas horas depois de tê-lo iniciado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aqui estou eu, tentando dar início a uma nova obra que vai, provavelmente, ocupar outras noites de insônia ao longo dos próximos meses e anos à frente, na redação paulatina, gradual, lenta e necessariamente interrompida do que eu chamei de “memórias intelectuais”, que nada mais são, como indica o subtítulo, do que uma história das ideias que permearam a minha vida. Por que isso? Por que esse título e não uma simples biografia ou memórias de vida, como todo mundo faz? Já explico.&lt;br /&gt;Como qualquer leitor contumaz, também li muitas histórias de vida: grandes e pequenas biografias, autobiografias, relatos de vidas de homens (e mulheres) famosos, extratos de aventuras fabulosas (algumas verdadeiras, outras semi-inventadas), notas pessoais, currículos, enfim, uma variedade de escritos pessoais que sempre me interessaram mais pelo lado das ideias do que propriamente pelos feitos ou eventos. Sou assim, fascinado pelas ideias e pelos processos mentais, mais até do que pelos feitos e acontecidos. Interesso-me particularmente pelas reflexões e elaborações mentais dos homens (e mulheres, para não deixar de ser politicamente correto) que representaram alguma importância na história da humanidade. Lembro-me de ter lido, ainda em minha infância ou primeira adolescência, diversas biografias de grandes homens (e algumas mulheres) de autores como Hendryk Van Loon, Stefan Zweig, Monteiro Lobato (este mais um adaptador, do que um verdadeiro biógrafo) e vários outros autores. &lt;br /&gt;Nunca imaginei, pelo menos até alguns anos atrás, escrever minha própria biografia, e continuo achando que não tenho nada de particularmente interessante a dizer em matéria de relato de vida: a minha não foi suficientemente relevante no plano nacional, ou interessante no plano individual, para merecer uma biografia no sentido clássico, inclusive porque não sou um homem de grandes realizações práticas ou de qualquer impacto na vida nacional. Tampouco prestei depoimentos, até o presente momento, nem jamais mantive diários ou anotações regulares quanto a minhas atividades e ocupações. Sou, sim, um homem de leituras e de anotações, mas isso de livros, basicamente, o que faço de forma totalmente desorganizada e anárquica – o que parece redundante, mas não é – sem qualquer preocupação com o ordenamento sistemático dessas notas ou seu alinhamento cronológico. Simplesmente, me interesso por tanta coisa, e leio tantos livros diferentes, que sempre me foi impossível manter uma linearidade nas anotações de maneira a sustentar qualquer relato ordenado sobre a minha vida, se ela fosse relevante, ou sobre as minhas ideias, se por acaso eu tivesse um punhado delas representativa de alguma grande “filosofia” particular, o que obviamente não é o caso. Meu anarquismo literário e redacional nunca me permitiu manter notas organizadas o suficiente para escrever o que se chama classicamente de biografia, ainda que de simples ideias. &lt;br /&gt;Por que, então, me permito chamar estas minhas anotações de “Memórias Intelectuais”, um título aparentemente prometedor e, ao mesmo tempo, enganador? Não sou um intelectual, pelo menos não oficialmente: não me reconheço como tal, e não creio que eu seja conhecido como tal. Sou simplesmente um homem de leituras e de escritos, os mais diversos, tocando um pouco em todas as áreas das humanidades, o que faço mais de metido do que de sabido. O adjetivo “intelectuais” apegado ao substantivo memórias quer dizer simplesmente que este meu relato não é de vida, propriamente, nem de eventos ou de processos reais que aconteceram comigo, mas sim de elaborações mentais, de ideias, como aliás confirmado pelo subtítulo, como já escrevi acima. Ou seja, eu pretendo, sobretudo, tratar das ideias que eu defendi, que eu “freqüentei”, que permearam a minha vida ao longo de cinco ou seis décadas (dependendo de quando se deve começar a contar minha vida “intelectual”). &lt;br /&gt;Não são todas ideias minhas, está claro, e sim ideias que movem o mundo, como já disse, a propósito de um livro seu, o historiador Felipe Fernandez Armesto (ver o seu Ideas That Changed the World, publicado em 2003, um livro que já resenhei, em sua edição brasileira). São, especialmente, ideias que movimentaram o meu mundo, ou que pelo menos influenciaram a minha formação, o meu pensamento, e algumas das minhas ações (sim, também as houve, e as relato aqui, conforme apropriado, mas sem muita ênfase, preferindo ficar mesmo no terreno das ideias). Não sei se sou um homem de ideias, mas sou, sim, um homem que viveu com ideias, para ideias e em função de ideias, embora (pelo menos acredito) sempre com um sentido prático, isto é, sempre com a intenção de colocá-las em “funcionamento”, ainda que poucas tenham de verdade “funcionado”. Isso nunca me deixou frustrado, ao contrário, pois eu atribuo às ideias as mais importantes transformações do mundo, ainda que nem todas tenham tido esse poder. Vale uma pequena elaboração a esse respeito, o que faço agora, à maneira de parênteses. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo, na concepção marxista e materialista – à qual eu aderi, voluntária e conscientemente, por boa parte de minha juventude e da vida adulta – é movido por forças materiais, por processos objetivos, que emergem do entrechoque de interesses sociais (de classe, obviamente) e do confronto entre relações sociais, algumas decadentes, outras, as vencedoras, avançadas, ou correspondendo a uma etapa superior das forças produtivas. No máximo os homens são prisioneiros de ideias do passado, segundo a fórmula de Marx no Dezoito Brumário. Keynes também disse algo semelhante, a respeito de ser a geração atual (qualquer uma) prisioneira de economistas mortos, o que se aplica perfeitamente ao seu próprio caso e à geração atual, ainda presa às suas ideias dos anos 1930, ou seja, de duas gerações passadas. &lt;br /&gt;As ideias são algo importante, e coisas vivas, no entanto. São elas que dão sentido à nossa existência consciente, são elas que guiam as nossas ações, são elas que nos impelem a novas aventuras do espírito ou empreendimentos práticos, são elas, finalmente, que sustentam a defesa de alguns princípios e valores que julgamos relevantes, seja para a “economia política” de nosso comportamento, seja para a elaboração de algum julgamento moral sobre nossas próprias ações e as dos outros. Ideas do matter, dizem os ingleses, ou americanos, whoever... As ideias têm importância, e elas tiveram uma tremenda importância em minha vida, toda ela feita de leituras, reflexões, escritos e debates em torno de ideias, todas elas, as minhas, ou seja, as que eu adquiri com leituras ou pessoas mais espertas, as emprestadas ocasionalmente, as dos outros, com as quais eu poderia concordar, ou não, assim como ideias que eu já defendi e que depois vim a recusar, até mesmo rejeitar, e que passei a combater, como foi o caso com boa parte de minha formação intelectual marxista da primeira juventude (depois explico como foi isso). &lt;br /&gt;Não tenho nenhum problema em aceitar, confessar, reconhecer essa mudança de ideias, de percepções, de atitudes em minha vida juvenil e adulta, posto que a vida é um processo continuo de incorporação de novas ideias, de sua submissão aos testes da lógica formal e da realidade, e da sua sustentação ou rejeição em função dos resultados desses “testes”, que nada mais são do que experiências de vida, novos aprendizados, incorporação de conhecimentos, aceitação de novos princípios e fundamentos para a ação social. Repito aqui o que Keynes parece ter dito, uma vez, a um interlocutor que o acusava de ter mudado frequentemente de ideias: “sim, eu mudo de ideias cada vez que muda a realidade; e você, o que faz?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro, portanto, não se ocupa apenas de minhas ideias, ainda que seja difícil distinguir o que é meu e o que pertence aos seus autores originais, na minha incorporação particular, individual, das ideias que li ou ouvi ao longo de uma vida extremamente bem recheada de leituras e de palestras, a que assisti ou de que participei, interagindo com membros da mesa ou com o público inquisidor (sim, sempre acreditei que aprendemos muito com nossos interlocutores, mesmo os que nos contestam, como ocorre ocasionalmente com alguns alunos e mais frequentemente com outros debatedores). São ideias que “estavam no ar”, que eu peguei, usei, transformei, reelaborei, introduzi em novas ideias que eu mesmo possa ter elaborado e que sai por aí, distribuindo à vontade, em meus escritos, aulas e palestras. Fiz isso durante toda a minha vida adulta, seja na profissão diplomática, seja nas lides acadêmicas, assumidas em caráter voluntário e em tempo parcial durante quase todo o tempo em que fui diplomata de carreira. &lt;br /&gt;Sim, sou daqueles que acreditam e defendem ideias próprias, mesmo trabalhando numa corporação de ofício, a casta dos diplomatas, que tem algo de Vaticano em sua maneira de ser e em sua forma de proceder. Na veneranda Casa que foi minha durante várias décadas, um funcionário subalterno é suposto acatar ideias dos superiores, quando não defendê-las como se fossem suas. Consoante meu espírito anarquista e libertário, eu nunca fiz isso, jamais; sinceramente não me lembro de ter alguma vez acatado, em sã consciência ideias “superiores” apenas porque elas emanavam dos semi-deuses que nos governavam, quando eu era secretário: conselheiros, ministros, embaixadores. Sempre formulei alguma observação, seja para assinalar minha concordância (quando eu efetivamente concordava com o que estava sendo exposto), seja para argumentar em algum outro sentido (quando eu tinha alguma objeção de princípio ou alguma observação tópica a fazer a respeito do assunto em pauta). Nunca fui daqueles que quando parte para o trabalho deixa o cérebro em casa, ou deposita a sua capacidade de reflexão na portaria, ao adentrar no serviço: sempre levei comigo minha disposição a pensar com minha própria cabeça e a levantar elementos factuais ou argumentos opinativos, sempre quando o tema tratado me parecia padecer de alguma inconsistência formal ou de deficiência substantiva. Nunca tive qualquer hesitação em contestar chefes ou outros superiores em reuniões de trabalho, acumulando com isso (pelo menos suspeito) sólidas inimizades ao longo da carreira (não de minha iniciativa, mas provavelmente da parte dessas personalidades contestadas, que provavelmente nunca toleraram a arrogância desse mero secretario ou conselheiro que ousava discordar de suas brilhantes ideias e propostas). &lt;br /&gt;Sou assim, e não me escuso de sê-lo, pois acredito que devemos ser, publicamente, como somos na intimidade, ou seja, nos comportar exatamente como comandam nossos instintos, modo de ser, vocação inata. Eu nasci para ser um leitor, um “absorvedor” e um processador de ideias, e tendo a expressar as minhas, conforme julgo apropriado ou oportuno. Se os demais, os superiores, não concordam com elas, não me importo minimamente, pois considero que num mundo de ideias, como o que vivemos, devemos sempre lutar para que as boas ideias prevaleçam sobre as más, ou inadequadas. Não sou, nem me considero, um “salvador” da humanidade, pelas ideias ou pelas ações, mas considero, sim, que a humanidade pode e deve avançar pela defesa das boas ideias, pela sua prevalência sobre as más, ou negativas, pela promoção das soluções “corretas” aos enormes problemas da humanidade, de pobreza, de desigualdade, de injustiça, de infelicidade. Sim, também tenho esse lado um pouco milenarista ou messiânico de pretender “melhorar” a humanidade pela ação consciente dos homens de bem, dos cientistas, dos engenheiros, dos humanistas, que buscam algo mais na vida do que o simples prazer pessoal ou a satisfação individual. Considero-me comprometido com uma causa superior, que é, em primeiro lugar, a elevação espiritual, ou “mental”, da humanidade, base indispensável para sua elevação material, ou para a busca incessante de melhores padrões de vida para o maior número. &lt;br /&gt;Talvez seja esse o legado de meu passado socialista ou marxista: pretender “melhorar” a humanidade, ainda que eu tenha há muito desistido de qualquer projeto de “engenharia social”, ou seja, a pretensão de mudar os homens para mudar a sociedade, como ocorreu na triste história do socialismo real ao longo do século 20. O “homem novo” deve ser simplesmente construído em nível individual, pela educação de qualidade, livre, diversificada, totalmente liberta de qualquer crença fundamentalista – como o marxismo esclerosado, por exemplo – e não imposto por qualquer programa de “reeducação social” mediante projetos autoritários de transformação social, como os conhecidos nessa triste experiência político-messiânica. Dessas ideias eu creio que me libertei, a partir da juventude tardia e da entrada na etapa adulta de minha vida, ainda que eu não tenha conseguido me libertar desse ideia básica de pretender promover o “bem comum” e a “felicidade dos povos” (mas, aqui e agora, sem qualquer sentido autoritário ou mandatório). De todas as minhas visitas e experiências no socialismo real – o que poucos intelectuais do mundo capitalista realmente fizeram – retirei a certeza de que o sistema criado pelo partido de vanguarda trouxe mais infelicidade do que bem-estar aos povos que pretendeu transformar, e nem sempre num sentido meramente material, de disposição de bens correntes; no mais das vezes, a miséria moral e a degradação dos indivíduos foram bem mais relevantes do que a penúria de bens e serviços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que os parágrafos acima já oferecem um resumo do que são as ideias que pretendo discutir neste ensaio de biografia intelectual, basicamente uma historia das ideias para consumo próprio, uma espécie de balanço de uma vida de leituras, de reflexões e de escritos, que foi tudo o que me foi dado fazer ao longo de uma carreira diplomática e acadêmica sem muitas emoções ou grandes acontecimentos. Talvez as poucas ideias aqui contidas possam servir de motivo de reflexão aos mais jovens, aqueles que como eu começam ou começaram a sua vida cheios de entusiasmo juvenil por grandes projetos de transformação do Brasil e do mundo. Eu fiz a minha parte, tentei, sim, transformar o Brasil – nem sempre no bom sentido, confesso, como quando pretendia fazer do país uma economia socialista, seguindo o exemplo cubano – e tentei, depois, ajudar na transformação do mundo, seja como diplomata, seja como professor, seja ainda como autor de alguns escritos que podem ter influenciado a formação de alguns poucos jovens que tiveram contato com esses escritos.&lt;br /&gt;Uma coisa é certa: ainda que eu possa ter errado algumas (ou muitas) vezes, eu sempre tentei ser honesto comigo mesmo e com as ideias que estavam à minha disposição, ou seja, ao usá-las de modo racional e sempre visando ao bem comum. A honestidade intelectual não é apenas uma virtude, para mim, mas uma necessidade imperiosa, uma condição inseparável de minha personalidade e disposição de vida. Nunca consegui defender ideias nas quais não acreditava, nunca fui hipócrita no trabalho diplomático ou acadêmico, sempre defendi (e expressei) o que pensava, mesmo ao risco de prejuízos materiais ou morais. Nunca me escondi atrás de “falsas ideias”, apenas para contentar um superior ou sugerir uma ilusória concordância intelectual com quem quer que seja na academia, e por isso mesmo devo ter granjeado inimizades e criado alguns problemas para mim mesmo, aqui e acolá. Isso nunca me importou: sempre preferi estar em paz com minha consciência do que ganhar algum favor de um superior por submissão a ideias que não defendo ou que rejeito. Nunca fui carreirista, numa ou noutra “profissão”, aliás, nunca me classifiquei apenas como diplomata ou como acadêmico; sempre disse que eu era diplomata, ou professor, mas em meus escritos e palestras eu me apresentei sempre como sociólogo ou “doutor em ciências sociais”, conforme o caso, o que são títulos, não condições profissionais. Acho que nunca escrevi como diplomata – ou seja, a langue de bois, ou o bullshit, típicos da profissão e da linguagem diplomática – e tampouco me comportei como acadêmico, ou seja, apenas um pesquisador ou professor de uma instituição de ensino e pesquisa.&lt;br /&gt;Sempre fui um ser livre, tanto quanto me permitiram minha condição de servidor público e de contratado de uma instituição de ensino, ou seja, cumprindo minhas obrigações mínimas, mas me reservando o direito de pensar com minha própria cabeça e de expressar o que me ia na cabeça, por vezes de forma algo agressiva, reconheço. Mas é porque o meu entusiasmo pelas ideias, meu cuidado em recolhê-las dos livros e colocá-las à disposição dos demais, meu empenho em “ensinar” aos outros as “boas ideias” são tais que em algumas (ou varias) ocasiões eu acabei me chocando com ideias antigas, conservadoras, inadequadas, incorretas, francamente equivocadas. Isso seria porque minhas ideias eram melhores do que as dos outros? Talvez, e aqui confesso algum orgulho de estar um pouco à frente de meus contemporâneos, exclusivamente em função de minha obsessão pela informação, pelo conhecimento, pela argumentação lógica e bem fundamentada. Sim, eu me impaciento com a lentidão de algumas pessoas (talvez a maioria) em perceber a realidade, que está ali, à disposição de quem quer ver, bastando se informar corretamente – mas a maioria das pessoas lê pouco e se informa de maneira deficiente – e refletir com base em preceitos mínimos da lógica formal e da argumentação bem sustentada. Não tenho culpa se sempre tive mais informações do que a média de meus colegas de trabalho e de academia: isso foi alcançado ao custo de muito sacrifício, de muitas noites de leitura, de muito esforço em buscar e apreender os dados da realidade. Como estou fazendo agora mesmo, neste momento de reflexão e de registro de minhas memórias intelectuais. Mas, encerro no momento, pois já são 9h25 de uma manhã de domingo, e eu vou dormir um pouco antes de retomar minhas leituras e lides acadêmicas um pouco mais tarde. Boa noite (ou bom dia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, residência da SQS 213, 18.10.2009&lt;br /&gt;Início: 6h37 da manhã; interrupção: 9h25.&lt;br /&gt;Revisão: 22.12.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6359471963984205399?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6359471963984205399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6359471963984205399&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6359471963984205399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6359471963984205399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2010/01/29-memorias-intelectuais.html' title='29) Memórias Intelectuais'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-3412859516132720617</id><published>2009-12-31T23:09:00.001-02:00</published><updated>2009-12-31T23:09:37.490-02:00</updated><title type='text'>28) "Todo ano ele faz tudo sempre igual..."</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pequeno balanço de 2009 e projetos para 2010 (para variar)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OK, ok, como naquela canção muito conhecida, eu sei que todo final de ano é sempre a mesma coisa, mas tampouco tenho culpa se o calendário tem sempre a mesma forma e se os rituais humanos e sociais se repetem com inevitável constância e regularidade (aliás esperadas). Não tem jeito de escapar: chega dezembro e as festinhas de confraternização se multiplicam nos ambientes de trabalho (cada vez mais cedo, diga-se de passagem), todas com a inevitável troca de presentes a preço reduzido do sistema de amigo secreto, os cartões despachados às pressas (alguns amigos esquecidos), providências de última hora para as festas de fim de ano, shoppings e parkings lotados de gente e de carros, todo mundo fazendo tudo sempre igual, exatamente aquilo que você mesmo está fazendo, comprando os últimos presentes de última hora e prometendo  a si mesmo que daqui para a frente tudo será diferente, que no próximo final de ano você não deixará tudo para a última hora...&lt;br /&gt;Ufa! Felizmente já passaram todas essa festas, e aqui estamos fazendo a mesma coisa que no ano passado, talvez com um pouco mais de cansaço e um pouco mais de cintura: barriga cheia (com a minha bacalhoada), espírito ‘arejado’ pelo vinho ou pela cerveja, cabe agora recapitular tudo o que se fez em 2009 e pensar em tudo o que se pretende fazer em 2010. Vejamos, portanto, o que eu teria a dizer sobre 2009 e o que eu teria a dizer sobre 2010 (que já não tenha sido dito pelos videntes profissionais ). Bem, como este texto é narcisisticamente voltado para a minha própria produção, cabe antes de mais nada retomar o balanço que eu já havia feito um ano atrás, mais precisamente num dos últimos posts de 2008, em dois de meus blogs (ver: “Um balanço de final de ano, com alguma explicação para tal”, 31.12.2008; (1) &lt;a href="http://diplomatizzando.blogspot.com/2008/12/985-um-balano-de-final-de-ano-com.html"&gt;Diplomatizzando&lt;/a&gt;; (2) &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com//2008/12/11-um-balano-de-final-de-ano-com-alguma.html#links"&gt;DiplomataZ&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À diferença de 2008, quando eu estava dubitativo sobre meus projetos profissionais e acadêmicos – não exatamente por falta de emprego ou por falta do que fazer, ao contrário –, tenho agora o ano todo de 2010 repleto de tarefas e programações. Pretendo passar boa parte do ano conhecendo a China e partes da Ásia oriental; talvez eu até mesmo escreva um livro sobre essas paragens que hoje são para mim relativamente desconhecidas (mas já venho estudando sobre elas desde agora e até comecei um novo blog). Com efeito, se não acontecerem novas surpresas – na minha profissão, e nas atuais circunstâncias políticas, tudo é possível – devo partir para Shanghai em março de 2010, atuando durante seis meses como diretor do pavilhão do Brasil na Exposição Universal que se realiza na grande metrópole chinesa de maio a outubro.&lt;br /&gt;Não posso reclamar: a China é ‘o’ país, ou talvez, ‘o’ continente, e é lá que as ‘coisas’ estão acontecendo (pelo menos no terreno econômico, já que no domínio político a velocidade é outra, bem mais lenta). Uma vez na China, contudo, o problema, justamente, vai ser manter o blog atualizado, tendo em vista a nova “muralha da China” erguida pela grande autocracia asiática em torno da internet, sem mencionar o bloqueio praticamente intransponível que se abateu sobre os blogs, em particular (não consegui acessar nenhum dos meus, enquanto lá estive recentemente); não tenho certeza de que com o uso de proxys ou de servidores virtuais conseguirei contornar as barreiras e os filtros que o Big Brother mandarim instalou em todo e qualquer sistema de acesso à rede mundial de computadores a partir do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tratar do futuro, contudo, cabe registrar antes de mais nada o que foi realizado em 2009. No terreno ‘volumétrico’ da produção acadêmica não posso reclamar: comecei o ano pelo trabalho n. 1970 (uma coleção de ensaios sobre a globalização e a antiglobalização, a que dei o título de Globalizando) e estou terminando 2009 com este aqui, que leva o n. 2078. Foram, portanto, mais de cem trabalhos completos, dos quais a metade publicados (em diversos meios, mas nem todos os que foram publicados tinham sido escritos neste ano, como foi o caso de diversos capítulos de livros, alguns redigidos em 2008). Em termos de produtividade média, são cerca de 9 trabalhos por mês, ou dois por semana. Não vou contar agora o número de páginas totais por pura preguiça, mas deve se aproximar de 860 páginas (ou perto de 70 páginas por mês, ou mais de duas páginas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados). &lt;br /&gt;Não deveria ser de todo mau, para um trabalhador compulsivo como eu, mas tenho de confessar uma grande frustração: eu pretendia terminar, neste ano, o segundo volume de uma história da diplomacia econômica no Brasil e não consegui chegar nem perto da metade, talvez menos de um terço do planejado. A razão? Desviei-me, simplesmente, do assunto, para atender outras demandas, responder a pedidos externos, dispersei-me em trabalhos secundários (alguns sem a menor importância), respondi a consultas de alunos, pedidos de ajuda em trabalhos escolares, respondi a questões de jornalistas, perguntas de candidatos à carreira diplomática, de blogueiros, de listeiros, de curiosos, de passantes, enfim, muitos interlocutores agradáveis e até alguns bastante desagradáveis. Basta com dizer que foi distração o bastante para me deixar inclusive com tempo exíguo de leitura, que é o que mais gosto de fazer nas horas vagas (na verdade, em todas as horas, mesmo as não vagas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz muitas anotações de leitura, dezenas em pequenos cadernos de notas, várias formalizadas como mini-resenhas – 16 no total, talvez um pouco mais – mas poucas grandes resenhas, ao estilo dos review-articles do New York Review of Books, como gosto habitualmente de fazer (uma delas de um livro de depoimentos sobre o Mercosul, um de meus focos permanentes de interesse). Quase não vejo televisão e muito pouco cinema, assim que passo o tempo lendo jornais, revistas e livros, o que também representou um pouco de distração da “grande obra” acadêmica que pretendia realizar. Em vez disso, acabei realizando uma “pequena obra” acadêmica, muitos artigos opinativos (ou dissertativos) e alguns ensaios de pesquisa mais alentada, que é o que eu deveria estar normalmente fazendo, se é que me entendem. Um ponto negativo, portanto, para este balanço da produção em 2009, mas eu pretenderia me corrigir em 2010 (alguém acredita nisso?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, retirando todos os trabalhos menores, os redundantes, aqueles feitos para atender alguma demanda externa, quais seriam, finalmente, os trabalhos merecedores de serem citados em qualquer lista acadêmica digna desse nome? Começo com a minha compilação de trabalhos sobre a globalização, na verdade uma coleção de réplicas às posições e argumentos canhestros dos antiglobalizadores, pessoas que considero singularmente despreparadas para interpretar o mundo contemporâneo, e menos ainda para propor qualquer coisa de pertinente ou adequado para encaminhar os problemas mais urgentes deste nosso planeta que se recusa a ser o “outro mundo possível” pelo qual eles imploram aborrecidamente a cada reunião internacional. Nunca me eximi de debater propostas concretas, mas jamais consegui ler algo de relevante que alterasse o meu julgamento negativo sobre a inconsistência ‘estrutural’ das posições dos chamados altermundialistas (mas que não conseguem sê-lo); os que desejam conferir o estado da arte nesse debate unilateral, podem consultar alguns dos meus ensaios polêmicos, muitos já publicados, que resumem minha abordagem dos problemas da globalização. &lt;br /&gt;Destaco em segundo lugar a continuidade de meus artigos sobre as “falácias acadêmicas” mais comuns: elas são tantas que eu ainda tenho uma lista enorme aguardando conclusão – e material para pelo menos dois livros – mesmo depois de ter completado, em 2009, nove ensaios da série (e já ter mais dois ou três no pipeline). Ao preparar esses textos, ou seja, ao coletar o material de base para escrever cada um deles, surpreendi-me com o volume de bullshit que é possível recolher a partir de trabalhos publicados por pretensos acadêmicos. Acredito ter desmantelado alguns dos mitos mais renitentes que freqüentam os cenáculos universitários, mas para cada um deles existem três outros à espreita, aguardando alguma pluma desmistificadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi dois trabalhos sobre a mal concebida – desculpem pelo julgamento maldoso – Estratégia Nacional de Defesa, um no começo do ano, outro ao final, e em ambos minha avaliação foi igualmente destrutiva: não se trata de uma estratégia, nem se refere exatamente à defesa do Brasil, ela é apenas prosaicamente nacional (mas seus redatores, e talvez os militares, não me perdoarão por este tipo de argumento). Escrevi vários outros trabalhos sobre a crise financeira, tentando demonstrar – contra gregos e goianos que acreditam realmente que ela foi causada pelas “forças cegas do mercado”, enfim, por aqueles “loiros de olhos azuis” que vivem especulando em Wall Street – que suas causas reais estão na manipulação governamental da taxa de juros e na permissividade fiscal que muitos desses governos praticam. Não creio ter revertido a crença dos já convencidos dos malefícios do capitalismo desenfreado, mas me diverti um bocado no exercício. Vou referenciar os trabalhos mais importantes nessa área para apresentá-los de maneira agrupada no meu blog. Também poderia fazer o mesmo com alguns trabalhos sobre o Mercosul e a integração, mas o panorama nessa área é tão desolador que sinceramente não sei se valeria a pena (embora muitos estudantes me procurem justamente por causa dessa causa outrora promissora). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu trabalho mais importante – parte de minha pesquisa para o ensaio sobre diplomacia econômica – foi uma síntese histórica sobre a política comercial brasileira desde o final do século 19 a meados do século 20, no contexto internacional. Deve fazer parte do livro prometido, mas por enquanto permanece solitariamente acabado, esperando a conclusão das demais partes. Outros trabalhos importantes – exigindo certa pesquisa e reflexões mais elaboradas, quero dizer – foram feitos em torno da derrubada (que prefiro à queda) do muro de Berlim e o novo cenário das relações internacionais desde então, bem como um estudo comparativo entre os processos de desenvolvimento do Brasil e dos Estados Unidos com base num ensaio conceitual sobre a ‘civilização americana’ feito por Joaquim Nabuco, elaborado exatamente cem anos atrás (e apresentei-o exatamente na universidade, a de Wisconsin em Madison, na qual Nabuco deveria ter pronunciado sua commencement lecture). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, também fiz alguns trabalhos sobre a diplomacia brasileira, sempre com o pé atrás e a pluma contida, posto que, sendo diplomata da ativa, não posso sair por aí dizendo tudo o que penso de nossa hiperativa política externa, ainda que por vezes eu sinta que ela exibe mais transpiração do que propriamente inspiração. Alguns textos nessa área foram feitos em resposta a consultas de pesquisadores, diplomatas estrangeiros ou jornalistas, e nem tudo foi publicado (eu até diria que quase nada foi publicado, et pour cause). Mas, um artigo bastante crítico sobre a OEA foi, sim, publicado, infelizmente pouco antes de assistirmos à patética e surpreendente comédia de erros cometidos em torno do caso hondurenho, no qual todos os personagens – sem excluir nenhum – se comportaram como naquele horrível filme do início de carreira do Woody Allen (Bananas, para quem ainda não viu) ou como personagens de algum sketch do Casseta e Planeta: foi realmente impagável; aliás, ainda está sendo...&lt;br /&gt;Fui muito solicitado para seminários, palestras, entrevistas, colaborações a livros ou a simpósios, inclusive no exterior, tendo escrito alguns textos em francês e em inglês (vários, entre eles um sobre o Brasil e a não-intervenção, ainda inédito), e creio mesmo que em espanhol (atendendo a jornalistas da região). Alguns serão publicados, outros talvez não, o que depende de minha disponibilidade de adaptá-los às normas sempre diferentes dessas revistas acadêmicas (nunca soube porque elas não adotam um padrão uniforme, o que nos facilitaria muito a vida, nós os colaboradores reincidentes, como eu mesmo). Dialoguei unilateralmente com pessoas das mais variadas orientações políticas, e devo ter criado algumas inimizades, pelo meu jeito acerbo de retrucar argumentos que considero especiosos ou equivocados. Nada me deixa mais indignado do que argumentos de má-fé, ou desonestidade intelectual deliberada, e tenho encontrado muito de ambos, por vezes em instituições das mais respeitáveis (mas os homens são o que são, cegos pela fé verdadeira e convictos de suas causas, sobretudo quando eles aderem a algum partido). &lt;br /&gt;No meio do ano mandei Tocqueville de novo em missão, desta vez para examinar, a pedido do Banco Mundial, o estado da democracia no Brasil; só publiquei o trabalho no final do ano, tendo constatado um cenário deveras lamentável de corrupção política e irracionalidades econômicas de todo gênero, o que também deixou Tocqueville bastante frustrado; na verdade, ele só escreveu, com a minha ajuda, um sumário executivo de um relatório mais amplo, que pretendo terminar um dia, para incluí-lo na série dos “clássicos revisitados”. Sim, devo dizer que, depois do Manifesto Comunista – adaptado aos nossos tempos globalizados e pós-socialistas – perpetrei um Moderno Príncipe (Maquiavel revisitado), que acaba de ser publicado em formato eletrônico (tenho outros clássicos em preparação, mas não vou dizer quais são). Bem, posso confessar que comecei a escrever, numa dessas noites de insônia, minhas “Memórias Intelectuais”, que pretende ser, não uma história pessoal, mas uma biografia das ideias que permearam a minha vida (elas foram, e são, muitas); não sei quando vou continuar ou sequer terminar, mas as primeiras reflexões já estão feitas (não aguardem nada, porém, antes de o Brasil ganhar mais uma Copa). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei o ano com um balanço da década e uma antevisão de quão ruim pode ser a próxima, se não fizermos nada em termos de luta contra a corrupção, contra o avanço do Estado em nossas vidas (e em nossos salários e rendimentos), para corrigir todas as coisas deficientes que encontramos no Brasil, sobretudo no plano educacional e de políticas públicas mal concebidas (como a tentativa de implantar o Apartheid no país, por meio de medidas de caráter racialista que de fato são racistas). Também completei a minha produção de maior quilate (não sei se o termo se aplica) com uma análise dos Brics em perspectiva histórica e com reflexões e argumentos em torno de suas implicações diplomáticas e de inserção internacional: se não objetarem ao que escrevi, será publicado em 2009 (mas ainda resta conferir, pois desconfio que sofrerá objeções de um guru da área que encomendou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, devo dizer – inclusive para satisfazer a curiosidade dos particularmente inquisidores – que todos os meus trabalhos estão perfeitamente relacionados em meu site (ainda que nem todos estejam imediatamente disponíveis), e muitos daqueles que posso considerar secundários são postados diretamente num dos blogs que mantenho. &lt;br /&gt;Voilà, tendo exagerado da paciência dos leitores concluo estas notas muito desordenadas com uma profissão de fé – eu, que sou um completo irreligioso – já que todo mundo tem o seu pequeno conjunto de princípios: acredito no aperfeiçoamento intelectual do ser humano, embora metade da humanidade seja constituída de perfeitos idiotas que passam o seu tempo na frente da televisão assistindo bobagens, em lugar de ler um bom livro (hélas, é o darwinismo ao contrário). Acredito, também, como tenho repetidamente manifestado, na responsabilidade dos acadêmicos e na honestidade intelectual, de quem quer que seja: pessoas que não passam por esses critérios – que considero absolutos – entram numa categoria pela qual tenho pouco respeito, equivalente à dos fraudadores de moedas (não me refiro aos ladrões, e sim aos que arruínam o País com políticas equivocadas) e os ‘corruptos oficiais’. Não vou acusar ninguém agora, pois este não é o instrumento nem a ocasião, mas vou reservar alguns neurônios para esse tipo de combate, em qualquer tempo e lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluo agradecendo aos que me ajudaram na consecução de tantas tarefas, meus leitores e revisores, sem esquecer aqueles que, ao me tolherem possibilidades de trabalho em certos meios me deram o lazer e o tempo livre para escrever tantos trabalhos. Seria capaz de mandar um cartão de agradecimento pessoal se certa alergia a determinados espíritos pouco afeitos ao embate de idéias e uma ojeriza recorrente ao que classifico como desonestidade intelectual não me impedissem de fazê-lo. Um dia vou colocar no papel esses episódios pouco gloriosos de nossas instituições públicas.&lt;br /&gt;Por fim, quero desejar a todos, a despeito de tudo o que fiz de errado em 2009 (inclusive chateando muita gente com meus escritos impertinentes), um excelente ano de 2010, com muitas leituras, reflexões bem ordenadas, alguma produção significativa e, o que sempre espero, algum engrandecimento intelectual, pois foi para isso que fomos “feitos”. Pelo menos é o que acredito; pode ser que eu esteja enganado, mas me contento em manter, ao menos, esse tipo de credulidade. Bom ano a todos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 22-31 de dezembro de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-3412859516132720617?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/3412859516132720617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=3412859516132720617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3412859516132720617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3412859516132720617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/12/28-todo-ano-ele-faz-tudo-sempre-igual.html' title='28) &quot;Todo ano ele faz tudo sempre igual...&quot;'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-7436536047297672031</id><published>2009-12-26T21:42:00.000-02:00</published><updated>2009-12-26T21:43:17.101-02:00</updated><title type='text'>27) O Yin e o Yang dos sentimentos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Yin e o Yang dos sentimentos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;(Em vôo: Miami-Manaus-Brasília, 2 de maio de 2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta de meu programa de Visiting Scholar na Universidade do Illinois, vim lendo, no avião, um livro que tinha comprado no Rubin Museum of Art, de New York: The Geography of Thought, do psicólogo Richard Nisbett. Ele trata das diferenças de estilos, ou formas, de pensamento entre o Ocidente e o Oriente, com maior ênfase, de um lado, no raciocínio abstrato de origem grega e, de outro, na maneira de pensar dos asiáticos, mais especificamente os chineses.&lt;br /&gt;Sem que eu queira resumir agora o livro – tanto porque ainda não o terminei – ou dele retirar qualquer ensinamento precipitado, atraíram-me os conceitos de yin e yang, vindo daí a idéia de pensar as duas forças fundamentais que considero mover os seres humanos, o amor e a amizade, em termos da oposição e complementaridade entre esses dois elementos da forma chinesa de pensar o mundo, tanto a natureza como as relações entre as pessoas.&lt;br /&gt;O amor e a amizade são dois sentimentos permanentes e poderosos, que permeiam toda a nossa existência. Eles não são exatamente racionais, sequer racionalizáveis, mas constituem uma química imprecisa, por vezes traiçoeira. Em suas dimensões próprias, eles não se opõem, necessariamente, mas mantêm uma relação de dependência e de exclusão que explica muitas das nossas atitudes, decisões, escolhas e aspirações ao longo de toda uma vida. Impossível viver sem amizades, difícil viver sem um amor. Ambos sentimentos existem nos círculos familiares, mas eles são de certa forma abafados pelos vínculos contraditórios da afetividade e da autoridade que permeiam naturalmente toda interação familiar.&lt;br /&gt;Esses dois sentimentos se encontram, em sua mais pura expressão, nas relações livremente consentidas, voluntariamente formadas, conscientemente buscadas, deliberadamente desenvolvidas e entretidas. A amizade é, quiçá, o primeiro sentimento a aflorar, quando encontramos alguém que parece nos complementar; ela se mantém, se for verdadeira, nas alegrias e decepções, nas conquistas e frustrações, pois que solidificada na busca de objetivos comuns, sustentada por ideais mutuamente compartilhados.&lt;br /&gt;O amor é algo mais raro, talvez extremamente raro, só existindo quando o sentimento de amizade atinge sua forma mais refinada, mais profunda, intensamente dirigido para ‘produzir’ o bem e a felicidade da pessoa amada. Ele incorpora, perpassa e reforça a amizade, mas também contém outras forças que se opõem, pelo menos em parte, à amizade e tornam esta difícil: o sentimento de exclusividade, o desejo compreensível de posse, a satisfação diretamente relacional, sem a abertura que a verdadeira amizade promove nas esferas circulares das muitas relações humanas e sociais.&lt;br /&gt;Acredito, em todo caso, que um sentimento não deveria existir sem o outro. Aliás, sempre me perguntei se um e outro eram possíveis simultaneamente, em direção ao mesmo ‘objeto’, ou seja, totalmente compatíveis entre si. Confesso que não sei: não tenho, ainda, uma resposta precisa a esta questão, e talvez ela nunca chegue. Meu desejo sincero é que ambos sejam preservados e promovidos para que possamos ser verdadeiramente felizes e façamos alguém muito feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-7436536047297672031?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/7436536047297672031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=7436536047297672031&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/7436536047297672031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/7436536047297672031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/12/27-o-yin-e-o-yang-dos-sentimentos.html' title='27) O Yin e o Yang dos sentimentos'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-4376561608049791537</id><published>2009-12-14T09:49:00.002-02:00</published><updated>2010-04-23T03:09:58.266-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='volta ao mundo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><title type='text'>26) Uma lista de possiveis trabalhos em 2010</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Volta ao mundo em 25 ensaios:&lt;br /&gt;Um convite e minha decisão de colaborar com o Ordem Livre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Ensaios programados para o site &lt;a href="http://www.OrdemLivre.org"&gt;OrdemLivre.org&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo e colega “filosófico” Diogo Costa (&lt;dcosta@ordemlivre.org&gt;) formulou-me um convite, aparentemente irrecusável, para que eu mantenha um espaço quinzenal de 600 a 800 palavras no site Ordem Livre (OrdemLivre.org) durante o ano de 2010, onde eu passaria a ter a oportunidade de compartilhar com um público mais vasto idéias sobre a política internacional e a brasileira.&lt;br /&gt;Suas diretrizes, formuladas em 7 de dezembro de 2009, foram: “1) O texto deve promover pelo menos um desses princípios: A) Liberdade individual, B) Livre mercado, C) Governo limitado, D) Paz; 2) Deve-se contestar argumentos, não intenções; atacar e defender idéias, não pessoas ou grupos”. Estas foram as condições e recomendações formuladas, o que achei absolutamente pertinente e cabível para um espaço público liberal e democrático como o site Ordem Livre. &lt;br /&gt;Com base nessas explicações claras, decidi aceitar o convite, tendo plena consciência (o que representa um esforço extraordinário de síntese e concisão) de que os meus textos não podem ultrapassar o tamanho ideal de duas páginas, no máximo pouco mais de duas páginas, o que é um desafio enorme para mim. Em todo caso, trata-se de um exercício de redução de meus textos ao que deveria ser o tamanho ideal: escapar da verborragia grandiloqüente (muitas vezes inútil) dos ensaios acadêmicos “normais” para tentar encontrar um público mais vasto, que a rigor não tem tempo, nem disposição, para enfrentar longas digressões “intelectualóides”. Decidido, portanto, convite aceito, partida acionada. &lt;br /&gt;Os temas focados seriam os de economia mundial e brasileira, a política internacional e a brasileira, com um formato ideal consistindo de: (a) exposição inicial de uma questão determinada; (b) situação atual ou tratamento dado ao problema no Brasil ou no mundo; (c) como melhor resolver essa questão ou problema pela aplicação dos princípios liberais e de livre mercado. Ou seja, o ideal seria definir um formato consistindo de: 1. exposição inicial ; 2. debate ou discussão das opções em jogo; 3. conclusões “lógicas”, permitindo, idealmente, “esgotar” um determinado assunto em pouco mais de duas páginas, no máximo.&lt;br /&gt;Com base no que precede, decidi estabelecer um planejamento editorial tentativo que contemplaria (de modo não limitativo) os 25 ensaios seguintes:&lt;br /&gt;1. Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)&lt;br /&gt;2. Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?&lt;br /&gt;3. Política internacional: por que não temos paz e segurança?&lt;br /&gt;4. Direitos humanos: o quanto se fez, o quanto ainda resta por fazer&lt;br /&gt;5. Políticas econômicas nacionais: divergências e convergências  &lt;br /&gt;6. Cooperação internacional e desenvolvimento: isso muda o mundo?&lt;br /&gt;7. Guerra e paz no contexto internacional: progressos em vista?&lt;br /&gt;8. Individualismo e interesses coletivos: qual a balança exata?&lt;br /&gt;9. Duas tradições no campo da filosofia social: liberalismo e marxismo&lt;br /&gt;10. Como organizar a economia para o maior (e melhor) bem-estar possível &lt;br /&gt;11. Livre comércio: uma idéia difícil de ser aceita (e, no entanto, tão simples)&lt;br /&gt;12. Políticas ativas pelos Estados funcionam?; se sim, sob quais condições?&lt;br /&gt;13. Competição e monopólios (naturais ou não): como definir e decidir?&lt;br /&gt;14. Orçamentos públicos devem ser sempre equilibrados?&lt;br /&gt;15. Países ou pessoas ricas o são devido a que os pobres são pobres?&lt;br /&gt;16. Preeminência, hegemonia, dominação, exploração: realidades ou mitos?&lt;br /&gt;17. Por que a América Latina não decola: alguma explicação plausível?&lt;br /&gt;18. Por que o Brasil avança tão pouco: sumário das explicações possíveis &lt;br /&gt;19. Distribuição de renda: melhor fazer pelo mercado ou pela ação do Estado?&lt;br /&gt;20. Brasil: o que poderíamos ter feito melhor, como sociedade, e não fizemos?&lt;br /&gt;21. Qual a melhor política econômica para o Brasil?: algumas opções pessoais&lt;br /&gt;22. Qual a melhor política externa para o Brasil?: algumas preferências pessoais&lt;br /&gt;23. O que podemos aprender com a experiência dos demais países?&lt;br /&gt;24. Nossa contribuição para o mundo: onde o Brasil pode ser melhor&lt;br /&gt;25. Uma volta ao mundo em 25 ensaios: itinerário percorrido e o que resta fazer&lt;br /&gt;Decisão tomada, planejamento feito, só me cabe dar a partida ao processo. Prazo: um ano; depois fechamento do projeto e um balanço pessoal do percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paris, 9 de dezembro de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;==============&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Addendum em Abril de 2010:&lt;br /&gt;Apenas como informação, terminei todos os trabalhos, menos o último, que pretendo fazer mais adiante, entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010. Eles serão publicados progressivamente ao longo de 2010, sendo que eu terei oportunidade de revisar e corrigir alguma coisa no meio do caminho...&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;Shanghai China&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-4376561608049791537?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/4376561608049791537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=4376561608049791537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4376561608049791537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4376561608049791537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/12/26-uma-lista-de-possiveis-trabalhos-em.html' title='26) Uma lista de possiveis trabalhos em 2010'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-7414468232009007367</id><published>2009-11-23T07:30:00.001-02:00</published><updated>2009-11-23T07:32:13.857-02:00</updated><title type='text'>25) E ja que falamos de Itaca, vale lembrar a lenda de Icaro...</title><content type='html'>Um texto, também, de 2004, pouco divulgado, mas que merece, provavelmente, encontrar nova reflexão, novas lições, novos ensinamentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A parabola de Ícaro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lenda de Ícaro se refere, obviamente, ao filho de Dédalo, o construtor do labirinto do rei Minos, de Creta, que, ao revelar o segredo do palácio-prisão a Teseu, permitiu que o terrível Minotauro fosse morto. Condenado ao labirinto com seu filho, Dédalo trama a fuga por via aérea, fabricando asas a partir de plumas de pássaros, untadas com cera. O vôo de Ícaro pode ser descrito como uma parabola: atraído pelo esplendor do sol, ele se eleva em demasia no céu, para cair logo em seguida, devido ao derretimento da cera que prendia as plumas de suas asas.&lt;br /&gt;Há muitas maneiras de interpretar o mito de Ícaro e seu vôo para a queda, mas eu prefiro me ater aos perigos do excesso de exposição, que pode colocar em risco qualquer situação aparentemente bem estabelecida. De fato, em várias circunstâncias da vida, encontramos casos de ascensão fulgurante, seguida de uma rápida queda, o que, aliás, corresponde ao movimento da parábola. Mas, ademais dessa acepção matemática, o termo parábola também pode se referir a uma narrativa de fundo moral, geralmente de origem bíblica, denotando um possível ensinamento virtuoso que devemos retirar de alguma adversidade sofrida. Em suma: uma alegoria de valor espiritual e forma racional.&lt;br /&gt;A despeito da tristeza imediata, e dos dissabores ligados a algum desastre não definitivo – o de Ícaro, obviamente, foi irremediável –, devemos sempre retirar lições morais das frustrações que enfrentamos na vida. Com exceção da punição extrema, da qual não há retorno possível, todas as demais situações de “queda” são suscetíveis de nos trazer algum elemento útil na determinação de nossa própria responsabilidade sobre eventuais desastres incorridos. De certa forma, os desastres são ainda mais “úteis” do que os sucessos, uma vez que estes podem ser devidos à obra do acaso, ao passo que aqueles sempre derivam de erros que cometemos em situações de escolhas alternativas. A despeito da literatura de negócios enfatizar, por exemplo, os grandes casos de sucesso empresarial, com lucros extraordinários e desempenho excepcional de mercado, os casos de fracasso são igualmente significativos, se não mais, no exame ponderado de nossas próprias fraquezas estruturais e debilidades circunstanciais. O sucesso pode ser motivo de embriaguez; o fracasso desperta e estimula.&lt;br /&gt;Gostaria de ver na parábola de Ícaro uma lição moral para um exame honesto e sincero de algum comportamento afoito, eventualmente determinado pela presença de um sol momentâneo que brilha à nossa frente, atraindo-nos pelo calor e pela luz, mas que pode se revelar perigoso para nossa própria sobrevivência (não necessariamente física, mas “espiritual”). Ao fim e ao cabo, Ícaro é o exemplo que queremos evitar, mas só nos lembramos de revisar nossos atos e palavras quando somos confrontados à ameaça de algum desastre iminente, ou, o que é pior, no seu imediato seguimento. &lt;br /&gt;Qual foi a ação que determinou nossa queda, qual foi a palavra impensada que nos levou ao desastre, que seqüência de iniciativas ou gestos desastrados nos levaram à derrota ou à simples frustração, que ensinamento retirar da adversidade (que se espera) momentânea? E sempre nos perguntamos: como pudemos ser tão estúpidos? Salvo os espíritos fracos, em geral saimos mais fortalecidos desse tipo de situação, em todo caso mais modestos e humildes do que no começo, dispostos a reiniciar nossa aventura, desta vez desprovidos de excesso de otimismo e armados de algo mais do que plumas e cera. O distanciamento crítico em relação aos fatores de atração e de queda se torna não apenas recomendável como provavelmente necessário, se quisermos retomar nossa liberdade de iniciativa e de ação.&lt;br /&gt;Em definitivo, o impetuoso Ícaro foi vítima de sua própria afoitez e precipitação. Melhor, talvez, ficar com o exemplo de Ulisses, famoso não apenas por sua força, destreza e bravura, amplamente demonstradas na conquista de Tróia, mas sobretudo por sua tenacidade em face dos mais diversos perigos e trapaças da sorte. Com paciência e cálculo inteligente, ele soube arrostar todas as dificuldades e adversidades que lhe foram apresentadas por monstros e sereias, navegando de forma persistente em direção da ilha de Ítaca. Ao chegar, ele ainda teve de enfrentar os vários pretendentes que disputavam sua Penélope. Mas, isso já é motivo para uma outra estória…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 26 de outubro de 2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-7414468232009007367?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/7414468232009007367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=7414468232009007367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/7414468232009007367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/7414468232009007367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/25-e-ja-que-falamos-de-itaca-vale.html' title='25) E ja que falamos de Itaca, vale lembrar a lenda de Icaro...'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-1586761973079805266</id><published>2009-11-23T02:18:00.003-02:00</published><updated>2009-11-23T02:27:33.633-02:00</updated><title type='text'>24) Por que sou professor: uma reflexao idealista...</title><content type='html'>Este longo texto, que vai transcrito abaixo, foi escrito no final de 2004, em circunstâncias que não sei precisar neste momento, provavelmente num momento de reflexão profunda sobre o que eu sou, o que pretendo ser, o que gosto de ser, e o que me motiva a fazer o que faço.&lt;br /&gt;Não creio que ele tenha merecido divulgação mais ampla desde que foi escrito, motivo pelo qual me permito reproduzi-lo aqui, prometendo voltar ao assunto (de forma menos prolixa) numa próxima oportunidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A caminho de Ítaca...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De todas as ocupações que fui dado até agora exercer, numa vida nômade e aventurosa da qual guardo não poucos momentos de orgulho, a que mais prezo e valorizo, obviamente, é a de professor, ou melhor de orientador de ensino, uma vez que não sou professor em tempo integral, nem retiro meu principal ganha-pão dessa nobre função de "mestre de artes e letras". Não sei, aliás, se tenho o direito de me considerar professor, no sentido estrito do termo, já que nunca fui treinado para tanto, desconheço as mais elementares noções de pedagogia e não tenho certeza, de fato, se ao exercer esse nobre ofício minha real intenção é a de tentar ensinar algo a outras pessoas ou, como parece mais provável, faço de tudo isso uma grande "figuração" e estou, de verdade, aprendendo algo novo cada vez que me ocupo dessa absorvente atividade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que alguém pense que sou, apenas e tão somente, um grande "embromador", utilizando-me de inocentes alunos para, constantemente, ensinar "algo" a mim mesmo, desejo retificar minhas palavras, e corrigir essa sensação de improvisação no trato com o corpo discente. Acredito ter realmente algumas coisas úteis a ensinar a outras pessoas, mais por desejo de transmitir "coisas novas", que venho aprendendo desde muitos anos, ao longo de constantes e intensas leituras, do que propriamente por "necessidade" de ter uma segunda profissão (ainda que, de fato, eu a considere a minha "primeira" e "eterna" ocupação, ao lado desta mais formal que exerço temporariamente de "diplomata"). Com efeito, não retiro, como disse, meu sustento dessa atividade que muitos julgam paralela e exercida como uma espécie de "hobby" ou para "complemento de salário". Longe disso, pois que nunca o fiz, pelo menos desde que ingressei no serviço exterior brasileiro, pensando nos retornos pecuniários que retiraria dessa dupla jornada de trabalho, muitas vezes estafante e exercida contra meu lazer pessoal ou dedicação à família, ou em detrimento da ainda mais prazeirosa ocupação de simples leitor e escrevinhador de coisas várias.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca pensei em ser professor, achando que eu tinha, de fato, qualquer coisa de "extraordinário" para ensinar a "mentes inocentes", ou que essa minha atividade temporária e fortuita iria fazer alguma diferença na futura capacitação profissional daqueles temporariamente colocados sob minha responsabilidade docente. O que de fato sempre me motivou a ensinar, ou pelo menos a "transmitir conhecimentos", foi uma espécie de motivação interior, algo como uma compulsão inata que me impele a sistematizar o meu próprio "conhecimento" e tentar repassar aquela maçaroca de idéias e conceitos sob uma forma minimamente organizada, de forma a satisfazer minhas próprias necessidades em termos de racionalização do saber adqurido nos livros (e também na observação homesta da realidade) e de "atingimento" de uma nova "síntese" a partir desses conhecimentos dispersos na "natureza". Estou parecendo muito "dialético"?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa, desejo confirmar e reafirmar que o que me impele a ser "professor" é mais uma força interna do que uma necessidade externa, quaisquer que sejam as outras motivações aparentemente altruísticas geralmente invocadas nessas circunstâncias (compromisso com o "saber", transmissão de "conhecimento", desejo de "formar os mais jovens", atendimento de uma "vocação" e outras escusas do gênero). Sou professor porque eu mesmo "preciso" disso, não porque outros possam eventualmente "precisar" de minhas competências gerais ou habilidades específicas. Se desejar, você pode considerar isso altamente "egoísta" ou profundamente "narcissístico": não me importo com as classificações externas, pois minha motivação interior não vai mudar porque se descobriu, aparentemente, algum motivo menos "nobre", ou passavelmente "auto-centrado" nesta principal "ocupação secundária".    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta motivação interna, não necessariamente "espiritual", que me leva a desviar-me de outras atividades, talvez mais prazeirosas -- como o próprio lazer pessoal, a convivência familiar ou o simples tempo alocado à minha outra compulsão não tão secreta que é o hábito da leitura --,  para dedicar-me a essas práticas docentes com uma certa regularidade e constância. Nem por isso desprovidas de algum retorno pecuniário: a despeito de já ter aceito dar aulas de mestrado gratuitas em universidade pública -- e de dar incontáveis palestras sem nunca ter sequer invocado alguma remuneração em contrapartida, por vezes mesmo tendo incorrido em despesas pessoais de deslocamentos a outras cidades --, o essencial das minhas atividades docentes se faz segundo tradicionais práticas contratuais. Nem poderia ser de outro modo: se eu deixo de ler ou de escrever para dar aulas, que o "desvio" de ocupação me permita ao menos alimentar esse terrível vício da compra de novos livros e periódicos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tampouco eu poderia invocar como motivação "nobre" a própria arte do ensino. Sendo eu mesmo um autodidata radical, não me preocupa tanto o que os alunos possam estar aprendendo, como o próprio conteúdo do que estou ensinando, que pretendo seja o mais claro possível, o mais didático e o mais completo dentro daquele campo de conhecimento. Transmito aquilo que sei, aos alunos, depois, o encargo de reter o novo saber, de complementá-lo com as muitas indicações de leitura que não me canso de fazer ou de interrogar-me sobre algum aspecto pouco claro ou solicitar esclarecimentos adicionais sobre "coisas" passavelmente complexas, quando não prolixas (sim: tenho esse péssimo hábito, talvez pelo excesso de leituras, de "complicar inutilmente" a vida de meus alunos, estendendo-me sobre longos períodos históricos, voltando a um passado remoto para encontrar as "causas" de algum processo atual ou supondo um conhecimento geral, sobre o Brasil ou o mundo, que simplesmente não existe mais para a maior parte das gerações mais jovens). Nesse sentido, sou mais "substância" do que "forma", ao dar uma densidade no mais das vezes dispensável a um conteúdo de aula que a maior parte dos alunos provavelmente preferiria superficial ou no estrito limite do "necessário para fazer a prova". Mas, como disse, não estou principalmente preocupado com o que os alunos possam "aprender" e sim com o que eu mesmo possa "ensinar".  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, portanto, de uma "má técnica docente"? Talvez, ou quem sabe até, por certo... Minha didática está em "ensinar", ou transmitir conhecimentos, julgando que os alunos, ou ouvintes de alguma palestra, serão suficiente maduros ou responsáveis para procurar, depois, seu próprio aperfeiçoamento cultural ou intelectual, cultivando as boas práticas do auto-didatismo que eu mesmo reputo valiosas para mim mesmo (e assim tem sido desde os tempos remotos em que aprendi a ler, na "tardia" idade de sete anos). Tanto sou motivado pela necessidade interior de ensinar, que procuro estender a tarefa além das quatro paredes da sala de aulas ou de um auditório ou seminário acadêmico. Pela necessidade de "complementar" esse ensino fora do período "normal" de atividade docente, criei e mantenho, praticamente sozinho (sem possuir as técnicas para tanto) um site de informação com motivações essencialmente didáticas. Também tenho produzido material impresso como derivação ou complementação das atividades didáticas: praticamente todos os meus livros -- com exceção de um grosso "tijolo" de pesquisa histórica -- resultaram de aulas dadas, conferências pronunciadas, palestras proferidas, seminários a convite (sim, nunca me "convidei" para qualquer tipo de atividade externa, tanto porque não conseguiria atender a todas essas oportunidades).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o site como os livros e trabalhos publicados, bem mais até do que as aulas dadas em caráter necessariamente restrito, constituem, obviamente, oportunidades para aparecer em público, me tornar "conhecido", quem sabe até "famoso" em certos meios. Seria então por um secreto desejo de prestígio pessoal, de reconhecimento público, de notoriedade acadêmica, que me obrigo a todas essas atividades cansativas, que não raro penetram fundo na madrugada e ocupam quase todos os fins de semana, para maior angústia familiar e evidente cansaço cotidiano? Não posso, honestamente, recusar esse aspecto da "necessidade de reconhecimento", talvez uma demonstração de "desvio de personalidade", buscando na exposição pública e no aplauso dos demais uma satisfação de alguma necessidade "secreta" que o excesso de timidez me impediria de realizar de outro modo. Não creio, todavia, que esse aspecto seja determinante, tanto porque tenho inúmeros outros trabalhos que permanecem rigorosamente inéditos ou porque mantenho, em paralelo, alguma atividade de correspondente dedicado -- e não apenas em direção dos muitos alunos que me procuram pedindo ajuda em trabalhos ou projetos de estudos -- e algumas colaborações regulares com determinados serviços de informação que não levam necessariamente minha assinatura.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A principal motivação, volto a reafirmar, é interna, e deriva dessa minha inclinação pelo estudo, pela sistematização do conhecimento, pela necessidade de eu mesmo "ver claro" no emaranhado de informações que recolho diariamente de livros, jornais e revistas, pelo desejo subseqüente de organizar o conhecimento adquirido em uma nova "síntese combinatória" e pela motivação ulterior de tentar alcançar um público mais amplo ao colocar no papel, se possível impresso e publicado, essa massa de conhecimentos que adquiro de forma contínua e de modo interminável. Tanto é assim que acabo aceitando, contra a opinião familiar e contra o que seria sensato do ponto de vista profissional, dar palestras em alguns cantos recuados deste país continente, sem outra motivação aparente (e real) do que a de atender à solicitação de algum grupo de estudantes que acabaram descobrindo, na Internet ou nas bibliografias, algum livro ou trabalho meu que estiveram na origem dos convites.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pretender dar qualquer conotação de "épico literário" a esse meu ativismo docente, algo de "jornada de Ulisses" pode estar escondida nas minhas aventuras didáticas, no mar revolto das instituições de ensino superior e nas enseadas mais movimentadas dos seminários acadêmicos. Com efeito, minha busca incessante de "complemento professoral" às atividades profissionais normalmente desempenhadas no âmbito da carreira diplomática -- já por si suficientemente absorvente -- pode ter esse sentido de "unending quest", de busca incessante de algo mais, ou de itinerário contínuo em direção de algo valorizado, que eu não bem precisar o que seja, exatamente. Na verdade, a comparação pode ser "misleading", pois mesmo Ulisses sabia para onde queria ir, e a esse objetivo dedicou todo o tempo da volta de Tróia, ainda que tivesse constantemente desviado de alcançar seu destino final pelas trapaças da sorte e pelos acasos da vida. De minha parte, eu não sei exatamente o que persigo ao me "obrigar", literalmente, a exercer uma "segunda" -- ou primeira? -- profissão, ao lado daquela que me distingue socialmente, que me define institucionalmente e que me remunera essencialmente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente do destino final, o caminho de Ítaca é ele mesmo toda uma aventura de vida, uma experiência gratificante (por vezes "mortificante") e, de certa forma, um reconhecimento implícito de uma certa "dívida social" que eu desejaria amortizar da forma mais inconsciente possível. Como seria isso? Sendo eu originário de família modesta, "habitante", até a adolescência tardia, de uma casa onde eram poucos os materiais de leitura e relativamente raros os "livros sérios", tendo feito toda a minha educação formal em instituições públicas e tendo tido a chance de poder freqüentar, desde muito jovem, uma biblioteca infantil, aprendi a valorizar tremendamente o hábito da leitura e o auto-aprendizado. Sou, essencialmente e verdadeiramente, um autodidata, no sentido mais completo e profundo da palavra, algo não necessariamente extraordinário ou excepcional, mas que no meu caso corresponde inteiramente a toda uma realização de vida que devo reconhecer e valorizar honestamente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, onde entra "Ítaca" nessa história de "self-made intellectual", de sucesso profissional pelo esforço próprio, de mérito social pelo empenho no estudo e no trabalho? Creio que "Ítaca" é uma espécie de "Santo Graal" intelectual que persigo por simples desencargo de consciência. Como aprendi por mim mesmo, mas também aprendi porque freqüentei escolas públicas que num determinado momento eram "boas" -- mas que hoje são passavelmente sofríveis, quando não insuficientes para formar qualquer estudante para o ingresso no terceiro ciclo -- e sobretudo aprendi porque tive à minha disposição uma biblioteca repleta de livros interessantes, acredito que ao me obrigar a dar aulas eu esteja, talvez inconscientemente, procurando dar aos outros aquilo que eu mesmo tive como "oferta da sociedade", basicamente uma boa escola pública e uma "grande" biblioteca infantil. São essas instituições que fizeram de mim o que sou hoje -- ademais do esforço próprio no estudo e na leitura, por certo -- e aparentemente eu tenho um certo "calling", um certo dever de consciência de contribuir em retorno ao que obtive em priscas eras (com perdão pela horrível expressão "pasteurizada"). Obviamente não estou retribuindo na justa medida, pois que dou aulas e orientação a "marmanjos" do terceiro ciclo, não a "pequenos inocentes" dos dois ciclos anteriores, mas é o que eu posso fazer, com meu singular  despreparo para aulas de ensino fundamental, e meu (reconheçamos) excepcional preparo para o ensino especializado, fortemente intelectualizado.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voilà, minha ilha de Ítaca é uma espécie de miragem, um ponto não alcançável no horizonte, jamais realizado ou realizável, mas que conforma um objetivo material (e "espiritual") que me traz imensa satisfação pessoal: a necessidade de ensinar, um desejo (agora não tão secreto) de contribuir para o engrandecimento alheio tomando como ponto de partida os conhecimentos que fui adquirindo ao longo de uma vida razoavelmente feliz, ainda que materialmente difícil, feita de muito estudo, de leituras intensas, de escrituras compulsivas, de perorações infinitas, de um constante navegar em busca de mais conhecimento, de mais informação, de um pouco mais de compreensão (no sentido weberiano da Verstehen).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, aliás, se chegarei a alguma Ítaca algum dia: a sensação que mais tenho é a de que sempre há uma nova porção de mar para além do horizonte, de que a busca do conhecimento é infindável e propriamente inesgotável. Mas, pelo menos, não busco o conhecimento pelo conhecimento, não me retiro nos prazeres secretos da leitura pela leitura, como esses leitores de Proust que fazem da busca do tempo perdido um exercício de indeclináveis características de "eterno retorno". Eu acredito na "flecha retilínea do tempo" (com os habituais "acidentes de percurso"), acredito que o saber tem um caráter instrumental, de liberação, de capacitação humana, de engrandecimento social, de aperfeiçoamento da humanidade, de busca de valorização do que é belo, do que é útil e, sobretudo, do que é bom. Nesse sentido, não sou relativista, nem agnóstico: acredito que o exercício das paixões humanas -- e, no caso, minhas atividades didáticas ou professorais constituem uma "paixão" -- podem e devem servir a algo de valorizado socialmente, não para uma mera satisfação pessoal de fundo egoísta.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito: dou aulas ou orientação com um certo sacrifício pessoal e familiar, e de forma nenhuma motivado pela remuneração ou pelo prestígio vinculado a essas atividades. Eu o faço por necessidade interior e motivado por um sentimento que poderia, honestamente, classificar como "nobre". Retiro satisfação social dos encargos docentes auto-assumidos, mas sobretudo retiro satisfação pessoal pelo fato de estar ensinando "algo" a mim mesmo: esse algo é a consciência de que pertencemos a uma entidade que nos transcende – sem qualquer espiritualismo aqui -- e que precisa melhorar constantemente para que nós mesmos possamos ter motivos contínuos de satisfação social ou pessoal. Sou perfeitamente "materialista", mesmo incorrendo no risco de ser incompreendido por esse conceito tão carregado de significados obscuros e supostamente "vulgares": acredito que a elevação da humanidade se dará por força e empenho pessoal de seus componentes irredutíveis, que são os seres humanos como eu e você, que me está lendo neste momento. Eu procuro, modestamente, contribuir com o meu pequeno esforço para a elevação dos padrões materiais e morais da humanidade. Por isso tenho orgulho em ser professor ou orientador, mesmo não necessitando fazê-lo por razões objetivas ou externas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não me falharem as forças, continuarei a caminho de Ítaca pelo resto de meus dias... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida   &lt;br /&gt;Brasília, 18 de outubro de 2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-1586761973079805266?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/1586761973079805266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=1586761973079805266&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1586761973079805266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1586761973079805266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/24-por-que-sou-professor-uma-reflexao.html' title='24) Por que sou professor: uma reflexao idealista...'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-4647313345898680754</id><published>2009-11-22T15:36:00.002-02:00</published><updated>2010-01-01T18:53:53.253-02:00</updated><title type='text'>23) Une saison dans les plaines</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Une saison dans les plaines&lt;/span&gt;: dez anos fora do Itamaraty&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Ensaio para a seção “Além do Itamaraty” do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Boletim ADB&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(ano 16, n. 67, outubro-novembro-dezembro 2009, p. 20-21).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último mês de Setembro de 2009 completei exatos dez anos fora da Secretaria de Estado. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Well, sort of&lt;/span&gt;: contando-se os quatro anos como ministro-conselheiro na Embaixada em Washington – de setembro de 1999 a outubro de 2003 – foram, mais precisamente, seis anos “líquidos” fora do Itamaraty, o que, se não me coloca num Guiness dos diplomatas da ativa alijados do corpo do Estado para o qual fizeram concurso de entrada, certamente me permite uma visão diferente de como é a vida “além do Itamaraty”. A bem da verdade, talvez os dez anos não se tenham esgotado de vez, posto que acabo de ser reintegrado à Secretaria de Estado apenas para ser removido a um posto no exterior dentro de mais alguns meses...&lt;br /&gt;Não que eu tenha escolhido voluntariamente tal “estada na planície”, mas são as “trapaças da sorte” que nos levam a situações por vezes inesperadas. A bem da verdade, quando da decisão de deixar a capital do Império para voltar ao cerrado central, eu dispunha de um convite para trabalhar numa área não executiva da Secretaria de Estado, não a que eu teria voluntariamente escolhido mas, digamos, aquela que de certa forma mais combinava com o meu caráter exageradamente estudioso. Não sei bem como, ou por que, essa possibilidade não se confirmou, por razões ainda obscuras, assim como foram obscuros dois outros bloqueios quando novas oportunidades apareceram, já no meio da estada em Brasília. Não creio que as explicações estejam nos “impulsos cegos do mercado” – ou seja, apenas a competição entre os mais capazes, ou os mais bem dotados pelas forças da natureza. Elas talvez se situem bem mais nos “espaços de política”, mas isso caberia esclarecer um dia.&lt;br /&gt;O fato é que, em meados de 2003, aceitei um convite do então ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e de Assuntos Estratégicos para assessorá-lo no recém criado Núcleo de Assuntos Estratégicos, uma espécie de mini &lt;span style="font-style:italic;"&gt;policy-planning staff&lt;/span&gt;, vinculado diretamente à Presidência da República. Meu primeiro trabalho foi colaborar num projeto para trazer de volta ao Estado o sentido do planejamento estratégico, de cuja condição ele se tinha aparentemente afastado por força de décadas de inflação galopante, de uma longa crise crônica, entremeada por planos mal concebidos e mal aplicados, e de várias tentativas de estabilização macroeconômica finalmente consolidadas no Plano Real. Comecei justamente por fazer um balanço da experiência brasileira de planejamento desde o pós-guerra, um ensaio publicado no primeiro número dos Cadernos do NAE, dedicado à apresentação do então nascente projeto “Brasil Três Tempos: 2007, 2015, 2002”.&lt;br /&gt;Permito-me um parênteses para explicar a origem desse projeto tri-anualizado, algo que já me foi perguntado por diversos interlocutores aos quais fiquei devendo uma explicação formal. Quando cheguei ao NAE, este ainda indefinido quanto à sua composição e funcionamento, se discutia um projeto de longo prazo para o Brasil, algo como 2020, talvez nos moldes dos cenários alternativos que tinham sido elaborados na encarnação anterior da Secretaria de Assuntos Estratégicos, sob o ministro Ronaldo Sardenberg. Pessoalmente, considerei essa perspectiva temporal “keynesianamente” muito longínqua, e propus, em seu lugar, um “Brasil 2008”, para marcar duzentos anos de administração e de empreendimentos do Estado a partir do próprio Brasil. Como estávamos ainda em 2003, e o governo deveria, teoricamente, encerrar-se em 2006, não haveria, a rigor, um planejamento para a administração em curso, mas sim uma série de propostas – que eu concebia ao estilo das metas do milênio da ONU, mas reduzidas à metade do prazo, e mais exigentes em seu conteúdo – que permitiriam ao Brasil retomar o sentido estratégico da construção nacional (não necessariamente do próprio Estado) com objetivos estritamente delimitados e focados no seu cumprimento. Foi dessa discussão entre o curto, o médio e o longo prazo que nasceu a idéia de se empreender um projeto em “três tempos”, sendo 2007 a primeira etapa, 2015 a superação das metas do milênio, e 2022 a comemoração dos duzentos anos de independência com uma nação presumivelmente desenvolvida. &lt;br /&gt;Minha concepção, porém, era a de um conjunto limitado de objetivos socioeconômicos – talvez não mais do que cinco grandes objetivos estratégicos – de maneira a realmente concentrar os esforços naquilo que eu considerava crucial para o desenvolvimento brasileiro: a educação, não necessariamente a universitária, e menos ainda aquela concentrada nas instituições federais de ensino superior. O projeto – não por minha escolha – acabou contemplando um número exageradamente elevado de “objetivos estratégicos”, o que obviamente não ajudou na focalização das ações. Seja como for, ao lado desses trabalhos dotados de sofisticada metodologia, levados a cabo, em sua maior parte, no excelente ambiente de trabalho intelectual que é o CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, onde fiz bons amigos – também escrevi e encaminhei ao chefe do NAE várias dezenas de mini-memos de trabalho, sobre diversos assuntos, enfocando em geral temas de políticas públicas em discussão no governo. Quando o responsável máximo se afastou do NAE, por razões que não cabe discutir, coloquei imediatamente meu cargo à disposição e fiquei aguardando que a Secretaria de Estado me designasse para novas responsabilidades.&lt;br /&gt;Foram praticamente dois anos e meio de espera, numa situação que eu mesmo classificaria de administrativamente irregular, não por minha escolha, obviamente. Esse tempo de afastamento da Secretaria de Estado, trabalhando em outro órgão, e de “travessia do deserto”, me permitiu, em todo caso, conhecer melhor o funcionamento (ou não?) da máquina do Estado – posto que interagi bastante, enquanto no NAE, com outras esferas da administração federal – e também a opinião de outros servidores do Estado sobre os diplomatas (nem sempre a mais elogiosa ou esperada). Devo dizer, aliás, que cansavam-me aquelas intermináveis reuniões no Palácio do Planalto, com alguns supostos decisores da cúpula, tecnocratas gramscianos (mas sem cultura renascentista) e que concluíam, depois de três horas de discussões atabalhoadas, por não concluir nada; ou melhor: se decidia fazer uma consulta entre os “movimentos sociais”, como se estes detivessem a “luz divina” do planejamento estatal. &lt;br /&gt;Desfrutei, durante esse tempo, de uma liberdade que provavelmente não teria conhecido no Itamaraty: para escrever, para viajar, para aceitar alguns convites acadêmicos que teriam passado ao largo de ocupações burocráticas na Secretaria de Estado. Certamente que esse afastamento – involuntário permito-me sublinhar mais uma vez – prejudicou minha carreira, talvez de uma maneira irremediável, mas cada um deve assumir plena responsabilidade por suas escolhas, atitudes e iniciativas. Sou e continuo responsável por tudo aquilo que digo, que escrevo, que publico, o que por vezes não é bem visto em certos meios, mas isso não me angustia demasiado: tenho por norma dizer exatamente o que penso – como resultado de pesquisas, leituras e reflexões – e não costumo depositar o cérebro na portaria quando vou trabalhar. Meu critério exclusivo, seja na vida acadêmica, seja na profissional, é o da honestidade intelectual, o que por vezes não se coaduna bem com certos meios politizados...&lt;br /&gt;Minha travessia pela planície das idéias – em contraposição aos commanding heights da ação executiva em negociações diplomáticas – tem sido gratificante no plano pessoal e creio ter servido ao País tão bem quanto qualquer outro funcionário de Estado, posto que nunca abandonei a perspectiva do serviço ativo. A nação comporta e abriga diferentes tipos de colaboração: continuo fazendo a minha parte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS.: Em todo caso, agradeço a todos aqueles que me permitiram tanta liberdade produtiva: nesse período, escrevi quatro livros e incontáveis ensaios acadêmicos e textos menores. Meu Lattes engordou, mas ninguém mete a mão nele por mim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 4 novembro 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-4647313345898680754?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/4647313345898680754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=4647313345898680754&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4647313345898680754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4647313345898680754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/23-une-saison-dans-les-plaines.html' title='23) Une saison dans les plaines'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6840949405207124432</id><published>2009-11-19T03:34:00.001-02:00</published><updated>2009-11-19T03:34:26.966-02:00</updated><title type='text'>22) Mais um aniversario...</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Etapas cronológicas (mais uma) e sentido da vida (se é que existe)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada nova etapa da vida, ou melhor, cada marca do avanço anual em nosso itinerário pessoal (sempre irreversível, como a flecha do tempo), convida, ao que parece: (a) à elaboração de um balanço recapitulativo; (b) a se fazer uma reconsideração do que já foi cumprido, até o momento do balanço, ou seja, proceder a uma avaliação do que poderia ter sido feito, e todavia não foi; e (c) eventualmente, a uma reconfiguração (novas promessas?) do que se pretende fazer, desse momento para a frente.&lt;br /&gt;Nem todos cumprem essa tripla tarefa; na verdade, são poucos os que buscam avaliação e reconfiguração de tarefas auto-assumidas, uma ínfima minoria, creio eu. Apenas aqueles que estabelecem objetivos muito precisos na vida costumam se fixar a obrigação de sempre reexaminar o trajeto percorrido e tentar alinhar novas metas para o itinerário futuro. Não poderia ser diferente comigo, pois estou sempre engajado em alguma tarefa ou várias (não raro “atrasadas”) todo o tempo. Nem sempre foi assim, mas desde que me reconheço como pessoa pensante (isto é, com minha própria cabeça), tenho sempre leituras esperando e vários trabalhos por terminar, uma interminável lista de “working papers” que parece bem maior nas intenções do que na relação de terminados. &lt;br /&gt;Deve ser alguma doença obsessiva ou um desvio de personalidade, qualquer coisa no meio disso (ou mais além), embora estes termos sejam fortes demais, provavelmente, para caracterizar o que parece revelar apenas certo gosto exagerado pelos livros e um prazer especial no ato de escrever alguma coisa, qualquer coisa, em torno dessas leituras. Como já relatei anteriormente, aprendi a ler na tardia idade de sete anos, e desde então nunca mais parei; não tenho certeza de quando comecei a escrever (compulsivamente, quero dizer), mas também nunca mais parei, seja lá quando começou dessa forma furiosa. &lt;br /&gt;Pois bem, quais são os meus objetivos de vida, pelo menos aqueles declaráveis? Depois de uma tentativa inicial de derrubar o sistema, mudar o regime e recriar a vida – o que vários de minha geração tentaram comigo – acomodei-me no trabalho intelectual, bem menos perigoso, diga-se de passagem, do que minhas aventuras juvenis de criar um outro mundo possível. Na verdade, parece que essa era mesmo a minha vocação original, pois confesso nunca ter me adaptado muito bem a uma dupla vida (embora esse recurso excepcional seja por vezes conveniente). De fato, o ser incógnito não combina bem com o trabalho intelectual de pesquisa, de redação e de publicação de ensaios sobre questões diversas de interesse pessoal ou de relevância social. Alguns, talvez por timidez, assinam com pseudônimo poesias juvenis; outros, como foi o meu caso, usaram pseudônimos em situações de restrições à liberdade e ao direito de expressão, o que correspondeu, em grande medida, à situação do Brasil nos meus anos de formação e desenvolvimento intelectual. Terei, oportunamente, de recuperar alguns desses escritos “alternativos” e reinseri-los no conjunto da produção, o que de toda forma não me parece muito urgente ou importante.&lt;br /&gt;O fato é que, restabelecida a democracia no Brasil, e eliminada de vez a necessidade da discrição ou do subterfúgio, dei início a uma produção escrita que pode ser considerada como razoável nos meios acadêmicos, ou talvez até excepcional no seio da casta diplomática, sempre mais contida na expressão pública de opiniões ou argumentos pessoais sobre temas alheios à sua esfera de competência específica. Essa atividade sempre esteve associada, ainda antes de assumir minha condição profissional de carreira, ao exercício de lides acadêmicas voluntariamente assumidas (e parcialmente cumpridas, na medida de minhas disponibilidades em relação ao trabalho principal). &lt;br /&gt;Nunca me preocupei em ser apenas acadêmico (ou teórico), e de fato sou essencialmente critico em relação à situação de baixa produtividade de nossas universidades públicas, assim como nunca pretendi ser apenas diplomata, mantendo uma atitude de avaliação realista em torno de nossas supostas qualidades apregoadas. De fato, o trabalho intelectual se justifica por si mesmo, sem necessidade de suporte acadêmico ou profissional, sem sequer vinculação a qualquer esforço editorial ou de publicação (sempre um problema num país de restritas possibilidades nessa área, como o Brasil). Na era das tecnologias da informação e da livre disposição e acesso a espaços abertos de comunicação e interação pública, como são os blogs, essas limitações já não representam mais um problema: paradoxalmente, os blogs são o maior “free lunch” que o capitalismo tem a oferecer e não sou eu que vai tentar resolver essa contradição positiva sob todos os pontos de vista.&lt;br /&gt;Para ser mais preciso, desde quase dez anos mantenho meu próprio site pagante – nos cinco anos anteriores em formato gratuito, e limitado – que foi concebido e realizado exclusivamente para fins didáticos e docentes, ou seja para informar, formar e subsidiar estudantes desorientados, jovens dubitativos e outros curiosos eventuais. A despeito de certo número (mais de uma dúzia) de livros editados comercialmente, nunca me preocupei em obter qualquer ganho com os meus escritos, e continuo não motivado por esse aspecto da produção intelectual (já que não tiro o meu sustento dessa frente de trabalho, nem pretendo acumular capital, primitiva ou secundariamente). Daí a grande – alguns diriam enorme – disponibilidade de textos acabados (numerados) em meu site e um volume ainda maior de textos que ainda pretendo escrever (e de livros que gostaria de publicar). &lt;br /&gt;Não tenho uma linha determinada em toda essa produção – respeitável, reconheço – mas tenho consciência de minhas competências e incompetências, embora seja “intrometido” o suficiente para me debruçar sobre questões que não fazem necessariamente parte de meu universo de trabalho ou de pesquisas. De fato, tento concentrar-me em temas para os quais tenho afeição intelectual ou empatias sociais. Afastado o vezo ideológico de meus primeiros escritos – abertos ou “clandestinos” – e a orientação militante de alguns textos sociológicos da primeira fase, tenho seguido a inclinação natural do ambiente profissional – que é o universo das relações internacionais – e meu gosto acentuado pela pesquisa histórica (para a qual não fui treinado técnica ou metodologicamente, diga-se de passagem). Acumularam-se, assim, livros e ensaios sobre a política externa e as relações internacionais do Brasil, sobre a economia mundial e o desenvolvimento econômico comparado, bem como os trabalhos de história diplomática e de historiografia especializada nessa área. &lt;br /&gt;Também tenho especial gosto pela história das idéias e pelos debates em torno de políticas publicas, em especial nos terrenos da economia e da educação. Nesses campos, porém, sou mais um “livre atirador” do que um especialista com credenciais aferidas. Não deixo, contudo, de elaborar minhas pílulas atrevidas e de oferecê-las livremente, como garrafas lançadas ao mar, esperando que alguém as recolha e retome o debate. Tenho sido um critico unilateral dos chamados antiglobalizadores – ou altermundialistas, como eles preferem se chamar – por encontrá-los especialmente irrealistas, inconseqüentes ou até mesmo prejudiciais à definição de uma via adequada ao desenvolvimento dos países atrasados. Não creio que o correto caminho da prosperidade e do crescimento sustentado passe, de perto ou de longe, pelas políticas preconizadas por esse bando de órfãos das soluções utópicas e de opositores da globalização, mas meus numerosos escritos nessa vertente têm recebido escassa repercussão. Talvez eu não esteja formulando minhas idéias e argumentos de maneira compreensível a maioria de meus leitores, pois confesso certa prolixidade de expressão e uma tendência ao alongamento da discussão (além, ao que parece, de um discutível estilo “florestânico”, adquirido no contato precoce com a escola paulista de sociologia). &lt;br /&gt;Ao fim e ao cabo, o balanço que eu posso fazer de minha produção não é de nenhuma forma desprezível, e digo isso sem qualquer sentimento de auto-elogio ou de satisfação injustificada. Não estou, de verdade, preocupado em acumular volume quilométrico, e a numeração e a listagem de meus trabalhos se destinam exclusivamente à organização necessária da produção (do contrário, eu não conseguiria encontrar algum texto esquecido nas camadas geológicas dessa massa caótica de textos diversos). De certa forma, cumpri com a vocação secreta ou implícita da juventude, qual seja, viver com livros, pelos livros, para os livros, essencialmente no debate e no confronto de idéias. Por certo, poderia ter feito mais do que efetivamente fiz, em especial na finalização de longos ensaios ou livros há muito tempo parados no pipeline dos “working files”, mas isso significa que eu teria de dedicar-me unicamente à atividade intelectual, o que tampouco representa a solução ideal para uma personalidade inquieta, como eu, com a situação do mundo real, em especial no Brasil.&lt;br /&gt;Quanto a prometer novos empreendimentos num momento de balanço e recapitulação, creio que vou eximir de promessas exageradas, pois já são muitos os projetos inconclusos e os esquemas desenhados e não realizados. Se eu conseguir, daqui para a frente, “liquidar” uma parte, que seja, dos textos esboçados e diminuir, ao menos um pouco, a pasta dos “Books To Work”, já me darei por satisfeito pelos anos à frente. Quanto ao público leitor, de fato não sei qual a sua exata composição, a não ser a vaga noção de que estudantes de nível universitário possam estar encontrando, em meu site e blogs, alguns textos interessantes para se divertir ou ajudar em algum encargo acadêmico. Para ser sincero, não escrevo para alguém ou alguma categoria de leitores em particular; escrevo para minha própria satisfação e por necessidade interior, o que me deixa inteiramente indiferente à possível repercussão externa que meus textos possam ter (a não ser a consciência do esforço didático e docente, ainda que indireto). &lt;br /&gt;Em última instância, o sentido de todo trabalho intelectual é uma espécie de diálogo à distância com meus predecessores acadêmicos – os que reforçaram ou forneceram os argumentos usados por mim – e com aqueles que ainda virão, daqui para a frente. Não posso esconder certa frustração – para não dizer séria preocupação – com a deterioração visível do ambiente acadêmico no Brasil, a caminho de uma nítida erosão da qualidade do trabalho intelectual e, no meu universo de atuação (as humanidades), de indisfarçável reforço dos seus elementos mais medíocres (que são também os mais militantes no rebaixamento involuntário da produção acadêmica). Isso está fora de minha capacidade alterar de modo significativo, mas procuro, dentro de minhas áreas de atuação, elevar a qualidade do debate público, sem qualquer ilusão, contudo, de que o Brasil consiga reverter esse quadro no futuro imediato. &lt;br /&gt;Descartando, porém, o pessimismo e o derrotismo, persistirei na minha tarefa auto-assumida de ler, resumir, escrever, ensinar, publicar, debater, que é tudo o que posso fazer de modo inteiramente livre, à margem e paralelamente de minhas ocupações profissionais. Cabe persistir, em quaisquer circunstâncias. É o que continuarei fazendo enquanto disponho de condições para tal. Vale!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 19 de novembro de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6840949405207124432?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6840949405207124432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6840949405207124432&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6840949405207124432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6840949405207124432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/22-mais-um-aniversario.html' title='22) Mais um aniversario...'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-3177231218653378401</id><published>2009-11-17T03:10:00.001-02:00</published><updated>2009-11-17T03:11:21.648-02:00</updated><title type='text'>21) Pensando alto, o que é sempre perigoso</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Confesso que sou da minoria (e pretendo continuar nela…)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pertenço a uma pequena minoria, certamente no Brasil, talvez mesmo no mundo (ainda que não caiba exagerar...). Não que eu fique preocupado com isso, mas desejo simplesmente falar sobre essa percepção, ou mera constatação, para fins de registro e inclusão em minhas futuras “memórias intelectuais”.   &lt;br /&gt;O fato é que eu tenho a nítida impressão de que pertenço a uma minoria, a uma pequena, a uma ínfima minoria que não partilha dos sentimentos, opiniões ou posturas da maioria dos brasileiros. Talvez seja algum elitismo intelectual da minha parte (o que não creio), mas não consigo me entusiasmar com o clima de euforia que acomete (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;c’est le cas de le dire&lt;/span&gt;...) a singela maioria (bota singela nisso) dos habitantes deste país (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;sans jeu de mots, s’il-vous-plaît&lt;/span&gt;...). &lt;br /&gt;Com efeito, eu não consigo seguir, nem puxado, nem empurrado, a unanimidade praticamente arrasadora em torno do “nosso guia” (no Brasil e, em grande parte também, no exterior), esse oba-oba em torno da situação econômica, o embevecimento beato com o “nunca antes neste país”, o ambiente de auto-congratulação permanente com as supostas realizações estupendas deste governo e de sua fantástica máquina de propaganda. &lt;br /&gt;Olhando tudo isso eu não consigo aderir ao espetáculo de panegíricos insensatos (em grande parte &lt;span style="font-style:italic;"&gt;self-made&lt;/span&gt; e auto-aplicáveis), posto que a realidade que eu vejo é completamente diferente. Não gostaria de destoar do ambiente geral (mas já o fazendo), permito-me ser do contra, não por contrariedade inata, ou desejo de ser diferente, mas simplesmente por não suportar cegueira coletiva.&lt;br /&gt;Vejo, ao contrário do que alguns apregoam por aí, uma degradação constante das instituições, o rebaixamento moral do Estado, a ignorância sendo erigida em qualidade popular, a mentira usada como arma política, a castração do parlamento como simples expediente de confirmação de uma nulidade, o emprego de táticas equivalentes à guerra de eliminação contra os adversários políticos, o desmantelamento consciente (talvez até inconsciente) dos partidos como legítimos representantes de correntes distintas de opinião, enfim, uma deterioração quase completa das virtudes cívicas de uma república democrática e o fortalecimento das piores virtudes do democratismo vulgar e popularesco.&lt;br /&gt;Que me perdoem os muito tolerantes ou os irremediavelmente otimistas, mas não consigo achar nada, absolutamente nada de bom na exaltação do anti-estudo, da falta de leitura, do senso comum erigido em capacidade pensante, dos argumentos vulgares brandidos como se fossem identificação com a massa, desse cultivar de ervas daninhas como se fossem finas flores da inteligência. Sobretudo, não consigo tolerar – me desculpem, mais uma vez, aqueles muito tolerantes – a desonestidade intelectual, a irresponsabilidade no trato da coisa pública, a mentira sistemática que apenas engana os mais ingênuos (mas que é sancionada por aqueles oportunistas que sabem), a mistificação continua de supostos grandes feitos, quando o que se tem, na verdade, é um teatro de ilusões e uma comédia de erros grosseiros. &lt;br /&gt;Assusta-me, por outro lado, ver tantos colegas acadêmicos, tantos parceiros profissionais, tantos pretensos “intelectuais” silenciarem em face de tantas bravatas vulgares, de tantas mentiras deslavadas, de tanta má-fé acumulada, sem nenhum comentário a fazer, sem nenhum gesto de repúdio, sem nenhum sinal de resistência mental, gestual que seja (mesmo sem chegar ao protesto aberto ou à manifestação escrita, como a que agora faço). Fico, de verdade, estarrecido, não tanto em face do perpetrador de bobagens – pois aprendi desde cedo a não esperar nada de inteligente vindo desse lado – mas em face dos supostos defensores da imaginação criadora, do iluminismo teórico, da verdade que liberta. Assusta-me o silêncio culpado e a irresponsabilidade dos intelectuais. Talvez seja covardia deles, talvez seja mero oportunismo. &lt;br /&gt;Não é sem uma ponta de tristeza que contemplo tudo isso, mas tampouco me deixo levar pelo desespero, e nisso não vai nenhum sentimento político, longe disso. Estou aqui refletindo em historiador das idéias, ou, se desejarem outras comparações, em arqueólogo das decadências passadas, em antropólogo das sociedades fracassadas, em psicanalista dos sonhos desfeitos. Não é a primeira vez que uma sociedade se deixa levar pelos piores instintos e pelas mais baixas tendências, pelo declínio intelectual – mesmo em meio a um suposto avanço material – e pela erosão moral. Mas é provavelmente a primeira vez que me é dado assistir a esses fenômenos diretamente, depois de ter lido tanto sobre a decadência em outras sociedades. Até cheguei a teorizar um pouco sobre isso, algum tempo atrás: “Pequeno manual prático da decadência (recomendável em caráter preventivo...)”, revista Espaço Acadêmico (ano 6, n. 71, abril 2007; link: &lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/071/71pra.htm"&gt;http://www.espacoacademico.com.br/071/71pra.htm&lt;/a&gt;). Poderia ser um mau filme, apenas um pesadelo, mas é assustadoramente real...&lt;br /&gt;Talvez caiba vaticinar uma previsão: não há nenhum risco de melhorar, no curto ou no médio prazo, cabendo apenas esperar que, no longo prazo, a educação melhorada da maioria permita reverter esse quadro, em favor de uma escolha mais adequada de líderes políticos e de melhores políticas públicas. Não digo isso por elitismo, por arrogância intelectual, apenas pela certeza de que as coisas poderiam ser melhores, um pouco melhores, se tivéssemos uma elite – entre a qual eu não incluo a classe política – preocupada com o destino da nação e não apenas com o seu dinheiro.&lt;br /&gt;Mas, poderão dizer os defensores da “nova ordem”, esta é uma reclamação habitual de intelectuais insatisfeitos e frustrados com o atual estado de coisas, já que esse processo expressaria uma mudança não prevista em seus (nossos) planos elitistas e conservadores, que não contemplariam uma inserção dos movimentos sociais e das camadas populares no jogo político. Creio que não preciso responder a mais esta mistificação, apenas lamentar que as oportunidades de diálogo estão se reduzindo perigosamente, ao ponto do estrangulamento das propostas inteligentes, mas não necessariamente “populares” ou politicamente corretas, sob certos pontos de vista. &lt;br /&gt;Não me repugna viver em minoria, desde que eu mantenha um ceticismo sadio em face das verdades reveladas, nem suportar um isolamento relativo, enquanto conservo um discreto otimismo quanto às chances futuras de um rebrotar da inteligência. Vale!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 17.11.2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-3177231218653378401?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/3177231218653378401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=3177231218653378401&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3177231218653378401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3177231218653378401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/11/21-pensando-alto-o-que-e-sempre.html' title='21) Pensando alto, o que é sempre perigoso'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-4829879835733679550</id><published>2009-07-30T10:23:00.001-03:00</published><updated>2009-07-30T10:24:50.939-03:00</updated><title type='text'>20) Reflexão, ou conselho, de Mario Quintana</title><content type='html'>Apenas transcrevendo, sem qualquer comentário, ou duplo sentido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não te irrites, por mais que te fizerem...&lt;br /&gt;Estuda, a frio, o coração alheio.&lt;br /&gt;Farás, assim, do mal que eles te querem,&lt;br /&gt;Teu mais amável e sutil recreio..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mario Quintana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-4829879835733679550?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/4829879835733679550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=4829879835733679550&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4829879835733679550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4829879835733679550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/20-reflexao-ou-conselho-de-mario.html' title='20) Reflexão, ou conselho, de Mario Quintana'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-3045407609536024464</id><published>2009-07-02T20:24:00.003-03:00</published><updated>2009-07-02T20:31:55.086-03:00</updated><title type='text'>19) Mais um questionario sobre a carreira diplomatica</title><content type='html'>Incrível: acho que respondo um questionário por mês. Respondo e depois esqueço. Como suponho que talvez interesse a mais estudantes (não tanto pelos aspectos pessoais, e sim pelas informações sobre a carreira), permito-me reproduzir aqui também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Questionário sobre a carreira diplomática&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1) Nome:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2) Situação familiar: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Casado, 2 filhos (28, homem, e 19 anos, mulher).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3) Contato:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Ministério das Relações Exteriores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;4) Fez planejamento de Carreira?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;5) Teve alguma referência profissional?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Jamais; sem qualquer contato preliminar com a carreira diplomática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;6) Área:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Diplomacia, carreira de Estado, serviço exterior brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;7) Cargo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ministro de Segunda Classe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;8) Descrição da Função:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Chefia de departamento, ministro conselheiro em embaixadas do Brasil no exterior, chefia de consulado geral, diversos outros cargos na burocracia do ministério ou, eventualmente, em outras agências públicas federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;9) Foi motivado por alguma causa/visão/missão etc?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Não especialmente: a carreira surgiu como opção a partir de informação sobre concurso público para ingresso na diplomacia, a partir de minha experiência “internacional” previamente adquirida como estudante no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;10) Objetivos atuais de vida:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Continuar na carreira, por mais algum tempo, até a aposentadoria compulsória, servindo ao Brasil, e ao mesmo tempo me dedicando a atividades acadêmicas paralelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;11) Formação:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Licenciado e doutor em Ciências Sociais, mestre em planejamento econômico, com especialização em economia internacional, todos títulos obtidos em universidades estrangeiras.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;12) Competências:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Ciência Política, relações internacionais, história diplomática, temas de desenvolvimento econômico e de economia política internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;13) Habilidades:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Ademais das atividades próprias à diplomacia (informação, representação e negociação), competência acadêmica como professor e pesquisador em temas de relações internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;14) Remuneração média de um profissional da área:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Muito variada, tanto dentro da carreira no exercício burocrático em Brasília, como a serviço do Brasil no exterior; em Brasília, há uma escala gradualmente ascendente de remuneração, de terceiro secretário a ministro de primeira classe, que depende ainda do exercício de funções de chefia (cargos de direção e assessoramento superior), complementado por aluguel moderado por utilização de moradia funcional (variável, também, em função da hierarquia); pode ir de R$ 7 mil a 20 mil. No exterior, a remuneração básica (vencimentos) é corrigida por índices de correção variáveis segundo os postos (correção cambial ou por custo de vida), acrescida de algumas gratificações variáveis por posto (na verdade, a única existente é a ajuda para aluguel de moradia, mas se cogita a introdução de auxílio-educação); pode ir de US$ 7 mil a 15 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;15) Estágio do desenvolvimento profissional:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;O ministro de segunda classe é o penúltimo estágio na carreira, antes do ministro de primeira, usualmente chamado de embaixador (que na verdade é um título por exercício de chefia de posto no exterior).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;16) Percurso que seguiu para chegar no cargo:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Concurso de ingresso na carreira (etapa inicial e obrigatória, uma vez que o recrutamento só se faz por concurso público, exclusivamente por mérito), exames intermediários para ascensão funcional (Curso de Aperfeiçoamento, para segundos secretários; Curso de Altos Estudos, para conselheiros, com apresentação de tese e sua defesa em banca). Todo o processo de ascenção funcional é regulado em legislação própria, implicando seleção dos pares e das chefias para ingresso num Quadro de Acesso, seguido de promoção por antiguidade ou merecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;17) Se sente realizado profissionalmente?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Certamente: a carreira diplomática oferece inúmeras oportunidades para o enriquecimento profissional e intelectual, oportunidades de vivência no exterior, em diversas situações, e chances aos familiares para experiência de vida no exterior, com grandes benefícios em termos de estudos e aprendizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;18) O que teria feito de diferente?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Carreira acadêmica, igualmente gratificante no plano intelectual (e da liberdade de pensamento e atuação), mas certamente menos “remuneradora” em termos de atuação na vida profissional, com possibilidades de influência concreta nos destinos do país, mediante participação em negociações internacionais que por vezes são decisivas para a inserção externa do país e a obtenção de ganhos imediatos no plano de vantagens comerciais, tecnológicas e financeiras, advindas da cooperação e interdependência econômica no plano mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;19) O que pensa do futuro desse setor e do próprio futuro profissional?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Deve continuar sendo uma das principais agências de afirmação dos interesses nacionais, uma vez que a diplomacia assume papéis crescentes com a aceleração do processo de globalização e do aumento da interdependência internacional em todas as áreas, com destaque para a economia e a administração dos recursos comuns (em meio ambiente, por exemplo). Continuarei servindo ao país como tenho feito nos últimos 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;20) Descreva um dia habitual de trabalho:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Na Secretaria de Estado (Brasília), processamento de papéis, que tipicamente são telegramas de embaixadas e missões no exterior, com alguma questão de negociação na qual o Brasil encontra-se envolvido; a partir do insumo inicial, o trabalho constitui uma elaboração da demanda no sentido de se dispor de informações adequadas para elaborar alguma instrução negociadora, a partir da memória existente e da consulta a outras agências públicas envolvidas no tratamento daquela matéria (comercial, financeira, de cooperação técnica, segurança etc). No exterior, se assegura a interface entre o Brasil e governos estrangeiros ou organizações internacionais, com os quais se pode negociar diretamente (no plano bilateral) ou conjuntamente (no caso de atuação multilateral); ou seja, além do processamento da informação, há típicas situações negociais, que envolvem o recebimento de instruções precisas da Secretaria de Estado, sem o que o diplomata teria de agir segundo seu conhecimento anterior de assuntos similares e em função de uma percepção própria do interesse nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;21) Grau de estresse existente nesta função:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Não superior a outras funções existentes na burocracia governamental, derivado das deficiências, da baixa coordenação funcional e dos entraves burocráticos normalmente existentes no Estado brasileiro; no exterior, o estresse é geralmente derivado das condições de vida existentes em determinados postos ditos de “sacrifício” (ou seja, apresentando carências e insuficiências no plano material, eventualmente acrescido da falta de domínio de certos idiomas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;22) Maiores dificuldades enfrentadas neste trabalho:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Dificuldades em obter informações adequadas ou embasamento técnico suficiente para a formulação (e ulterior execução) de instruções adaptadas a um determinado processo negociador e que expressem adequadamente o interesse nacional, ele mesmo difícil de ser definido, em função de percepções variadas, por vezes conflitantes do que seja esse interesse, em face de elementos contraditórios (sempre presentes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;23) Maiores satisfações alcançadas:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Poder lograr a conquista dos objetivos  traçados nas instruções em processos negociadores nos quais se está envolvido, ou seja, conseguir cumprir as metas definidas pela agência pública à qual se serve (neste caso, o Itamaraty e a política exterior do Brasil). No plano pessoal, ser reconhecido como competente pelos pares e pelas chefias e obter promoções e remoções (postos) condizentes com suas aspirações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;24) O que você destaca como um diferencial nesta área?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;A preparação intelectual é, de longe, o principal fator de sucesso na carreira diplomática, muito embora o relacionamento humano também seja relevante para o adequado desempenho das funções. A combinação de mérito pessoal e de capacidade a bem se relacionar com colegas nacionais e estrangeiros é essencial para um bom desempenho nas funções diplomáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;25) O que ninguém sabe sobre essa carreira?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Existem muitos mitos cercando a carreira diplomática, geralmente ligados à imagem esnobe ou pretensamente sofisticada que teriam os diplomatas. Trata-se de uma carreira burocrática, como muitas outras, mas envolvendo também uma percepção especial do elemento humano (human factor) nas relações impessoais de Estado a Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;26) O que você sugere para quem está se inserindo profissionalmente?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Em primeiro lugar, um cuidado com a preparação intelectual, não apenas no ingresso, mas ao longo de toda a carreira diplomática: ou seja, o estudo constante não apenas dos dossiês, mas de todo e qualquer assunto suscetível de constituir um objeto de negociações internacionais (o que, atualmente, envolve quase todos os aspectos da vida nacional). Em segundo lugar, um cuidado especial com as relações humanas e sociais, uma vez que a diplomacia apresenta alto componente de relações inter-pessoais, mais, provavelmente, do que em qualquer outra carreira pública. Em terceiro lugar, alta disposição para a mudança constante – o nomadismo profissional faz parte da carreira – e capacidade de adaptação a ambientes diversos, por vezes difíceis, pessoalmente ou para a família. Em último lugar, mas talvez o mais importante, uma predisposição para o serviço do país, o que envolve uma percepção aguda do que seja o interesse nacional, nem sempre adequadamente refletido em instruções “burocráticas” recebidas no exercício de funções negociadoras (o que introduz o fator pessoal na administração e desempenho de suas funções). Desenvolvi algumas dessas idéias em meu texto “Dez regras modernas de diplomacia” (&lt;a href="http://www.espacoacademico.com.br/004/04almeida.htm"&gt;disponível neste link&lt;/a&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-3045407609536024464?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/3045407609536024464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=3045407609536024464&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3045407609536024464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/3045407609536024464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/19-mais-um-questionario-sobre-carreira.html' title='19) Mais um questionario sobre a carreira diplomatica'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-8479842818627403757</id><published>2009-07-02T20:17:00.002-03:00</published><updated>2009-07-02T20:20:09.602-03:00</updated><title type='text'>18) O profissional de RI no setor publico</title><content type='html'>Mais um trabalho de resposta a indagações de alunos, inédito até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A importância do profissional de relações internacionais no setor público&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida (1 de junho de 2008)&lt;br /&gt;Respostas a questionário de pesquisa de estudante em RI da Unisul, Florianópolis, SC&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1 – O profissional de relações internacionais tem muitas possibilidades para atuação num mercado cada vez mais diversificado. Quais são as áreas de atuação que esse profissional pode exercer na esfera pública além da diplomacia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Na esfera do governo federal são várias outras: analista de comércio exterior do MDIC; analista de informações da ABIN; assessorias de relações internacionais dos ministérios setoriais (sobretudo aqueles que possuam grande interface internacional, para cooperação e integração, o que atualmente cobre praticamente quase todos os ministérios); assessores parlamentares do quadro oficial do Legislativo, eventualmente até no Judiciário ou esferas correlatas. Nos governos estaduais e municipais (capitais dos estados, grandes municípios e municípios de fronteira), nas assessorias internacionais que possam existir ou nas secretarias de governo especializadas em temas de cooperação internacional (educação, saúde, etc.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2 – Qual é a importância de um profissional de relações internacionais na esfera pública?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Pode ser relevante, na medida em que a rede de acordos internacionais (na esfera regional ou multilateral) é atualmente muito grande, exigindo, portanto, alguma expertise, conhecimento, experiência e vivência em cooperação internacional, que vai muito além do mero conhecimento de línguas. Todas as áreas de especialização técnica se beneficiam de cooperação bilateral (entre países, ou até entre serviços especializados dos países) ou de projetos de cooperação mais ampla, envolvendo vários países e, na maior parte dos casos, organismos intergovernamentais, ONGs e outras entidades com interface internacional (do setor privado, do acadêmico ou centros de pesquisa). &lt;br /&gt;O profissional de RI deve ter competência para lidar com todas essas esferas de maneira a poder definir os melhores instrumentos a serem aplicados em cada caso. Ao mesmo tempo, ele deve saber resguardar as esferas de competência privativa dos setores encarregados de negociações em áreas relevantes de interesse público (geralmente a cargo do MRE, mas também Fazenda, Bacen, MPOG e outras agências públicas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3 – O setor público em geral conhece a necessidade de ter um profissional de relações internacionais e, além disso, sabe de sua importância?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Na esfera diplomática e setores afins (ou seja, aqueles que estão constantemente em contato com organismos internacionais) certamente, embora nem sempre é o caso em ministérios setoriais que até pouco tempo atrás tinha pequena interface externa no trabalho diário. Mas não é necessariamente o setor público que precisa conscientizar-se da necessidade: ele geralmente emprega os profissionais mais habilitados para o desempenho de funções especializadas, o que nem sempre quer dizer, necessariamente, um profissional de RI: se o BC quer negociar acordos financeiros, ele terá necessidade de técnicos em finanças internacionais, que podem ser antes economistas do que profissionais de RI. Da mesma forma, negociações especializadas em tarifas aduaneiras ou em epidemias de alcance transfronteiriço podem requerer o concurso de técnicos habilitados nessas áreas, não obrigatoriamente o profissional RI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;4 – Existem perspectivas positivas de expansão da área de atuação do profissional de RI no setor público?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Certamente, na medida em que a globalização é um traço incontornável da nossa época, veio para ficar e se expandir cada vez mais. Presumivelmente, essa tendência vai exigir um número cada vez maior de profissionais de RI, mas não apenas ou não exclusivamente, pois a especialização crescente de determinados temas – como em mudanças climáticas, por exemplo – pode exigir técnicos especializados nesses temas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;5 – O senhor acredita que a maioria dos cursos superiores de RI no Brasil formam um profissional cosmopolita, capaz de atuar em qualquer setor?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não, não acredito. Os cursos foram criados apressadamente, para atender a uma demanda difusa, percebida como “importante”, a partir de uma percepção do crescimento da interface internacional em quase todas as esferas da vida pública e privada. Os cursos foram surgindo de maneira empírica e não necessariamente atendem às necessidades seja do setor público, seja do mercado. Acredito que os cursos precisam melhorar muito, ainda, para formarem profissionais habilitados e competentes. Esses cursos constituem uma assemblagem de matérias tradicionais – advindas do direito, da ciência política, da história e da economia – sem necessariamente constituir um corpo coerente de disciplinas voltadas para a formação de um profissional completo ou preparado para enfrentar responsabilidades importantes no cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;6 – Como é o trabalho de um profissional de RI que atua em órgãos públicos hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Basicamente análise de informação e processamento de diferentes insumos que podem servir para a tomada de decisão em sua área de atuação. Para os diplomatas, essas tarefas são acrescidas de responsabilidades negociadoras e de representação, quando trabalhando em embaixadas e missões diplomáticas no exterior. O domínio dos dossiês sobre os quais se têm responsabilidade é essencial para o bom desempenho dessas funções pelos profissionais em RI, funções que são necessariamente variadas em sua diversidade temática e contínuas no seu desenvolvimento cronológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;7 – Por se tratar de um curso novo, muitas pessoas acreditam que relações internacionais é um curso “complementar” de outros cursos, como administração ou comércio exterior. Tratando-se especificame&lt;/span&gt;nte do mercado de trabalho, é possível dizer que essas afirmações tem fundamentos?&lt;br /&gt;PRA: Sim, elas têm fundamento – ainda que possam ser parcialmente equivocadas – porque, na verdade, o profissional de RI é um “administrador” de temas diversos, todos situados na interface com o externo, mas que não deixam de ser de “administração” de coisas e de pessoas. O comércio exterior é uma interface importante na vida de qualquer país, na medida em que todas as empresas, hoje em dia, estão confrontadas à concorrência externa e necessitam desenvolver estratégias competitivas que maximizem seus ganhos no mundo e permitam sua sobrevivência no mercado interno. Os cursos de RI não são, obviamente, “complementares” a administração ou comércio exterior, mas eles surgem a posteriori, com um panorama já dominado por esses profissionais que estão no mercado há mais tempo, sendo assim natural que seja assimilados aos primeiros. &lt;br /&gt;A diferenciação se dará aos poucos, na medida em que currículos e oportunidades de mercado forem se consolidando no Brasil. Em todo caso, muitos cursos de RI formarão “administradores de comércio exterior”, o que será sempre necessário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Brasília, 1 de junho de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-8479842818627403757?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/8479842818627403757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=8479842818627403757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8479842818627403757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/8479842818627403757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/18-o-profissional-de-ri-no-setor.html' title='18) O profissional de RI no setor publico'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-1782321761439966464</id><published>2009-07-02T20:12:00.002-03:00</published><updated>2009-07-02T20:14:55.079-03:00</updated><title type='text'>17) Questionário sobre a diplomacia</title><content type='html'>Mais um questionário respondido bilateralmente, e que tinha permanecido inédito desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Questionário sobre a diplomacia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida (6 de junho de 2008)&lt;br /&gt;a questões colocadas por estudante da Universidade de Caxias do Sul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Breve currículo para crédito da fonte, contendo formação, cargo, embaixada e tempo que atua na função.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida: Doutor em Ciências Sociais (Universidade de Bruxelas, 1984), mestre em Planejamento Econômico (Universidade de Antuérpia, 1977), diplomata de carreira desde 1977. Trabalhou no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007). Professor no mestrado em Direito do Uniceub e professor-orientador no mestrado em diplomacia do Instituto Rio Branco. Ocupou postos nas embaixadas em Berna (1979-1982), Belgrado (1982-1985), Paris (1993-1995) e Washington (1999-2003) e nas delegações do Brasil em Genebra (1987-1990) e em Montevidéu (1990-1992). Último posto diplomático ocupado: ministro-conselheiro na Embaixada em Washington. Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (MRE) foi chefe da Divisão de Política Financeira e de Desenvolvimento (1996-1999). Atualmente (2003), é professor orientador do Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco. (ver mais em www.pralmeida.org) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1) O que caracteriza uma embaixada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, simplesmente, de uma representação política de um país junto a outro, mais especificamente de um enviado de um chefe de Estado junto a seu colega, no quadro de relaçoes diplomáticas normais. Trata-se de uma instituição das relaçoes internacionais muito antiga, hoje formalizada por alguns tratados multilaterais e sempre enquadrados numa determinada relação bilateral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2) Qual a função do Embaixador?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Três funções, basicamente: representar, informar, negociar. São clássicas, mas o embaixador desenvolve um trabalho de relacionamento pessoal com representantes oficiais do Estado em que está acreditado, mas também alcançando a sociedade civil e meios especializados (homens de negócios, de letras, cientistas, acadêmicos etc). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3) Quais os elementos essenciais e/ou mais importantes para o exercício da diplomacia em um país estrangeiro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sensibilidade para as peculiaridades do país em que está acreditado, travar um conhecimento não perfeito, mas suficiente desse país para poder informar de maneira adequada, desenvolvimento de relações sem qualquer tipo de preconceito político ou ideológico, disposição para receber, conversar, travar relações mais amigáveis do que o simples contato burocrático, o que pode facilitar tarefas negociadoras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;4) A seu ver, qual a importância da comunicação no exercício da diplomacia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A diplomacia vive de informação (muita) e de comunicação (regular, constante, permanente), para o seu próprio serviço diplomático, mas também em direção do país em que se está acreditado. A informação, para qualquer dos lados, mas sobretudo para o país em que se está servindo, precisa ser objetiva, clara, sincera, e se pautar por simples regras de cortesia e de formalidade diplomática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;5) No que o fator cultura interfere quando das ações diplomáticas em diferentes países?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma regra essencial para todo diplomata é sua capacidade de representar e de dialogar com os nacionais do país em que serve sem jamais ofender sensibilidades ou incorrer em alguma descortesia involuntária, por desconhecimento da cultura local, da história desse país e de suas orientações políticas básicas. A cultura é o elemento subjacente a qualquer povo, independentemente de suas instituições políticas, de seu desempenho econômico ou mesmo das orientações de sua diplomacia. Conhecer a cultura de um povo facilita enormemente o trabalho de representação e de negociação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;6) A embaixada do Brasil utiliza uma comunicação previamente planejada?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depende muito da Embaixada. Em grandes postos (digamos Washington, Buenos Aires, Londres, Paris e alguns outros), sempre existem assessores de imprensa e um trabalho conduzido especificamente no plano do relacionamento público e da informação dirigida. Pequenos postos não costumam ter esse tipo de assessoria, por insuficiência de meios, mas isso não quer dizer que o embaixador não possa ter uma estratégica própria de comunicação, obviamente adaptada ao contexto cultural e político e às circunstâncias locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;7) Todas as Embaixadas brasileiras seguem uma mesma orientação quanto a comunicação, ou cada embaixador é livre para planejar a sua?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há muita variação nesse particular, pois tudo depende da densidade das relações bilaterais e do engajamento do país nessa relação particular. A regra básica é elevar ao máximo a qualidade das relações, o que implica desenvolver um trabalho sempre adaptado às características especificas do posto. Todo Embaixador pode, e deve, tomar iniciativas e desenvolver seu próprio programa de comunicação, mas nem todos dispõem de meios adequados (financeiros, basicamente, mas pessoal, também) para cumprir grandes objetivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Rio de Janeiro, 6 de junho de 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-1782321761439966464?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/1782321761439966464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=1782321761439966464&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1782321761439966464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1782321761439966464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/17-questionario-sobre-diplomacia.html' title='17) Questionário sobre a diplomacia'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-1420102286626026636</id><published>2009-07-02T20:03:00.002-03:00</published><updated>2009-07-02T20:08:39.835-03:00</updated><title type='text'>16) Questionario sobre a carreira diplomatica</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Questionário sobre a carreira diplomática&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;(para atender a consulta de estudante; já tinha sido preparado em 25.06.2008, mas permaneceu inédito desde então).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1) Quantos anos vc tinha quando decidiu que queria seguir este caminho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Eu tinha 27 anos completos, mas eu fiz o concurso tarde, depois de passar quase sete anos na Europa, estudando, durante o período mais duro da ditadura militar no Brasil, de onde tinha saído no final de 1970, com 21 anos recém completados. Eu não sou critério para o típico candidato à carreira diplomática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2) Quais foram as suas motivações? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Na verdade, eu não tinha pensado em ser diplomata anteriormente, tanto porque nos anos anteriores estava mais ocupado tentando derrubar o governo brasileiro, como opositor de esquerda à ditadura militar que eu era (daí o exílio auto-assumido). Fiz o exame quase que por surpresa, simplesmente motivado por um anúncio de concurso direto (isto é, não um vestibular para o Curso Preparatório à Carreira Diplomática, tendo de fazer dois anos de estudo no Instituto Rio Branco, como sempre foi o normal desde 1945). Foram concursos diretos excepcionais, feitos durante alguns anos, depois de medidas de expansão do corpo diplomático brasileiro em meados dos anos 1970.&lt;br /&gt; Uma das motivações minhas foi “testar” a minha “ficha policial”, depois de alguns anos trabalhando contra o governo brasileiro, ainda que com outros nomes: todos os candidatos a carreiras públicas tinham de ser “cleared” pelo Serviço Nacional de Informações. Passei, para surpresa minha. Outra surpresa foi simplesmente dar início a uma nova carreira, com novas perspectivas de vida, depois de uma trajetória de vida e profissional basicamente acadêmica (eu era professor universitário antes de ingressar na carreira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3) Vc trabalhou durante o período em que esteve estudando para o concurso? No quê?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Sim, eu estava trabalhando o tempo todo, dando aula em duas faculdades em SP, e praticamente não estudei. Eu estava bem preparado para a maior parte dos exames de ingresso, uma vez que sempre fui um “rato de biblioteca”, com milhares de leituras acumuladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;4) O que sua família achou da sua decisão?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não tinha família própria. Meus pais gostaram da decisão, ainda que não soubessem quase nada sobre a carreira diplomática, vindos de um meio social muito modesto.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;5) Vc já tinha filhos?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não que eu saiba... Não, não tinha filhos, pois não era casado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;6) O que sua esposa achou?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Só me casei um ano e meio depois de ter ingressado na carreira diplomática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;7) Ela quis lhe acompanhar desde o início? Deu suporte ao seu sonho e período de estudos?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Minha esposa é uma nômade nata, sempre teve entusiasmo por viagens, mudanças, andanças contínuas e intensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;8) Ela trabalha em algo que seja possível lhe acompanhar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Ela era economista e de certa forma renunciou à sua carreira para acompanhar todas as mudanças que tivemos, tanto de país, como para cuidar dos filhos, etc. Deixou de ser economista e passou a ser historiadora, fazendo pesquisas em todos os lugares para onde fomos, dedicando-se também, e paralelamente, às artes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;9) Onde vc se orientou para estudar?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Estudei absolutamente sozinho na pequena e breve preparação para a carreira diplomática. Praticamente, apenas li um livro de Direito Internacional, uma de minhas deficiências, e outros de redação em inglês, a outra deficiência. Apenas isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;10) Quais materiais usou?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Livros que eu tinha, outros que consegui, comprando ou emprestando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;11) Como era sua rotina de estudos?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Nenhuma, apenas lia nas horas vagas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;12) O que fazia para tirar o stress?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Continuava lendo, algumas obras fora do programa, literatura, sociologia do Brasil, história, etc. Ou seja, eu estou sempre lendo, o tempo todo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;13) Como se alimentava? Fazia exercícios físicos?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Normalmente. Estava na casa dos meus pais, nessa época, ainda que provisoriamente. Eu tinha praticamente acabado de voltar depois de quase sete anos na Europa e não tinha ainda recursos para viver por minha própria conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;14) Quanto tempo demorou para vc entrar desde que começou os estudos para o concurso? Quais foram suas maiores dificuldades?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Três meses. Estudei muito pouco, apenas direito e inglês, como referi acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;15) Qual o tempo médio de estudo (das pessoas em geral) para entrar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Não tenho idéia. Creio que depende de cada um e de sua formação e preparação anterior. Eu sempre fui, como disse, um rato de biblioteca e dominava praticamente o conjunto das matérias, naturalmente, sem jamais ter me preparado anteriormente para esse tipo de concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;16) Vc tinha amigos ou conhecidos dentro do Itamarati que lhe forneciam informações ou dicas sobre o concurso?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não conhecia absolutamente ninguém, não só no Itamaraty como em Brasília. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;17) Quanto influencia o fato de se conhecer alguém lá dentro antes de entrar? O lugar para onde vc é mandado em missões muda de acordo com alguma hierarquia de amizade?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não, absolutamente negativo. Os exames de ingresso são totalmente impessoais, não identificados. Ninguém sabe quem está fazendo exame de ingresso, pelo menos nos últimos anos. Até certo tempo atrás (dez anos atrás, talvez), havia uma etapa intermediária composta de uma banca examinadora, supostamente para saber se o candidato tinha mesmo condições ou vocação para ser diplomata. Isso não implicava, porém, em qualquer benefício especial, pois todos os demais exames continuavam não identificados (inclusive um candidato supostamente “apoiado” por alguém de dentro poderia ser teoricamente barrado nos testes psico-técnicos que eram obrigatórios). Uma vez entrado na carreira, pode haver algum tipo de “negociação” para a seleção de algum posto, mas isto tende a ser formalizado de maneira impessoal, também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;18) Como funciona a hierarquia dos diplomatas em função do local para onde são enviados para residir?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Todos os postos possuem um quadro fixo de diplomatas (geralmente um embaixador, um auxiliar direto, que pode ser um ministro ou conselheiro, dependendo do posto, e depois tantos conselheiros ou secretários em função da dimensão do posto), que está determinado em Portaria e não pode ser mudado arbitrariamente. Ou seja, só se vai para um determinado posto segundo regras muito estritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;19) Como funciona o mestrado? A pessoa pode escolher assuntos de maior interesse para estudar? Qual é o sistema e horário de estudo?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não existe mestrado, estrito senso na carreira diplomática. O próprio curso do Instituto Rio Branco foi equiparado, desde 2002, a um mestrado profissionalizante (tipo C, pelos critérios da Capes), ou seja, o Terceiro Secretário já um “mestre”. No curso da carreira existem duas outras etapas de estudo: como segundo secretário, um Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas, que na verdade é composto de palestras e um conjunto de exames para aferir capacidade intelectual; depois, como Conselheiro, se deve fazer uma tese e defendê-la em banca, o que poderia ser equiparado a um “doutoramento” (embora sem os requerimentos de créditos ou orientação de um doutoramento acadêmico). Não existem horas reservadas a isso, e o estudo deve ser retirado do tempo de lazer pessoal e horas livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;20) O tempo de estudo é considerado como trabalho?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não se aplica, mas um diplomata pode pedir uma licença para “concluir” a sua tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;21) Quando a pessoa está realizando o mestrado ela só estuda (durante qtas horas?) ou trabalha também (durante quantas horas, e, no quê?)&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não se aplica. Atualmente, os recém ingressados no curso profissionalizante do Rio Branco estudam pela manha e já trabalham nas divisões pela parte da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;22) E nas missões diplomáticas, ele vai acompanhado por outros diplomatas ou vai só?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Missão diplomática significa remoção para algum posto: o diplomata é removido individualmente, e parte com sua família apenas. Podem existir coincidências de partidas conjuntas ou simultâneas, mas as remoções são sempre individuais. Uma delegação para alguma reunião especial, ou conferência diplomática, configura uma viagem a serviços, de alguns dias apenas, e podem ocorrer partidas de dois ou mais diplomatas para a mesma reunião (ONU, OMC, etc.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;23) E quanto a moradia? Escola dos filhos? Cursos? Há alguma orientação ou algum tipo de descontos ou posições preferenciais?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Tudo é administrado pelo próprio diplomática, que tem de encontrar soluções de mercado. Em alguns postos, a embaixada pode dispor de residências próprias. Existe também um auxílio para pagar aluguel, variável segundo os postos, mas nada está previsto para a educação, que fica totalmente no âmbito pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;24) Vc só vai para paises onde saiba o idioma?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não, não existe nenhuma relação. Este não é o critério para remoção. O diplomata tem de saber inglês e algumas outras línguas preferencialmente, mas os postos são os mais variados possíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;25) Como vc faz para equilibrar o tempo entre trabalho/obrigações extras/amigos família?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;PRA: Questão puramente pessoal, cada um se organiza como deseja ou pode. A carreira não é diferente da carreira militar, ou pode ser vista similar a de executivos de empresas internacionais. Existem horas de trabalho, algumas obrigações sociais (recepções, etc.) e o resto depende de cada um. Eu viajo ou leio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;26) Quando vc está morando fora do Brasil, tem passagens gratuitas e algum tempo disponível para vir ao Brasil?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;PRA: Não, cada um usa as férias como desejar. Se alguém é chamado a serviço, recebe passagens e diárias, mas isso é determinado por necessidade de serviço, não segundo as preferências ou desejos de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respostas preparadas em 25.06.2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-1420102286626026636?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/1420102286626026636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=1420102286626026636&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1420102286626026636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/1420102286626026636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/16-questionario-sobre-carreira.html' title='16) Questionario sobre a carreira diplomatica'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-6389267498384488974</id><published>2009-03-08T18:32:00.003-03:00</published><updated>2011-02-13T16:36:40.590-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='interrogações'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratado'/><title type='text'>15) Minitratado das interrogações - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Minitratado das interrogações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(você tem alguma dúvida a este respeito?)&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrogantes são inerentes à espécie humana, e talvez mesmo a certos primatas. Determinadas escolhas, ou caminhos, nos levam a uma situação de melhor conforto material ou de maior segurança pessoal, sem que, no entanto, saibamos, ou tenhamos certeza, ao início, que aquela opção selecionada é, de fato, a de melhor retorno ou benefício possível. Dúvidas, questionamentos, angústias, em face das possibilidades abertas em nossa existência, são inevitáveis em todas as etapas e circunstâncias da vida. Daí a interrogação, normalmente simbolizada pelo sinal sinuoso que colocamos ao final de certas frases: ?&lt;br /&gt;Nossos vizinhos ibéricos, ou melhor, hispano-parlantes ou hispanófonos, são mais diretos e explícitos, posto que já começam a frase interrogativa pelo sinal apropriado – ¿ – que creio deveríamos também importar para a língua portuguesa. É uma maneira clara e direta, pelo menos na expressão escrita, de deixar patente que nossas dúvidas vão do começo ao fim de um problema. Sempre é assim, pois a incerteza precede a reflexão e a própria ação (muitas vezes no escuro). Melhor, portanto, começar todo o processo pelo começo, que é a demonstração aberta de que somos ignorantes e desejamos ou precisamos saber algo que não sabemos previamente.&lt;br /&gt;Tendo já escrito um mini-tratado das reticências – &lt;a href="http://paulomre.blogspot.com/2005/12/65-possvel-viver-sem-reticncias.html"&gt;ver aqui&lt;/a&gt; – e um outro sobre as entrelinhas – &lt;a href="http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html#links"&gt;aqui&lt;/a&gt; – creio poder oferecer agora algumas reflexões sobre nossa ignorância fundamental, ou pelo menos, nossas dúvidas iniciais, sempre presentes nas mais diferentes situações a que somos confrontados.&lt;br /&gt;Não vou me estender sobre as dúvidas ‘científicas’, ou seja, pelos procedimentos normalmente associados a todo e qualquer esforço de pesquisa, de investigação, de busca de respostas a problemas objetivos da vida acadêmica ou empresarial: qual a origem e as causas deste fenômeno ou processo?; como atender a este determinado problema prático em nossas vidas, como maximizar a satisfação do cliente, ou ainda, como despertar-lhe desejos até aqui insuspeitos por novos produtos que simplesmente não existiam ou que o consumidor nem sabia, antes, de que tinha ‘necessidade’? Tampouco vou me ocupar das dúvidas governamentais: quais são as verdadeiras prioridades da população?; como distribuir os recursos escassos em função de múltiplas necessidades?; como prestar contas das escolhas oficiais e dizer aos eleitores que nem tudo é possível ser feito ao mesmo tempo? Vou me dedicar, apenas e tão somente, às interrogações simplesmente humanas, mais exatamente relacionais, posto que as dúvidas e questionamentos existem geralmente em situações de interação social: como devo responder a determinado impulso pessoal ou demanda externa?; que desculpa devo dar à minha inadimplência involuntária ou de pura distração?; que profissão escolher, que concurso público fazer, que estudos empreender, além e acima do ensino oficial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que poderia ser dito sobre as interrogações é que elas são, de certo modo, inevitáveis. Ninguém escolhe ter ou não ter questionamentos, pois eles surgem espontânea e involuntariamente, eu diria até inapelavelmente, no curso de nossa existência, sempre cheia de dúvidas e incertezas, sobretudo as de ordem moral e afetiva. Saber o que é o certo e o errado, em circunstâncias normais, pode parecer trivial, pois aprendemos no curso de nossa formação alguns ensinamentos de nossos pais ou educadores, que nos transmitem algum sentido do justo e do injusto, do que é permissível ou não em nossas ações que atingem nossos semelhantes ou até plantas e animais. Hoje em dia, aliás, com o politicamente correto e o ambientalmente desejável, nenhuma criança mais sai por aí esmagando formigas e minhocas com os pés, como fazíamos décadas atrás: todos sabemos que qualquer ser vivo cumpre uma função na grande cadeia da vida, assim que chegamos a poupar até baratas, sem dúvida alguma os seres mais nojentos que nos é dado encontrar na vida cotidiana (bem, alguns têm dúvidas, justamente, se ladrões de velhinhas, pedófilos estupradores e políticos desonestos também não mereceriam figurar ao lado das baratas, mas isso é controverso, duvidoso, interrogativo...).&lt;br /&gt;Essas interrogações não são as mais difíceis, e sim aquelas que surgem do chamado custo-oportunidade: fazer ou não uma coisa que é errada, mas que nos vai trazer uma vantagem imediata, ou cumprir as normas sociais independentemente do custo que isso possa acarretar? Refiro-me, por exemplo, à necessidade de seguir, ou não, as limitações de velocidade, quando estamos atrasados para um encontro?: vale acelerar nos intervalos dos pardais, ou devemos seguir a norma mesmo sob risco de desatender um compromisso previamente fixado? Inventar uma desculpa esfarrapada para o chefe quando se deixou de cumprir uma tarefa corrente, ou simplesmente reconhecer que não teve tempo nem condições de terminar o trabalho em tempo hábil? Pequenos dilemas morais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, tudo isso faz parte das rotinas costumeiras. As interrogantes mais importantes em nossas vidas são aquelas que têm a ver com nossa vida afetiva, com os compromissos assumidos com aqueles que nos são próximos, com as escolhas que temos de fazer e que determinam, em grande medida, o quantum de felicidade de que poderemos usufruir em nossa vida adulta e responsável. O cérebro, certamente, tem muitos interrogantes, inúmeros questionamentos, mas o coração tem muito mais, infindáveis dúvidas sobre o que fazer para trazer aquele sentido de paz interior que todos desejamos desfrutar, aquela sensação de prazer sensual que nos julgamos aptos a usufruir, um sentimento de plenitude na expressão de nossas paixões: amar e ser amado são, possivelmente, duas das mais poderosas forças de que dispomos, ou que nos “invadem” naturalmente em nossa existência, junto com o sentimento de medo (ou pavor), a insegurança física, o desconforto alimentar, o instinto sexual, a raiva (ou ódio) que naturalmente aflora em situações de grande stress emocional, causadas por alguma fonte identificável de agressão física ou moral contra nossas pessoas. &lt;br /&gt;Deixando de lado todas as incertezas associadas a essas circunstâncias ou situações mais estressantes, as interrogações mais importantes em nossas vidas são essas mesmas: serei capaz de amar e ser amado pela pessoa ideal, encontrarei, em primeiro lugar, a pessoa ideal, saberei corresponder às expectativas dessa pessoa, poderá ela satisfazer minhas necessidades mais importantes como pessoa singular, saberei eu preencher sua vida como um par perfeito, estou pronto para assumir os encargos e obrigações de uma relação que, a rigor, deve ser considerada exclusiva? &lt;br /&gt;Mas essas são interrogações iniciais, prévias e antecedentes, se poderia dizer. O que se segue é tão ou mais importante do que aquelas: por que não fui capaz de agir de outra maneira e coloquei tudo a perder?; por que fui tão inconsciente, ou egoísta, que afastei aquela pessoa amada de mim?; como devo proceder para reparar os erros cometidos?; como voltar para trás e recomeçar em novas bases?; seria isto verdadeiramente possível, imaginável, factível?; aceitaria a pessoa amada um retorno a algum status quo ante?; seria ela capaz de me perdoar, ou estaria eu disposto a perdoar alguém que me magoou e que feriu meu coração?; como posso fazer para reencontrar a paz e voltar a viver uma vida de felicidade e de contentamento interior, que é também um compromisso moral com alguma outra pessoa?&lt;br /&gt;Existem, também, as interrogações ainda mais sérias, ou dramáticas: por que não fui até agora capaz de encontrar a ‘pessoa certa’?; por que a ‘vida’ me denegou o prazer de encontrar minha cara metade?; por que é tão difícil viver o relacionamento ‘ideal’?; ou por que fui perder aquilo que já tinha, num momento de puro egoísmo ou de completa desatenção com as necessidades daquela companhia? Estas são questões que nos colocamos em diferentes momentos da vida, interrogantes que todos nós, e cada um, já tivemos oportunidade de nos fazer em algum momento passado ou presente. E, também, não sabemos ao certo ser teremos de fazer as mesmas questões, ou seus equivalentes funcionais, em algum momento do futuro...&lt;br /&gt;As mesmas questões também se colocam em sentido assimétrico, isto é, não diretamente relacional. São inúmeros os casos, talvez a maioria, em que o objeto do amor, da paixão, da sedução ou da conquista, qualquer que seja o termo apropriado, não está vinculado ao seu ponto de origem, isto é, não obtém correspondência direta. São os casos clássicos do triangulo, ou quadrilátero (ou polígono) amoroso: João que amava Maria, que amava José, que amava... Tudo isso é muito complicado, e só podemos nos colocar uma pergunta irrespondível: por que as coisas têm de ser assim e não de outra forma?; por que somos capazes de fazer mal, involuntariamente, a quem nos ama, sem que sejamos capazes de reparar esse mal, ou de encontrar, em outra situação, uma compensação, parcial que seja, ao nosso próprio sofrimento da lacuna aferida?; por que o destino, ou a fatalidade, nos prega tantas surpresas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem, obviamente, respostas fáceis, ou sequer possíveis, a todas essas questões. Nem sei se vale a pena colocá-las, já que elas não cabem num mini-tratado e constituem, mais propriamente, o livro mesmo da humanidade: imenso, interminável, contraditório, frustrante e cheio de realizações notáveis como a vida mesmo. Nenhuma ‘teoria dos sentimentos morais’ – para retomar o título de um dos livros do singular personagem social que foi Adam Smith – pode preencher ou eliminar as lacunas e dúvidas de nossa existência, que são ou estão ligadas nosso lado afetivo e amoroso. Não tenho a pretensão de esgotar ou de sequer aflorar todos os matizes do imenso painel de incertezas e interrogantes que constitui o coração humano. Mesmo tirando o coração do jogo – para os muitos materialistas – resta a química inescrutável de nossos neurônios, uma combinação provavelmente mais numerosa do que o número de objetos estelares, uma equação única e sempre mutável, posto que amamos e ‘desamamos’ sem qualquer regra ou compulsão pré-determinada, sem qualquer ordem racionalmente identificável. Ou seja, as interrogações continuam em número infinito em quaisquer circunstâncias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não pretendo fazer deste ensaio interrogativo mais uma derivação de meu mini-tratado das reticências e como não pretendo que ele seja lido nas entrelinhas, prefiro, talvez, terminar o meu texto com algumas certezas pessoais que podem – ou não, a interrogante é de rigor – ajudar-nos a viver uma existência melhor com todas as questões que subsistem, são criadas de modo contínuo e continuarão a freqüentar a nossa existência pelo tempo disponível: se quisermos, essas minhas certezas constituem a minha ‘teoria dos sentimentos morais’, sem que eu deva copyright ou moral rights a quem quer que seja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito, sinceramente, que devemos pautar nossa existência por uma ‘lei’ da utilidade moral: fazer tudo aquilo que desejaríamos que outros nos fizessem, o que é velho como o cristianismo ou budismo, para ficar em duas filosofias de vida – não as considero como religiões, na perspectiva aqui retida – amplamente aceitáveis no plano moral ou social. Mais do que isso: devemos esforçar-nos para tornar a vida de outros ainda melhor, no plano dos confortos pessoais e materiais, do que aquela que nos foi dado contemplar ao tomarmos contato com essas relações voluntariamente aceitas, como parte de nossa existência. O bem que poderemos trazer aos seres que nos são próximos nos fará sentir uma satisfação superior à da própria perseguição de prazeres individuais, ainda que o egoísmo em causa própria não deva ser considerado sempre como um sinal de mesquinhez ou auto-suficiência: somos ‘mandatados’ naturalmente para buscar nossa felicidade pessoal, e isso implica algum egoísmo, sem dúvida. &lt;br /&gt;As ‘injustiças’ cometidas contra nós nem sempre são o resultado do acaso ou derivadas da vontade unilateral de algum agente, mas podem ter a ver, justamente, com nossos pequenos egoísmos na vida cotidiana, nossas desatenções e equívocos – alguns deles cometidos de modo involuntário – que infligimos a outros muitas vezes sem perceber. As frustrações que experimentamos estão sempre colocadas num contexto relacional e, pelo menos em parte, ainda que minimamente, derivam de alguma ação anterior que conduzimos de modo leviano ou impensado. Por isso devemos ser o máximo tolerantes com os pequenos – alguns grandes – problemas criados num ambiente relacional, e tentar ver esse problema também da perspectiva da outra parte. &lt;br /&gt;O mais importante, talvez, seja o ato de ‘ser bom’, qualquer que seja o significado que possamos dar a essa atitude ou postura. Ser bom nem sempre é ser caridoso, compassivo, benemérito. Significa, simplesmente, olhar para os outros e ver o que poderíamos fazer de bom, ou de útil, que melhore a vida humana sobre a terra, por mínimo que seja o gesto, por insignificante que seja o esforço: vale a motivação interior.&lt;br /&gt;Tudo isso, evidentemente, tem mais a ver com algumas poucas certezas morais do que com as grandes incertezas no amor, ou no afeto, onde as interrogações permanecem ‘incuráveis’, se ouso dizer. Na verdade, o amor é um bem raro, algo extremamente raro para ser mais exato, ainda que ela se apresente e desapareça com muita facilidade de trânsito, se me permitem a expressão. Sendo raro, ele preenche aquela condição que os economistas estabelecem para a escassez relativa de bens: um valor de uso muito apreciado, mas um valor de troca bastante elevado, impossível de ser claramente posicionado nas curvas de oferta e demanda. Para ser mais exato, não há equilíbrio de mercado nessas coisas do amor, daí as questões e interrogações ainda maiores do que aquelas normalmente colocadas em situações de insuficiência de oferta e procura ilimitada. Curva, linha reta, parábola, linha elíptica de tendência, U, V, L, todas as posições e direções são possíveis no amor e não existe equação ou função capaz de apreender o comportamento de ‘elusive good’ e responder a todas as dúvidas do ‘consumidor’ (ou ‘produtor’) de amor. Somos parte interessada e estamos sempre nas duas pontas da equação, daí a sensação de uma equação que ‘não fecha’. &lt;br /&gt;De certa forma, isso é natural, mas a verdade é que simplesmente não sabemos como fechar essa equação, toda ela dominada por imponderáveis, ambigüidades, incertezas, indefinições, enfim, interrogantes e questões não respondidas...&lt;br /&gt;Assim é, e assim sempre será nestas matérias, para as quais nenhum mini (ou grande) tratado oferece conforto ou refúgio. Não tenho nenhum problema em reconhecer que este meu texto oferece muito mais interrogantes do que certezas, mais dúvidas do que respostas prontas, e ele é muito menos um ‘tratado’ – ou seja um corpo coerente de doutrina, com definições e respostas precisas – do que um livro aberto aos questionamentos. Mas é também verdade que, qualquer abordagem de um problema determinado deve começar, metodologicamente, por colocar, se não todas as questões, pelo menos as boas questões. Quanto ao esforço de síntese, ou o trabalho de responder a todas elas, isso fica para o paciente esforço monográfico para esgotar o problema em questão: como não pretendo fechar nenhuma questão, e tenho minhas próprias interrogações sobre todos os problemas aqui discutidos, fico com a proposta inicial de oferecer um rol de questões, tão simplesmente. &lt;br /&gt;Esperando não ter decepcionado meus poucos leitores, termino com uma pergunta ao leitor insatisfeito: você teria feito melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 8 de março de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-6389267498384488974?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/6389267498384488974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=6389267498384488974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6389267498384488974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/6389267498384488974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/03/15-mini-tratado-das-interrogacoes.html' title='15) Minitratado das interrogações - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-740699689099662910</id><published>2009-01-22T05:40:00.002-02:00</published><updated>2011-02-13T16:35:46.614-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='artigos Paulo Roberto de Almeida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minitratado'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrelinhas'/><title type='text'>14) Minitratado das entrelinhas - Paulo Roberto de Almeida</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Minitratado das entrelinhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quote&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sempre me encantaram as entrelinhas. O que não está posto é que encerra a possibilidade, o sugerido é que comanda a liberdade de interpretar. Uma reticência bem colocada, por exemplo, é capaz de acomodar os ânimos mais opostos. Penso que a um diplomata se deve ensinar tanto a arte-manha das palavras quanto a dos silêncios. Assim como devemos, na religião, reservar um espaço ao Mistério, forçoso, entre as linhas, reservar um horizonte em branco, ou no máximo pontilhado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Unquote&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratados, em geral, costumam ser solenes, como convém aos grandes textos declaratórios, escritos em tom impessoal e devendo refletir alguma realidade objetiva, uma relação entre Estados, um contrato entre as partes, com deveres e obrigações compartilhados e estritamente observados pelo tempo previsto de duração. Eles são, se podemos dizer, o retrato de uma relação de confiança, fundada na boa-fé, pensada para construir algo de positivo para todos aqueles que por eles decidem se obrigar e, por isso mesmo, tão carregados de certezas quanto desprovidos de ambigüidades. Eles devem, sobretudo, ser lidos literalmente, com perdão pela redundância, sem qualquer distorção de sentido ou de intenção, ou pelo menos deixando um espaço mínimo para as interpretações (que fazem a alegria dos advogados, mas o desespero dos juízes). &lt;br /&gt;Minitratados, por suposição, deveriam ser versões reduzidas de seus irmãos maiores, contendo um mínimo de disposições num espaço restrito, mas este não é o caso dos meus mini-tratados, cuja função é exclusivamente para falar de sentimentos. Anos atrás, ao inaugurar a série, escrevi um minitratado das reticências (subtítulo: “em defesa de uma inutilidade necessária…”), que especulava, na verdade, sobre as indecisões da vida, os episódios de ambigüidade relacional que, vez ou outra, sempre enfrentamos, com bom humor ou com preocupação, mas que são inevitáveis em toda trajetória sentimental. (Ver esse primeiro minitratado num dos meus blogs, &lt;a href="http://paulomre.blogspot.com/2005/12/65-possvel-viver-sem-reticncias.html"&gt;neste link&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;As reticências, em todo caso, são mais fáceis de serem manipuladas do que as entrelinhas. Afinal de contas, elas podem ser jogadas aqui e ali, no meio ou no final do texto, segundo a vontade exclusiva do autor, um pouco para demonstrar suas pequenas continuidades descontínuas... Elas talvez funcionem como as crases, que, no dizer de Millor Fernandes, não foram feitas para humilhar ninguém, apenas estão ali para ajudar em caso de necessidade. As entrelinhas, por sua vez, podem existir ou não e todo o problema consiste em saber se elas estão, de fato, ali e o que podem fazer por nós. (Bem, mas talvez eu as esteja confundindo com as reticências...)&lt;br /&gt;No caso das entrelinhas, seu principal problema, justamente, é que elas se escondem entre as linhas do texto, capciosamente, e não é fácil adivinhar o que, de verdade, elas estão querendo dizer. Tudo depende da interpretação que se pretende dar ao texto. Mas, pensando bem, se o texto é do próprio, ele pode “colocar” suas entrelinhas onde bem entender, certo? Nada, absolutamente nada, na vida de um mero redator de linhas tortas, na de um escrevinhador de ensaios surrealistas, ou mesmo na de um diplomata responsável por convenções e tratados, nada deveria impedir esse senhor da escrita de depositar (ou até de jogar) suas entrelinhas onde bem entendesse.&lt;br /&gt;Bingo! Aí está a grande utilidade das entrelinhas: elas permitem, justamente, que possamos retirar de um texto texto qualquer aquilo que pretendemos, elas nos dão uma liberdade fundamental: a de ler um texto onde não existe nenhum texto, apenas a imaginação. &lt;br /&gt;Bingo bis! Está aí: as entrelinhas nos libertam da rigidez dos contratos formais e daqueles compromissos muito estritos. Elas “estão” ali para nos dizer: aproveite, rapaz, levante os olhos desse texto chato e deixe voar a sua imaginação. Como diz a minha epígrafe bem escolhida, elas encerram uma possibilidade, sugerem a liberdade de interpretar, são capazes de acomodar os ânimos mais opostos... (ops, sem querer voltei às minhas reticências...).&lt;br /&gt;Acredito que o autor (ou a autora) da epígrafe refletiu muito sobre a vida, seus contornos, seus retornos, suas surpresas e seus imponderáveis. Ele (ou ela) pode estar querendo dizer algo com seu minúsculo tratado sobre as entrelinhas. Deve ser alguém com experiência no manejo da palavra escrita e, sobretudo, dos sentimentos, seus e os alheios. Deve ter dedicado muitas linhas ambíguas a um amigo distante ou fora do seu alcance, momentaneamente. Refletiu muito sobre a vida e o coração, certamente...&lt;br /&gt;A mim, também, como ao/à epigrafista, sempre me encantaram as entrelinhas. Curioso que, ainda antes de ter recebido as palavras em epígrafe, de uma maneira que agora me escapa, eu já tinha planejado escrever o meu mini-tratado das entrelinhas, precedendo uma poesia sobre os dois pontos e um mini-conto sobre o ponto e vírgula (todos eles sinais ambíguos, como o leitor há de perceber, promessas de algo mais, janelas para rotas ainda não determinadas, abertura para possibilidades imensas de dúvidas e de reflexões...). Eu ainda não tinha o formato definitivo deste novo mini-tratado, mas pretendia que ele fosse tão “obscuro” quanto o primeiro, das reticências, tão cheio de promessas quanto um travesssão de diálogo, tão aberto às confusões da mente quanto um salto de parágrafo, tão surpreendente quanto uma exclamação e tão questionador quanto um ponto de interrogação. Sou um diacrítico da escrita...&lt;br /&gt;Pois eu fiquei muito meses parado, como que dominado por um ponto final, até que o/a epigrafista socorreu-me com suas frases esclarecedoras. Abriu-se todo um novo capítulo e eu resolvi escrever este texto, que, se não tem bem a forma de um mini-tratado, pretende pelo menos retomar a tradição dos diálogos peripatéticos, uma conversa com um interlocutor qualquer, que nos acompanha por um breve momento em nossa trajetória de pensamentos e reflexões. Uma rota ainda aberta, espero...&lt;br /&gt;No silêncio de uma tela de computador, também há um pouco do mistério que ficou para trás, experiências que deixaram suas marcas em nossas mentes, sensações que ocuparam por alguns momentos nossos corações (ou que ainda estão lá...). São esses estados de espírito que estão presentes nas entrelinhas: eles não são visíveis, mas estão ali para os que sabem ver e sentir...&lt;br /&gt;Na verdade, como sabem os cartógrafos, geógrafos, topógrafos e, em especial, os poetas, o horizonte é uma linha elástica, que recua cada vez que nos aproximamos dela. Sua paciência é infinita, assim como são infinitas as possibilidades abertas pelas entrelinhas... (ainda mais com reticências, desculpem a insistência...).&lt;br /&gt;Eu queria dizer ao/à epigrafista involutário(a), que ele(a) muito me ajudou na tarefa de juntar minhas poucas idéias sobre as entrelinhas. Sem os conceitos ali transcritos eu jamais teria descoberto o poder secreto das entrelinhas, talvez eu nunca me decidisse por escrever este texto, todo ele feito nas entrelinhas. Não sei se ele será capaz, como escrito na epígrafe, de acomodar ânimos opostos, mas ele certamente ajuda a construir um cenário de mistério, um horizonte de esperança, uma promessa não cumprida. Eu consigo ver, nas entrelinhas deste meu texto, possibilidades ainda não exploradas, sugestões nunca realizadas, sonhos muitas vezes sonhados e ainda não acontecidos, pelo menos, até agora. Mas isto nada prejulga quanto ao futuro...&lt;br /&gt;É tudo o que se espera, aliás, de um mini-tratado sobre as entrelinhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 22 de janeiro de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-740699689099662910?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/740699689099662910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=740699689099662910&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/740699689099662910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/740699689099662910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-mini-tratado-das-entrelinhas.html' title='14) Minitratado das entrelinhas - Paulo Roberto de Almeida'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-890169174540681476</id><published>2009-01-03T21:19:00.003-02:00</published><updated>2009-01-03T21:41:00.126-02:00</updated><title type='text'>13) Um questionário auto-aplicado</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ou autoaplicável…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;Brasília, 3 de janeiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Inspirado em exemplo similar que teria sido composto por Marcel Proust, como jogo de salão – embora alguns atribuam sua paternidade original ao poeta Mallarmé – resolvi aproveitar esta época do ano, apropriada para balanços, confissões, revelações e outros jogos de sinceridade, para também compor, e já responder, a um pequeno questionário cujas perguntas eu mesmo selecionei, ou formulei, com base em minhas preferências pessoais. &lt;br /&gt;Quem desejar pode responder à vontade a este meu questionário, ou formular o seu, individualizado, com suas próprias perguntas, adaptadas a seu gosto ou à sua visão do mundo. Esta é a minha, e estas são as minhas respostas, que acredito sinceras. Mas, como sabemos todos, sempre somos induzidos ao auto-engano, à complacência com nossas próprias falhas e vícios, a uma versão mais benigna de nossas características e à exaltação de nossas qualidades, enquanto escondemos os lados menos enaltecedores de nossa personalidade (que seja, épocas de avaliação permitem essas liberdades…).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;1) O que você considera ser felicidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Poderia ser simples, e dizer apenas isto: ficar numa rede, lendo bons livros (e sendo servido, claro). Complicando um pouco (e querendo, talvez, passar por altruísta ou magnânimo), eu diria que felicidade seria: viver num mundo de paz, sem carências materiais, sem conflitos de qualquer tipo, sem grandes aspirações que não a faculdade de poder desfrutar de um ambiente de cordialidade, de inteligências, de plena liberdade para a expressão do pensamento, de trocas positivas em todas as direções, de certeza que podemos contribuir positivamente para o bem estar de todos e a elevação espiritual da humanidade, permitindo a todos que usufruam à sua maneira de bens materiais, sem que isso se faça em detrimento de outros, ou da capacidade de todos de também poderem aspirar à realização de seus desejos. &lt;br /&gt;Acredito que algo neste sentido já tenha sido expresso na declaração dos pais fundadores da independência americana, e outro tanto se encontra na declaração dos direitos do homem e do cidadão, da revolução francesa. Modernamente, temos a declaração universal dos direitos do homem (1948), que, provavelmente (ou quase certamente), ainda não conseguiu ser plenamente realizada em todos os países e regiões. Creio, assim, que antes de inventar novos direitos econômicos e sociais, as sociedades contemporâneas deveriam esforçar-se por cumprir com aqueles compromissos. Já seria um grande progresso para a humanidade e eu ficaria sinceramente feliz… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;2) Onde você gostaria de viver?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em vários lugares, mas suponho que seja impossível reunir todas estas bondades num único local: uma pequena cidade ao estilo europeu, densa de história, com velhas casas e ruelas entrecortadas por algumas avenidas modernas, restaurantes tão bons como se pode encontrar em pequenas cidades da Itália, com queijos franceses, vinhos brancos alemães, bibliotecas tão boas quanto as americanas, servidas por redes rápidas de acesso a tudo o que a humanidade já produziu de útil em dez mil anos de civilização, dispondo pessoalmente de algum carro médio (talvez japonês), para poder viajar em auto-estradas confortáveis, mas também por pequenas estradas vicinais arborizadas, podendo parar em lugares agradáveis para praticar gastronomia e cultura, de modo geral. &lt;br /&gt;Também faria parte desse local imaginário algumas praias tão boas como as que temos no Brasil (embora eu não seja de praia, preferindo ficar à sombra, lendo livros com água de coco ao lado), com um povo tão simpático quanto parece ser o nosso, sem trombadinhas e outros assediadores ou amigos do seu patrimônio (que não precisa ser muito, apenas um cartão de crédito, que permita o suficiente-supérfluo). Acrescento uma ou outra montanha aqui e acolá, para o inverno, planícies verdejantes que abram a imaginação para nos incitar a escrever alguma história simpática, além de alguns rios caudalosos que sempre nos atemorizam e atraem. Topografia à la Disney, claro, sem mosquitos, moscas, formigas e outros seres incômodos, só bichinhos simpáticos…&lt;br /&gt;Supondo-se que exista esse lugar (mas ainda não encontrei), imagino que ele seja facilmente disponível quando se tem tempo e dinheiro para construir os seus vários cenários ideais (o que nos remete à inevitável questão dos meios materiais e paciência para enfrentar muitas viagens de avião, indo de um lugar a outro). Imagino também que o futuro vai nos trazer um pouco de tudo isto, ao alcance de um click de computador, mas sempre será preciso deslocar o esqueleto de um lugar a outro deste nosso planeta encantador (depende do local, claro…).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;3) Para que tipo de falha você é mais indulgente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para aquelas que não resultam de um ato deliberado do ser humano, mas que decorrem de um erro de julgamento, de avaliação, de um equívoco involuntário. Ainda assim, acredito que determinadas falhas humanas causam imenso prejuízo social e por isso teriam de ser sancionadas de alguma forma por uma instância independente de julgamento e sanção, pois sempre devemos assumir responsabilidade por nossos atos, mesmo os involuntários.&lt;br /&gt;As fraquezas da paixão são, em geral, mais perdoáveis, pois se trata de uma química ainda não completamente dominada pelos seres humanos – se é que algum dia o serão – mas isso não implica em coonestar prejuízos materiais ou psicológicos infligidos a alguém por força de alguma paixão incontrolável. Volto a dizer que todos somos responsáveis por nossos atos e a compulsão dominadora não poderia a esse título ser sancionada, por ser simplesmente desprezível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;4) Que qualidades você admira no homem ou na mulher?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Difícil distinguir, sobretudo em nossos tempos de politicamente correto, quando o sexismo é seriamente condenado. Digamos que a melhor qualidade, em ambos, é a capacidade de ser bom, ou seja, de contribuir para o bem geral, sem qualquer distinção de condição. Ser bom significa viver para algo mais elevado do que a própria satisfação material ou espiritual de seus desejos individuais, mas preocupar-se com a sorte de outra pessoa, de qualquer outra pessoa. Significa algo mais do que simplesmente não causar mal a alguém, significa ativamente perseguir o bem e a felicidade para todos, a começar por si próprio e para os que nos são próximos. &lt;br /&gt;Ser tolerante é uma outra qualidade indispensável, posto que todos somos falhos, em condição física, em caráter, em disposição para fazer um esforço adicional em prol do bem comum referido acima. Ser tolerante sobretudo com os que pensam diferente de nós, em tempos de fundamentalismos e fanatismos de várias espécies. Isso não inclui, obviamente, o relativismo moral ou cultural, pois acredito, sim, que existam valores que são universais e permanentes, e que devem ser acatados por todos. Os sacrifícios humanos, está claro, já não estão mais na moda, mas permanecem vários fanatismos de natureza religiosa ou racial, que cabe combater com o devido rigor. Acredito, sim, que devemos ser preventivos no combate ao mal, e isto inclui ser absolutamente intolerante com a intolerância: se Hitler tivesse sido contido no devido momento, não teria sido capaz de causar tantos sofrimentos a tanta gente. Mas, eu esqueço, talvez, da horda de ditadores, de todos os matizes, que já assolaram a humanidade desde sempre, cuja principal característica era justamente a intolerância com o pensamento alheio. Por isso acredito que a tolerância deve ser por vezes imposta a quem é intolerante, e isso eu também reputo como qualidade, a coragem de impor a tolerância…&lt;br /&gt;O culto da inteligência é uma outra qualidade que admiro, em qualquer ser humano, sem que eu saiba exatamente dizer o que isto significa: provavelmente ter uma mente aberta a todos os aprendizados, a qualquer momento, saber rever suas concepções e argumentos, com base em novas evidências da realidade, em novas pesquisas, em um estudo aprofundado de qualquer problema que seja. Soluções simplistas não são apenas rápidas e mal feitas, elas podem causar danos irreparáveis, sem que se possa controlar a aplicação de qualquer medida com base numa avaliação ponderada de seus possíveis efeitos de curto e mais longo prazo. Como se diz: para cada questão complexa, sempre existe uma resposta simples, e geralmente equivocada. Devemos, por isso mesmo, cultivar o dom da inteligência, que talvez seja inata, mas que também pode ser construída, com base em esforço, persistência e honestidade intelectual.&lt;br /&gt;Aliás, esta última qualidade é a que mais admiro em qualquer cidadão que fez do trabalho intelectual o seu ganha-pão: acima dos sucessos eventuais, dos benefícios materiais de sua atividade, está a honestidade quanto aos procedimentos, quanto à exposição dos resultados, quanto ao uso de argumentos racionais em apoio às suas teses ou em defesa de suas opiniões. Além de evidências concretas, todos temos direito a ter opiniões: elas apenas precisam ser expostas de forma clara e objetiva, como opiniões, justamente, não como artigos de fé…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;5) Qual a sua ocupação favorita?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, acredito que talvez fosse não ter ocupação, justamente, mas talvez isso resulte em algum aborrecimento. Ficar flanando pelas cidades do mundo, poder fazer o que quiser a qualquer momento, talvez seja o ideal para qualquer pessoa que aprecia as coisas boas que a humanidade já produziu em séculos. Mas, justamente, sem considerar o problema dos meios materiais – supondo-se, no exemplo acima, que você disponha dos meios suficientes para ficar “flanando pelo mundo”, sem lenço, mas com documentos e um bom cartão de crédito –, o mundo nunca teria essas maravilhas para serem admiradas e visitadas sem algum tipo de compulsão ao trabalho, sem algum tipo de exploração do homem pelo homem, sem a competição que resulta de uma ambição qualquer ou o desejo de emular quem está melhor do que você mesmo, na disposição de bens materiais, no acesso à cultura ou à satisfação intelectual ou espiritual (o que se considera ser isso, em todo caso). &lt;br /&gt;Portanto, todos temos ocupação, seja como independentes ou assalariados. Ser do primeiro time, isto é, independente, é para poucos, pois o empreendedor arrisca muito do que é seu para construir um patrimônio que o coloque ao abrigo, justamente, do domínio de outros (lembrando sempre, com Benjamin Franklin, que não escapamos da morte e dos impostos). A maior parte de nós prefere ter uma situação mais tranqüila, se é que se pode chamar de tranqüila a atividade “forçada” para algum patrão: existem os generosos, é verdade, as universidades e o setor público de forma geral, bem menos carrascos do que os capitalistas gananciosos, que arrancam ou couro dos empregados com algum tipo de benchmark de produtividade…&lt;br /&gt;Sendo assim, melhor se dedicar a alguma atividade que combine o máximo de satisfação possível e o mínimo de preocupação necessária. Como eu não tenho esse espírito empreendedor que parece típico do capitalista – nem pretendo para mim grande remuneração financeira – a atividade que mais se ajusta a meu caráter é a intelectual, o que pode ser encontrado numa universidade ou em algumas ocupações do setor público, justamente. A diplomacia me parece ser, por acaso, a que combina o mais possível as virtudes de ambos mundos: intelectual o suficiente para me atrair, nômade na medida certa para também me atrair, a tranqüilidade da estabilidade – mas eu pessoalmente sou contra a estabilidade no setor público, inclusive na diplomacia – e a combinação de reflexão e ação na medida apropriada. Perto disso, ser professor também me agrada muito, tanto porque estou sempre aprendendo nessa ocupação, seja com os livros, novos e bons livros, seja com os próprios alunos (embora a maioria seja preguiçosa, alguns sempre se destacam pelos questionamentos e dúvidas, que nos esclarecem, também).&lt;br /&gt;Finalmente, o que eu mais gostaria de ser seria leitor e crítico de livros, junto com a atividade mais séria de escritor, mas eu não tenho gêneros, exercendo-me nas mais diversas artes da escrita e da reflexão crítica. Acredito que ficarei feliz quando dispuser de mais tempo para ler, escrever, viajar, pensar, enfim, ensinar, que sempre estamos aprendendo ao ensinar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;6) Qual a seu principal defeito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tenho certamente muitos defeitos, alguns até mesmo despercebidos por mim, entre os quais provavelmente não se situa o “dom” da hipocrisia (ou seja, a capacidade de dizer coisas agradáveis a quem não merece). Não sei dizer exatamente qual o pior, pois isto envolveria, para uma boa resposta, realmente, uma pequena enquête entre os mais chegados e entre os menos tolerantes com os meus defeitos, pois eles certamente existem. Suponho que seja a ausência, estrito e lato senso, o que pode ser irritante em determinadas circunstâncias. Como estou sempre com alguma coisa nova na cabeça, lendo compulsivamente, ou escrevendo coisas que me vêem à mente nas mais inusitadas ocasiões. Sempre estou com um caderno de notas no bolso, o que me permite anotar qualquer coisa que intervenha em meu campo visual, auditivo ou mental. Essa capacidade em se abstrair, ou de se ausentar da realidade imediata, para penetrar no mundo das idéias, pode ser irritante para os que me cercam.&lt;br /&gt;Falando assim, parece até positivo, mas o lado mais negativo dessa “ausência” é o egoísmo na leitura, e certamente minha subtração de atividades “corriqueiras”. Tenho pouca paciência para as banalidades da vida diária, desejando me concentrar apenas em coisas “elevadas do espírito”. Alguns psiquiatras poderiam dizer que isto é uma forma de “alienação”, embora eu esteja pouco ligando para a opinião desse tipo de intérprete da alma alheia. O que me interessa mesmo é ficar lendo e escrevendo, mas suponho que isto possa ser um grande defeito na vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;7) Quem você gostaria de ter sido?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não imagino, atualmente, algum grande personagem histórico ou literário, que poderia me servir de inspiração ou modelo. Nunca desejei ser algum chefe militar, embora em determinada época desejasse derrubar o governo militar do Brasil pela força das armas, um pouco como no exemplo – altamente romantizado – dos guerrilheiros cubanos (que resultaram naquilo que se vê hoje, uma gerontocracia totalitária). &lt;br /&gt;Talvez em algum momento um filósofo grego, estilo Sócrates ou um desses menos autoritários (Platão certamente não se encontra entre os meus preferidos, pois sempre desconfiei desses engenheiros sociais que pretendem reformar os homens e as instituições mediante iniciativas de implementação compulsória). Mas a filosofia sempre me parece algo distante das preocupações cotidianas, e o que eu queria, mesmo, era reformar o mundo, torná-lo menos injusto para os mais pobres – como minha própria família – e mais “confortável”, digamos assim, para todo mundo. Isso implica em algum tipo de atividade política, mas confesso que nunca tive nenhuma atração pela demagogia, pela mentira, pela hipocrisia típica dos homens políticos, e digo isto com bastante contenção, pois sei que nem todos são assim, e que, mesmo que eles sejam assim, a classe política, como os sacerdotes e outros vendedores de ilusão, fazem parte de nossa paisagem para o bem e para o mal (espera-se que mais do primeiro elemento).&lt;br /&gt;Talvez tivesse querido ser algum intelectual famoso, não pela fama em si, mas pela possibilidade de aumentar a audiência, pois acredito que eu tenha algumas coisas inteligentes ou interessantes para dizer. Não me inspiro em nenhum em particular, mas dentre os políticos com feições intelectuais que me vêem à cabeça é inevitável não citar Winston Churchill, um jornalista, político, homem de guerra e escritor que, por mais imperialista e abusado que tenha sido, contribuiu em grande medida para construir o mundo no qual vivemos hoje. Certamente que, entre o mundo de Hitler e de Mussolini, e o mundo de Churchill e de Roosevelt, este é bem melhor do que aquele, e por isso ele pode figurar no meu panteão particular (sem qualquer culto, porém, por nenhuma de suas virtudes pessoais, apenas respeito e admiração pela sua obra de estadista). &lt;br /&gt;O mais importante, em tudo isso, é a obra que deixamos, e esta obra precisa estar inspirada em boas idéias. Então, eu gostaria de ter sido todos aqueles que, com suas idéias e ações, contribuíram para tornar o mundo melhor do que ele é: geralmente, as pessoas de idéias não costumam ter poder, mas podem servir, ao estilo maquiavélico, de conselheiros do príncipe (e não considero Maquiavel intrinsecamente mau, ao contrário, apenas um intelectual patriota, preocupado com a miséria política e material da Itália do seu tempo). Creio que gostaria de ter sido Maquiavel, mas sem o seu exílio miserável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;8) Qual a principal traço de seu caráter?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, era o de ser um pretenso “agitador revolucionário”, mas isto se perdeu na noite dos tempos. Atualmente, sinceramente, não saberia dizer. Uma pessoa amiga me disse que meus olhos “expressam tão puramente um misto de bondade e de perspicácia, qualidade tão incomuns separadamente, únicas quando na mesma pessoa”. Não sei dizer se é isso, exatamente, talvez seja, se assim me vê alguém com dotes de fino analista da alma humana. Aliás, nem sei se ter a pretensão de ser um “agitador revolucionário”, seja lá o que isso queira dizer, conformava algum traço de caráter, ou uma simples aspiração passageira. Em todo caso, essa fase já passou.&lt;br /&gt;A mesma pessoa que me qualificou de bondoso e perspicaz, acrescentou: “É um equilíbrio tão cristalino quanto complexo”. De fato, mesmo quando eu pretendia ser um “agitador revolucionário”, estava ocupado em estudar e me preparar para fazer algo de útil, ou necessário, não para mim, exatamente, pois o sentido era o de alguma “ação social”. Nisso talvez vá o lado da “bondade”. Quanto à minha suposta perspicácia, não sei dizer exatamente onde ela se encontra, talvez na capacidade de analisar os dados da realidade e de tentar extrair daí as melhores conseqüências possíveis, que geralmente são as de menor custo social ou individual. Trata-se aqui de um raciocínio econômico, de tipo utilitário, pois acredito sinceramente que sempre devemos buscar as soluções que maximizem insumos e resultados, numa espécie de ótimo paretiano dos fatores de produção: os meus são a minha capacidade de leitura, de reflexão, de proposição, e creio que isto configure, aí sim, um traço de caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;9) Qual seria o seu sonho de olhos abertos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Escrever um livro que fosse admirado por muitos e que pudesse figurar como uma espécie de clássico do pensamento, um ícone do meu tempo. Não sei se ainda farei isto, provavelmente não, pois não me dedico à literatura ou à filosofia, onde estão, aparentemente, os “clássicos” do pensamento, estando bem mais voltado para a história e a política do Brasil. Mas, nunca se deve deixar de sonhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;10) Qual seria um grande motivo de infelicidade para você?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente perder o dom da leitura e o da reflexão, o que pode vir com a idade, com a cegueira, ou algum outro acidente inabilitante. Mas lembremos que Borges ficou cego relativamente cedo, e continuou produzindo durante algumas décadas mais. Pessoas cegas costumam ser muito sensíveis, e desenvolvem outras habilidades. Mas, o fato de não poder ler mais diretamente, pode representar uma grande tragédia em minha vida. Talvez existam piores tragédias na vida, mas esta seria muito ruim para mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;11) Qual o dom da natureza que gostaria de possuir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu calculo que para terminar de ler todos os livros que eu gostaria de ler, vou precisar de mais uns 150 anos (estou sendo modesto) e não sei se a natureza, ou os progressos da medicina, me darão essa faculdade (essa felicidade). Suponho, porém, que outros livros interessantes venham a ser acrescentados à minha lista nesses 150 anos adicionais, o que requereria mais 150, e depois mais outro tanto, e depois... Bem, o dom da imortalidade não existe, e por isso, eu gostaria de ser organizado, o que já seria um grande progresso.&lt;br /&gt;Digamos que eu deveria deixar todos os meus papéis, livros e anotações feitas ao longo do último meio século em um estado tal que possam representar alguma utilidade para outros estudantes ou pesquisadores de nossa vida política, econômica, diplomática, o que já me deixaria feliz. Então, peço à senhora “mãe Natureza” que me dê o dom da organização, para que eu um dia arrume os meus livros – sempre tão difíceis de encontrar – e ponha em ordem meus papéis e cadernos.&lt;br /&gt;È um pedido certamente modesto, e não sei se a Natureza será capaz de atender (provavelmente não), mas é com ele que termino este meu questionário anárquico, como sempre foram os meus escritos e reflexões. Termino por uma última pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;12) Qual é o seu presente estado de espírito?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Otimista, mas preocupado, como sempre. Sempre tenho o otimismo incurável (o que é um chavão abusado) de fazer tudo aquilo que pretendo, algum dia, mas sempre ando preocupado, porque o tempo de que disponho me parece sempre insuficiente para cumprir tudo aquilo que planejei fazer. Em todo caso, neste momento, em que estou “perdendo tempo” com este questionário, tenho dois trabalhos no pipeline e um imenso livro que planejei escrever até o primeiro trimestre de 2009. Não sei se conseguirei, mas este estado de preocupação otimista vai continuar comigo, agora e sempre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasília, 3 de janeiro de 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-890169174540681476?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/890169174540681476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=890169174540681476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/890169174540681476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/890169174540681476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/14-um-questionrio-auto-aplicado.html' title='13) Um questionário auto-aplicado'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-4113630543984149263</id><published>2009-01-03T04:19:00.003-02:00</published><updated>2009-01-03T04:28:54.091-02:00</updated><title type='text'>12) Sobre a complicada condição de diplomata</title><content type='html'>Algumas pessoas acham que eu escondo minha condição de diplomata, ou que eu teria alguma restrição ao fato de ser apresentado como tal.&lt;br /&gt;Isso não é bem verdade, do que é prova, aliás, todos os blogs (por acaso figurando na coluna da direita) que explicitam essa condição, assim como a exigência que é feita em muitos artigos publicados de se colocar a condição profissional.&lt;br /&gt;Se dependesse apenas de mim, é verdade, eu nao colocaria essa condição, ou situação, ou profissão (seja lá o que for), não por alguma restrição mental em relação a ela, mas por simples razões de validade argumentativa e proteção, justamente, contra certos rótulos que nos são impingidos de fora, a partir de uma condição declarada.&lt;br /&gt;Explico-me melhor.&lt;br /&gt;Eu, como todos sabem, estou sempre escrevendo e publicando, inclusive sobre temas que não deveriam, normalmente, frequentar as "aparições" públicas de um diplomata, normalmente um funcionário discreto da burocracia de Estado, respeitoso dos códigos escritos e não escritos da reserva e da confidencialidade. &lt;br /&gt;Acontece, simplesmente, que quando estou desenvolvendo argumentos ou opiniões que têm a ver com aspectos mais gerais do que a simples diplomacia, ou até sobre aspectos propriamente diplomáticos, quero que meus argumentos sejam tomados pelos que eles contêm de objetivo, pela sua validade intrínseca, não pela qualidade ou condição de quem os expressa. Argumentos devem se sustentar por si mesmos, e por isso evito, sempre quando posso, mencionar essa condição quando falo ou escrevo para um público mais vasto.&lt;br /&gt;Não que eu tenha preconceito ou vergonha de minha condição, na verdade são as pessoas que mantêm idéias feitas sobre determinadas categorias de pessoas. Se elas sabem ou são avisadas de que ali está um diplomata falando, podem logo dizer: "Mas esse sujeito está apenas transmitindo a versão oficial do problema, ele está defendendo essas posições porque é um diplomata chapa branca, está a serviço deste governo". &lt;br /&gt;Ora isso deforma ou distorce completamente o sentido de meus argumentos. Quero que eles sejam tomados em si mesmos, sem que minha condição influencia sua recepção. Ou seja, quero que a pessoa "dona" dos argumentos seja ignorada.&lt;br /&gt; Esta era, alias, a posição de Machado de Assis enquanto crítico: olhar apenas a obra, e esquecer quem escreveu.&lt;br /&gt; Acho que me fiz claro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37542140-4113630543984149263?l=diplomataz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diplomataz.blogspot.com/feeds/4113630543984149263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37542140&amp;postID=4113630543984149263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4113630543984149263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37542140/posts/default/4113630543984149263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diplomataz.blogspot.com/2009/01/12-sobre-complicada-condio-de-diplomata.html' title='12) Sobre a complicada condição de diplomata'/><author><name>Paulo R. de Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18268769837454266546</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_uQuXEROb9Io/SmFWoZ3M6pI/AAAAAAAAAIc/ggf-Ht1BvNk/S220/001PRAlmeida.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37542140.post-3714505632989055410</id><published>2008-12-31T03:05:00.004-02:00</published><updated>2008-12-31T15:22:14.662-02:00</updated><title type='text'>11) Um balanço de final de ano, com alguma explicação para tal...</title><content type='html'>Pouco tenho freqüentado este blog, sei disso, que foi foi feito, digamos assim, para reflexões pessoais, algo que ocorre quando temos tempo e lazer de sentar e pensar no que foi feito e no que ainda resta a fazer. &lt;br /&gt;Como tenho estado envolvido, talvez demais, com trabalhos "práticos", acabo deixando esse tipo de atividade intelectual de lado.&lt;br /&gt;Bem, fim de ano é o tempo dos balanços e das reflexões. Portanto, cabe agora este trabalho que segue abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Um balanço de final de ano, com alguma explicação para tal...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Paulo Roberto de Almeida&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://www.pralmeida.org"&gt;www.pralmeida.org&lt;/a&gt;; &lt;a href="mailto:pralmeida@mac.com"&gt;pralmeida@mac.com&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;Em 31 de dezembro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada final, ou começo, de ano, somos todos tentados a empreender uma espécie de balanço do ano que se passou e a estabelecer algum tipo de planejamento, ou agenda de trabalho, para o ano que se inicia. Isto é próprio desta época, pois a maior parte das pessoas e empresas segue o calendário anual, gregoriano no caso de nossas sociedades ocidentais, para fins de balanço periódico, para contabilidade (e eventual distribuição de lucros), para estoque patrimonial, levantamento de ativos em caixa, ou seja lá o que for.&lt;br /&gt;No que me concerne, não tenho dividendos a distribuir, nem saldos a contabilizar, ou dívidas a pagar – a não ser a rotação normal dos cartões de crédito – e muito menos teria contas a prestar a alguém, a não ser à minha família e minha própria consciência. Sou um ser livre, tanto quanto permitido pela minha condição de funcionário público, de professor universitário e de colaborador voluntário, regular ou ocasional, para uns tantos pasquins eletrônicos que insistem em me ter como escritor anarco-literário. Mas, essa “prestação de contas” eu posso fazer se desejar, pois ninguém irá me cobrar nada se não o fizer. Esta condição que exibimos, de pessoas livres em sociedades livres, é algo relativamente novo na história da humanidade, tendo se consolidado apenas a partir do Iluminismo europeu e do constitucionalismo contemporâneo, sendo ainda desconhecida em determinadas sociedades (felizmente, cada vez em menor número).&lt;br /&gt;A rigor, só posso empreender um balanço de meus trabalhos escritos, pois esta é, talvez, a parte mais visível de minha atividade pessoal, a que mais me engaja, me cativa e me atrai, em sua simplicidade aparente. Toda a minha vida consciente – não sei bem quando começou – tenho sido um observador da realidade, como qualquer outro ser humano, aliás. Toda a minha vida “literária” – que começa na tardia idade de sete anos – tenho sido um leitor compulsivo, um devorador de todo e qualquer papel manuscrito ou impresso, de todo e qualquer livro ou periódico, assim como um espectador menos fiel dos meios de comunicação audiovisuais. Toda a minha vida de “escrevinhador” – creio que a condição se aplica, mas não sei bem quando ela começou – tenho sido um gastador intensivo de lápis, caneta, papel e, desde alguns anos, um produtor compulsivo de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bits and bytes&lt;/span&gt;, que é como todo mundo, agora – com exceção dos “conservadores” – se manifesta e se expressa para o mundo e para si mesmo. &lt;br /&gt;Pois bem, e o que diria este balanço da minha produção intelectual em 2008? OK, vejamos as contas, agora. Estou fechando este ano de 2008 justamente com este texto, que leva o número 1969. Constatando que comecei este ano que agora termina com o trabalho 1848, isto perfaz, segundo uma aritmética elementar, exatamente 121 trabalhos – em todas as categorias, isto é, ensaios, resenhas, capítulos de livros, ou livros inteiros – o que pode ser visto de diversas formas. Isto representa um trabalho a cada três dias, aproximadamente, não considerando o volume, ou seja, o número de páginas de cada um dos textos (pode ser uma única página, para algum esquema de trabalho, a várias dezenas, ou mesmo mais de uma centena, para outros trabalhos) e o total. Esse tipo de contabilidade “produtivista” eu posso fazer depois, quando tiver tempo e disposição para tanto. Por enquanto, fiquemos num balanço qualitativo, ou em uma explicação.&lt;br /&gt;O que importa mais, neste momento, seria a questão de saber para que serve tudo isto, ou seja, qual o sentido da minha produção aparentemente exagerada? Não sei dizer, sinceramente, apenas confirmo que tenho especial prazer em ler e escrever. Ainda hoje terminei a leitura de um livro – &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Splendid Exchange: How Trade Shaped the World&lt;/span&gt;, de William J. Bernstein – e, por essas maravilhas dos meios de comunicação modernos, troquei quatro ou cinco mensagens eletrônicas com o autor, um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;financial theorist and historian&lt;/span&gt; (segundo a informação da orelha), que vive em North Bend, estado do Oregon (USA). Escrevi-lhe a propósito de uma simples nota de rodapé que me pareceu bizarra, e daí tive que buscar o meu Marx na prateleira para confirmar aquilo que eu imaginava: a citação do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Miséria da Filosofia&lt;/span&gt; só se aplicava por causa de uma exigência de Engels para a edição alemã do livro, sendo que a referência original era um simples discurso de Marx na Associação Democrática de Bruxelas, em janeiro de 1848 (acho que o meu marxismo ainda anda afiado, se me permitem os saudosistas...). &lt;br /&gt;Sim, mas qual é o sentido de tudo isto, volto a questionar? Continuo sem saber responder adequadamente, apenas sugerindo que se trata de uma “segunda natureza”, um vício incurável – mas não transmissível, imagino – que me leva a passar a maior parte do meu tempo livre – variável segundo as circunstâncias e obrigações outras – nos atos da leitura, da reflexão e da escrita. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;And what for&lt;/span&gt;?, para qual objetivo, pergunto?&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, para minha própria ilustração e satisfação intelectual, suponho, ainda que tal vício possa ser doentio, alerto os possíveis incautos. Quem possui esta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gentle madness&lt;/span&gt;, esta loucura benigna da leitura e da escrita não pode ser totalmente normal, imagino, mas tampouco é o caso de internação e tratamento compulsório, pois se supõe que pessoas assim não venham a causar grandes males à humanidade, ao contrário. No meu caso, sou totalmente inofensivo, pois costumo ficar no meu canto, aliás vários cantos – o que compreende livrarias, bibliotecas, bares, restaurantes, carro, cama e outros ambientes –, quando estou lendo alguma coisa, o que quer dizer o tempo todo. Quando não estou lendo, estou anotando, ou escrevendo, a mão ou no computador, invariavelmente. Ou seja, trata-se de uma insanidade leve, não nociva aos demais, a não ser aos que se irritam com este meu alheamento temporário, o que pode compreender colegas de trabalho, família, cachorro e até o trânsito, circunstancialmente (sim, de vez em quando leio enquanto estou dirigindo, mas tomando o devido cuidado, claro).&lt;br /&gt;Em segundo lugar, para ilustração dos outros, de colegas, amigos, alunos, curiosos e até desconhecidos, suponho, posto que meus trabalhos são todos divulgados em meios públicos (bem, nem todos). Ao lado desta loucura da leitura e da escrita, tenho o hábito reincidente de ensinar, ainda que esta não seja a minha principal condição profissional. Acontece que, voluntariamente ou expressamente a convite, tenho assumido atividades docentes, à margem ou simultaneamente à minha profissão oficial, atualmente – devo dizer, desde 30 anos – de diplomata. Assim, leio para mim e para os outros, o que quer dizer que coloco no papel o que aprendo nos livros e outros textos publicados. Mas o que explica essa mania de ler e publicar um pouco de tudo, volto a perguntar?&lt;br /&gt;A razão é muito simples: venho de uma família muito modesta, de pais que sequer chegaram a terminar o ensino primário; se tratava, portanto, de um lar onde os livros não abundavam, ao contrário. Meu primeiro contato com os livros se deu numa biblioteca infantil, que por uma dessas felicidades infinitas ocorria de existir próximo à casa de minha infância. Freqüentei-a antes de aprender a ler e continuei freqüentando-a enquanto pude, até meus anos de curso médio, em São Paulo. Devo, provavelmente, a esta biblioteca – Biblioteca Pública Infantil Anne Frank, do bairro do Itaim-Bibi, que se registre – tudo o que sou atualmente, ou quase tudo. Talvez nem tanto a ela, pois outro poderia ser o instrumento desta minha loucura pela palavra impressa, mas certamente à minha própria compulsão (que não considero inata) pela leitura e pela escrita. Sou capaz de lembrar títulos e capas de vários livros que li na Anne Frank, inclusive um chamado, justamente, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Palavra Escrita&lt;/span&gt;, do crítico literário Wilson Martins. Tenho de passar lá um dia, para ver se consigo fazer uma lista completa de minhas leituras de infância.&lt;br /&gt;Depois de adquirido esse vício incurável (pelo menos para mim), passei a ler em toda e qualquer circunstância, adquirindo também o hábito de fazer anotações dessas minhas leituras. Mais tarde, quando se fixou em mim a consciência absolutamente fiel e verdadeira de que tudo o que sou devo à leitura e à reflexão crítica – pois poucos eram os outros meios para minha elevação social, a partir do meio em que vivia – passei a ter também o desejo, nã
